MARCELO NEVES
O mediano trabalho de Tite
MARCELO NEVES
Tite é o melhor técnico brasileiro da atualidade e isso ninguém discute. E isso mostra o quanto nosso nível está longe de ser o melhor do mundo. O texto não é para execrar ou “malhar” o técnico Tite, mas sim uma avaliação do trabalho que ele faz desde que assumiu a seleção brasileira e teve duas Copas do Mundo pela frente.
Os números conseguidos pelo Tite e seu vocabulário rebuscado de coach motivacional funcionaram para os apaixonados pelo treinador, mas foi criticado por quem não foi picado pelo seu encanto. Teve a melhor campanha da história em Eliminatórias, mas também foi o único a perder uma Copa América sendo a sede da competição.
Os erros cometidos durante a trajetória para a Copa do Catar contou com 88 jogadores convocados, sendo que 63 entraram em campo. Muitos foram deixados pelo caminho por ter cometido um erro em algum jogo importante e pela sua preferência em determinados jogadores. Alguns ganharam a chance de ir para a Copa sem ter sido testado e outros que não receberam oportunidades nem mesmo de ser observados.
Falando em posições, o treinador fechou as laterais em no máximo cinco nomes e não abriu oportunidade para outros nomes que surgiram na caminhada e acabou levando um lateral semi aposentado. O perfil dos laterais era defensivos, sem poder ter alguém de característica diferente para, quem sabe, mudar uma partida.
Por exemplo, Danilo foi convocado em 15 oportunidades, Daniel Alves nove e Emerson Royal seis, depois deles o lateral Fagner foi convocado três vezes, e foram estes nomes chamados neste ciclo. Pelo lado esquerdo, Alex Sandro foi o mais convocado com 16 vezes, Rena Lodi oito e Alex Telles outas sete.
Bremer e Martinelli foram convocados apenas uma vez antes da Copa, não tiveram sequer 90 minutos em campo, mas foram disputar a Copa do Catar. Nove atacantes foram convocados e cinco atacantes de lado, todos com as mesmas características. Talvez por isso, se explique as substituições seis por meia dúzia feitas por Tite na Copa do Mundo.
Durante toda a caminhada, é possível contar nos dedos o número de partidas que a seleção tenha encantado o torcedor. Uma seleção pragmática, que tinha como elogio o forte posicionamento defensivo, que fazia a seleção em 81 jogos, sofrer apenas 30 gols.
Por que jogadores como Gustavo Scarpa, Veiga, Dudu, Bruno Henrique, Gabigol e outros que surgiram neste ciclo não tiveram chances? São jogadores que estão decidindo e ganhando títulos desde 2018, que estão acostumados com pressão de decidir campeonatos. Me desculpem, mas o Dudu tem muito mais partidas decisivas do que Raphinha e Martinelli, jogadores de clubes que não disputam títulos há muito tempo. Raphinha estava na Série B inglesa e Martinelli agora está sentindo o gosto de liderar um campeonato.
E neste ponto entra justamente o fator psicológico dos jogadores. A comissão técnica de Tite não contava com este profissional, e vimos como foi na partida contra a Croácia. Um técnico que abandonou seu time justamente na hora em que precisavam de um líder, o Tite também sucumbiu á pressão.
O que adianta ter mais de 80% de aproveitamento jogando contra adversários de qualidade duvidosa? O que adianta ter o melhor aproveitamento da história das Eliminatórias? O Brasil teve uma Copa de 2018 razoável e a de 2022 ainda pior.
Foram apenas três derrotas em jogos oficiais, Bélgica na Copa de 2018, a final da Copa América para a Argentina e Camarões na Copa do Catar. Venceu a Copa América de 2019 é verdade, e sem sua principal estrela. O trabalho em si não foi ruim, mas também não foi bom como tentam pintar, foi mediano.
Mediano ao tal ponto de não deixar sequer um legado, não há o que se aproveitar. Um trabalho engessado por suas convicções, um trabalho longe daqueles que estão na semifinal da Copa, longe até mesmo de algumas seleções que foram eliminadas e apresentaram um futebol melhor que o da seleção brasileira.
Tite em nenhum momento é um técnico ruim, longe disso, repetindo é o melhor técnico brasileiro da atualidade, mas o trabalho realizado na seleção brasileira não foi a maravilha que muitos achavam.
