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MARCELO NEVES

Qual será o futuro comercial do Campeonato Brasileiro?

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MARCELO NEVES

Quando teremos uma Liga no Brasil que irá cuidar do futebol em suas divisões principais e finalmente termos uma verdadeira profissionalização? É a famosa pergunta do milhão, ninguém sabe responder com exatidão.

O que se tem hoje são dois blocos formados, que não tem nenhuma relação com criação de Liga, mas sim blocos comerciais como era o antigo Clube dos 13. De um lado temos a LIBRA e do outro a LFF.

A LIBRA tem como integrantes: ABC, Atlético-MG, Bahia, Corinthians, Flamengo, Grêmio, Guarani, Ituano, Mirassol, Novorizontino, Palmeiras, Ponte Preta, Red Bull Bragantino, Sampaio Corrêa, Santos, São Paulo e Vitória. Já a LFF tem os seguintes integrantes: Athletico-PR, América-MG, Atlético-GO, Avaí, Brusque, Chapecoense, Ceará, Criciúma, CRB, CSA, Cuiabá, Figueirense, Fluminense, Fortaleza, Goiás, Internacional, Juventude, Londrina, Náutico, Operário, Sport, Tombense e Vila Nova. E o chamado Grupo União composto por Botafogo, Coritiba, Fluminense e Vasco.

No ano passado os clubes da LFF venderam 20% de seus direitos comerciais (não apenas direitos de transmissão) por 50 anos, um contrato que terá validade de 2025 até 2075. E alguns clubes pegaram uma espécie de empréstimo, adiantamento deste valor no ano passado. O Fluminense recebeu 43 milhões de reais como adiantamento dos 100 milhões a qual teria direito no momento da venda. O crédito concedido tem como garantia de pagamento os direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro a partir de 2025, ou seja, esses clubes terão descontados os valores corrigidos do futuro contrato comercial negociado.

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A título de informação, o Fluminense que adiantou 43 milhões, ao final de dezembro de 2024 terá que pagar cerca de 55 milhões deste “empréstimo”.

A LFF ainda não tem uma proposta concreta para a venda dos direitos de transmissão, além disso, contratos como placas de publicidade também entram no pacote dos 20% que foram vendidos aos investidores. O que faz com que cada clube integrante da LFF tenha “descontado” 20% dos futuros contratos comerciais e tudo que envolver o Campeonato Brasileiro por 50 anos.

O Cuiabá recebeu pouco mais de 56 milhões de reais por esta venda, mas não de forma integral. Recebeu a metade no momento da conclusão da venda, receberá 25% no meio deste ano e o restante na metade do ano que vem.

Os clubes da LIBRA fecharam um acordo com a Globo de 1,3 bilhão de reais; 1,1 bilhão pela TV aberta e fechada e mais 200 milhões de mínimo garantido pelo PPV, (o acordo ainda não foi assinado), sem a necessidade de intermediário, como é na LFF. Ou seja, os clubes da LIBRA são donos de 100% dos direitos comerciais.

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Outros negócios envolvendo os clubes da LIBRA dizem respeito às placas de publicidade em seus jogos, a BRAX recentemente fechou um acordo com o Corinthians de 240 milhões de reais por cinco anos. Já o Flamengo firmou um acordo com a mesma empresa pelo mesmo período por 330 milhões de reais, sem contar a publicidade em ações de marketing nas arquibancadas, nas áreas internas, no sistema de som e no telão.

Já o Cuiabá quando fizer seu contrato das placas de publicidade, marketing nas arquibancadas, telão, áreas internas da Arena Pantanal, terá que repassar 20% para o grupo investidor que comprou os direitos comerciais, lembrando que o prazo é de 50 anos.

Hoje os clubes da LFF já sabem que 1,3 bilhão de reais é o que a Globo irá pagar aos clubes da LIBRA, e dificilmente conseguirão um valor superior com a Globo ou mesmo com outra empresa que queira transmitir o Brasileiro destas equipes. Óbvio que pode sim aparecer alguém oferecendo mais, nunca dá para descartar essa possibilidade.

Podemos ver o distanciamento econômico aumentar ainda mais no Brasil, e isso não será por divisão de cotas televisivas, mas sim pela busca do dinheiro rápido e sem pensar no que será o futuro do futebol brasileiro.

