MARCELO NEVES
Racistas de m…
MARCELO NEVES
Mais uma vez o jogador Vinicius Júnior é alvo de racismo em um estádio de futebol na Espanha. Na derrota de seu clube para o Girona, torcedores deste time entoaram gritos de “mono” em alto e bom som. Mono é macaco em espanhol.
Não é a primeira vez e nem será a última. É algo enraizado naquele país, é algo costumeiro de pessoas baixas, de má índole e de caráter extremamente duvidoso. Práticas que em toda rodada acontece com um ou outro jogador, mas o mais perseguido é sempre Vinicius Júnior.
La Liga, organização que comanda o futebol espanhol nada faz, emitir notas e nada é a mesma coisa. Seu clube, o Real Madrid, também não toma nenhum tipo de postura mais contundente, talvez por ser conivente e não querer ficar de mal com La Liga. Seu técnico, o italiano Carlo Ancelotti, cotado para assumir a seleção brasileira, é outro que não faz nenhum tipo de defesa ao seu principal jogador.
O que esperar de um país que venera um ditador como Francisco Franco, que perseguiu, matou, torturou e só deixou o poder após sua morte. Inclusive o Real Madrid tinha ligações estreitas com o general Franco, talvez daí venha a sua passividade com o racismo sofrido por Vinicius Júnior. Tanto que antes de uma partida contra o Atlético de Madrid, torcedores penduraram a figura de um manequim negro, com a camisa do Real sendo enforcado em uma ponde da cidade.
Vão esperar um racista mais radical (se é que existe diferença entre eles) cometer um ato mais grave como agressão ou até mesmo uma tentativa de homicídio contra o Vinicius para que tomem alguma atitude mais enérgica contra estes atos? Vejam que existem outros negros na equipe, mas o ódio e perseguição é apenas contra o Vini Jr.
A Espanha não merece mais ter Vinicius Júnior em seus campos, ele merece ir para outro lugar onde possa jogar futebol sem ser perseguido por racistas, fascistas, nazistas e outros seres deploráveis que me recuso a chamar de ser humano.
O garoto que saiu de São Gonçalo para jogar no clube de maior torcida do Brasil, sempre sofreu com atos de racismo aqui mesmo no Brasil. O ódio ao clube que o revelou ao mundo foi transferido para ele, ao ponto de um programa conceituado na TV brasileira o chamava de “Neguebinha”, comentários como “não vale tudo isso”, “não vai jogar no Real”, “enganaram o Real Madrid”, “peladeiro”. Não se enganem que por trás de cada comentário tacanho deste, está enraizado um racismo estrutural.
Este garoto é gigante, tem um caráter e uma mentalidade invejável, é vencedor e melhora a cada dia como jogador e como homem, se mostra cada vez mais forte diante de cada imbecil que o ofende.
Que os racistas de merda morram cada vez que este garoto faça uma jogada espetacular, que dê uma assistência, que faça um gol e que levante outro troféu. Que os racistas de merda morram em sua insignificância e pequenez diante do sucesso do gigante Vinicius Júnior.
MARCELO NEVES
Uma Copa do Mundo de contradições
A Copa do Mundo de Clubes entra na última rodada da fase de grupos, e assim como na Copa do Mundo de seleções, surpresas e favoritos mostram sua cara em vários jogos, assim como algumas zebras. E isso tem sido evidente até aqui. Exemplos como empate de um Al-Hilal contra o Real Madrid, vitória do Inter Miami diante do Porto e atuações de equipes periféricas que chamam a atenção.
Com as vitórias de Botafogo diante do PSG, a vitória do Flamengo diante do Chelsea e os empates de Fluminense e Palmeiras frente à Borussia Dortmund e Porto respectivamente, aqueles vira-latas da imprensa brasileira sempre puxam as famosas cartas do “europeu joga sem interesse”, “eles não ligam para o torneio”, “é uma pré-temporada de luxo”, e coisas assim.
Agora esse mesmo vira-latismo (termo muito utilizado por Nélson Rodrigues) começou a usar a desculpa do cansaço e do calor enfrentado pelos times europeus. Mas será mesmo que esses aspectos afetam apenas os times europeus? Em um balanço feito pelo site Sofascore em partidas realizadas nos últimos 12 meses, nenhum time europeu jogou mais de 60 jogos no período, vejam na imagem abaixo:

Ou seja, antes da Copa do Mundo iniciar, o Flamengo foi quem mais atuou no período com 77 jogos disputados, enquanto o time europeu com mais jogos disputados foi o Real Madrid com 62 jogos. Mas aí você pode dizer que os times brasileiros tiveram férias no período enquanto os europeus continuaram atuando.
Então vamos fazer um balanço de fevereiro até o início da Copa do Mundo (entre 1º/02 até 31/05), lembrando que em janeiro as equipes brasileiras já estavam jogando os estaduais em pleno verão. Neste período entre fevereiro e maio quem mais jogou foram Fluminense e Palmeiras, 30 jogos cada um. A equipe europeia que mais atuou no período foi o PSG com 28 jogos.
Ainda em comparação, o Flamengo também fez 28 jogos enquanto o Chelsea entrou em campo 23 vezes. O Botafogo entrou em campo 26 vezes, o Real Madrid jogou 27 jogos, assim como a Inter de Milão. Já o Bayern entrou em campo 21 vezes e o Porto apenas 17 jogos.
É óbvio que são momentos distintos, enquanto as partidas dos europeus é na fase final da temporada, os times brasileiros estão na fase inicial. E ainda assim, o número de lesões musculares nos times brasileiros foi superior ao dos times europeus no mesmo período.
Quando a disputa é do Mundial de Clubes, realizado em dezembro, os europeus estão no meio da temporada, enquanto os brasileiros estão realizando mais de 70 partidas, e não vemos as desculpas de cansaço por aqui. O Botafogo no ano passado, venceu a Libertadores, três dias depois entrava em campo contra o Palmeiras pelo título brasileiro e no dia seguinte viajou para encarar o Pachuca do México dois dias depois e foi derrotado. Mas a nossa imprensa vira-lata preferiu diminuir o futebol brasileiro o relegando como uma força periférica e enfraquecida diante de continentes como asiático, africano e da América do Norte.
Mas diante dos desempenhos das equipes europeias na Copa do Mundo de Clubes, onde os brasileiros estão fazendo frente e colocando dificuldades nos times de lá, os especialistas brasileiros preferem alegar cansaço, forte calor e desinteresse por parte dos jogadores europeus.
Vamos lembrar que a Copa do Mundo de seleções no ano que vem será disputada no mesmo período de agora e no mesmo país, ou seja, forte calor e final de temporada europeia, será que em caso de fracasso europeu, nossos vira-latas irão alegar as mesmas desculpas atuais?
A verdade é que o futebol brasileiro, especificamente de clubes, tem evoluído muito dentro de campo. Temos visto variações táticas, intensidade alta, aplicação tática dos jogadores, e em várias partidas do campeonato brasileiro o que se vê quando elogiam as partidas é: “parece um jogo da Premier League”.
Vejo nessa Copa do Mundo alguns times da elite mundial, e sim, eles são europeus. Bayer, Real Madrid, PSG, Manchester City, Juventus e Inter continuam sendo favoritos ao título, mas não irei me surpreender caso um time brasileiro vença a competição. A distância não é tão grande assim como querem fazer você pensar.
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