MARCELO NEVES
Uma Copa do Mundo de contradições
A Copa do Mundo de Clubes entra na última rodada da fase de grupos, e assim como na Copa do Mundo de seleções, surpresas e favoritos mostram sua cara em vários jogos, assim como algumas zebras. E isso tem sido evidente até aqui. Exemplos como empate de um Al-Hilal contra o Real Madrid, vitória do Inter Miami diante do Porto e atuações de equipes periféricas que chamam a atenção.
Com as vitórias de Botafogo diante do PSG, a vitória do Flamengo diante do Chelsea e os empates de Fluminense e Palmeiras frente à Borussia Dortmund e Porto respectivamente, aqueles vira-latas da imprensa brasileira sempre puxam as famosas cartas do “europeu joga sem interesse”, “eles não ligam para o torneio”, “é uma pré-temporada de luxo”, e coisas assim.
Agora esse mesmo vira-latismo (termo muito utilizado por Nélson Rodrigues) começou a usar a desculpa do cansaço e do calor enfrentado pelos times europeus. Mas será mesmo que esses aspectos afetam apenas os times europeus? Em um balanço feito pelo site Sofascore em partidas realizadas nos últimos 12 meses, nenhum time europeu jogou mais de 60 jogos no período, vejam na imagem abaixo:

Ou seja, antes da Copa do Mundo iniciar, o Flamengo foi quem mais atuou no período com 77 jogos disputados, enquanto o time europeu com mais jogos disputados foi o Real Madrid com 62 jogos. Mas aí você pode dizer que os times brasileiros tiveram férias no período enquanto os europeus continuaram atuando.
Então vamos fazer um balanço de fevereiro até o início da Copa do Mundo (entre 1º/02 até 31/05), lembrando que em janeiro as equipes brasileiras já estavam jogando os estaduais em pleno verão. Neste período entre fevereiro e maio quem mais jogou foram Fluminense e Palmeiras, 30 jogos cada um. A equipe europeia que mais atuou no período foi o PSG com 28 jogos.
Ainda em comparação, o Flamengo também fez 28 jogos enquanto o Chelsea entrou em campo 23 vezes. O Botafogo entrou em campo 26 vezes, o Real Madrid jogou 27 jogos, assim como a Inter de Milão. Já o Bayern entrou em campo 21 vezes e o Porto apenas 17 jogos.
É óbvio que são momentos distintos, enquanto as partidas dos europeus é na fase final da temporada, os times brasileiros estão na fase inicial. E ainda assim, o número de lesões musculares nos times brasileiros foi superior ao dos times europeus no mesmo período.
Quando a disputa é do Mundial de Clubes, realizado em dezembro, os europeus estão no meio da temporada, enquanto os brasileiros estão realizando mais de 70 partidas, e não vemos as desculpas de cansaço por aqui. O Botafogo no ano passado, venceu a Libertadores, três dias depois entrava em campo contra o Palmeiras pelo título brasileiro e no dia seguinte viajou para encarar o Pachuca do México dois dias depois e foi derrotado. Mas a nossa imprensa vira-lata preferiu diminuir o futebol brasileiro o relegando como uma força periférica e enfraquecida diante de continentes como asiático, africano e da América do Norte.
Mas diante dos desempenhos das equipes europeias na Copa do Mundo de Clubes, onde os brasileiros estão fazendo frente e colocando dificuldades nos times de lá, os especialistas brasileiros preferem alegar cansaço, forte calor e desinteresse por parte dos jogadores europeus.
Vamos lembrar que a Copa do Mundo de seleções no ano que vem será disputada no mesmo período de agora e no mesmo país, ou seja, forte calor e final de temporada europeia, será que em caso de fracasso europeu, nossos vira-latas irão alegar as mesmas desculpas atuais?
A verdade é que o futebol brasileiro, especificamente de clubes, tem evoluído muito dentro de campo. Temos visto variações táticas, intensidade alta, aplicação tática dos jogadores, e em várias partidas do campeonato brasileiro o que se vê quando elogiam as partidas é: “parece um jogo da Premier League”.
Vejo nessa Copa do Mundo alguns times da elite mundial, e sim, eles são europeus. Bayer, Real Madrid, PSG, Manchester City, Juventus e Inter continuam sendo favoritos ao título, mas não irei me surpreender caso um time brasileiro vença a competição. A distância não é tão grande assim como querem fazer você pensar.
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