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MARCELO NEVES

Uma Copa do Mundo de contradições

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A Copa do Mundo de Clubes entra na última rodada da fase de grupos, e assim como na Copa do Mundo de seleções, surpresas e favoritos mostram sua cara em vários jogos, assim como algumas zebras. E isso tem sido evidente até aqui. Exemplos como empate de um Al-Hilal contra o Real Madrid, vitória do Inter Miami diante do Porto e atuações de equipes periféricas que chamam a atenção.

Com as vitórias de Botafogo diante do PSG, a vitória do Flamengo diante do Chelsea e os empates de Fluminense e Palmeiras frente à Borussia Dortmund e Porto respectivamente, aqueles vira-latas da imprensa brasileira sempre puxam as famosas cartas do “europeu joga sem interesse”, “eles não ligam para o torneio”, “é uma pré-temporada de luxo”, e coisas assim.

Agora esse mesmo vira-latismo (termo muito utilizado por Nélson Rodrigues) começou a usar a desculpa do cansaço e do calor enfrentado pelos times europeus. Mas será mesmo que esses aspectos afetam apenas os times europeus? Em um balanço feito pelo site Sofascore em partidas realizadas nos últimos 12 meses, nenhum time europeu jogou mais de 60 jogos no período, vejam na imagem abaixo:

Ou seja, antes da Copa do Mundo iniciar, o Flamengo foi quem mais atuou no período com 77 jogos disputados, enquanto o time europeu com mais jogos disputados foi o Real Madrid com 62 jogos. Mas aí você pode dizer que os times brasileiros tiveram férias no período enquanto os europeus continuaram atuando.

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Então vamos fazer um balanço de fevereiro até o início da Copa do Mundo (entre 1º/02 até 31/05), lembrando que em janeiro as equipes brasileiras já estavam jogando os estaduais em pleno verão. Neste período entre fevereiro e maio quem mais jogou foram Fluminense e Palmeiras, 30 jogos cada um. A equipe europeia que mais atuou no período foi o PSG com 28 jogos.

Ainda em comparação, o Flamengo também fez 28 jogos enquanto o Chelsea entrou em campo 23 vezes. O Botafogo entrou em campo 26 vezes, o Real Madrid jogou 27 jogos, assim como a Inter de Milão. Já o Bayern entrou em campo 21 vezes e o Porto apenas 17 jogos.

É óbvio que são momentos distintos, enquanto as partidas dos europeus é na fase final da temporada, os times brasileiros estão na fase inicial. E ainda assim, o número de lesões musculares nos times brasileiros foi superior ao dos times europeus no mesmo período.

Quando a disputa é do Mundial de Clubes, realizado em dezembro, os europeus estão no meio da temporada, enquanto os brasileiros estão realizando mais de 70 partidas, e não vemos as desculpas de cansaço por aqui. O Botafogo no ano passado, venceu a Libertadores, três dias depois entrava em campo contra o Palmeiras pelo título brasileiro e no dia seguinte viajou para encarar o Pachuca do México dois dias depois e foi derrotado. Mas a nossa imprensa vira-lata preferiu diminuir o futebol brasileiro o relegando como uma força periférica e enfraquecida diante de continentes como asiático, africano e da América do Norte.

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Mas diante dos desempenhos das equipes europeias na Copa do Mundo de Clubes, onde os brasileiros estão fazendo frente e colocando dificuldades nos times de lá, os especialistas brasileiros preferem alegar cansaço, forte calor e desinteresse por parte dos jogadores europeus.

Vamos lembrar que a Copa do Mundo de seleções no ano que vem será disputada no mesmo período de agora e no mesmo país, ou seja, forte calor e final de temporada europeia, será que em caso de fracasso europeu, nossos vira-latas irão alegar as mesmas desculpas atuais?

A verdade é que o futebol brasileiro, especificamente de clubes, tem evoluído muito dentro de campo. Temos visto variações táticas, intensidade alta, aplicação tática dos jogadores, e em várias partidas do campeonato brasileiro o que se vê quando elogiam as partidas é: “parece um jogo da Premier League”.

Vejo nessa Copa do Mundo alguns times da elite mundial, e sim, eles são europeus. Bayer, Real Madrid, PSG, Manchester City, Juventus e Inter continuam sendo favoritos ao título, mas não irei me surpreender caso um time brasileiro vença a competição. A distância não é tão grande assim como querem fazer você pensar.

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