MARCELO NEVES
Teste? Que teste?
MARCELO NEVES
No último final de semana a seleção brasileira enfrentou o Marrocos em um amistoso que serviria de teste, mas teste para quem? O técnico Ramon Menezes é interino e dirige a seleção sub-20, ou seja, nem dá para levar em consideração o que foi feito ou até mesmo jogado, afinal de contas, ele não será o Scaloni brasileiro.
Porém, algumas práticas seguem sendo feitas na CBF. O volante Andrey do Chelsea e emprestado ao Vasco, clube que o revelou, não pode atuar pelos Blues por não atingir a pontuação mínima exigida pela Premier League, algo como a super licença da Fórmula 1. Andrey só havia disputado a Série B pelo Vasco e isso não é levado em consideração para a pontuação. Mas foi convocado pelo próprio Ramon para a disputa do Sul-americano da categoria, o que começa a pontuar seu currículo. E pela excelente atuação no torneio foi convocado para a seleção principal, mas daí a ser titular é no mínimo estranho, para não dizer outra coisa.
Sua titularidade e o tempo em que ficou em campo fazia parte da programação de atendimento aos interesses do Chelsea em conseguir a pontuação mínima para inscrevê-lo na competição inglesa. A seleção não pode ser usada para atender os clubes e empresários.
A próxima Copa do Mundo se inicia em exatos três anos e três meses, um ciclo menor que os demais. A CBF ainda não definiu um treinador, um coordenador técnico, um diretor de seleções e muito menos um norte para o que virá. Com o aumento de participantes para a próxima edição, as chances de uma não classificação do Brasil é quase nula.
O ciclo ainda não começou, o último amistoso pode ser encarado ainda como fases da Era Tite, que anunciou sua saída tem quase um ano, e mesmo assim a CBF não se mexeu para ter um outro comandante, até mesmo fazendo uma transição no comando.
Será que vindo um estrangeiro, ele irá aceitar as indicações da CBF nas suas convocações? Vai atender pedidos de dirigentes e empresários para valorizar jogador? Se a resposta for não, que venha logo este estrangeiro, se a resposta for sim, que deixe um brasileiro qualquer no comando.
Serão 24 anos sem conquista de uma Copa do Mundo, igualando ao maior período de jejum entre 1970 e 1994. E o que se vê é que passados nove anos do 7×1, nada mudou no futebol brasileiro comandado pela CBF.
MARCELO NEVES
Uma Copa do Mundo de contradições
A Copa do Mundo de Clubes entra na última rodada da fase de grupos, e assim como na Copa do Mundo de seleções, surpresas e favoritos mostram sua cara em vários jogos, assim como algumas zebras. E isso tem sido evidente até aqui. Exemplos como empate de um Al-Hilal contra o Real Madrid, vitória do Inter Miami diante do Porto e atuações de equipes periféricas que chamam a atenção.
Com as vitórias de Botafogo diante do PSG, a vitória do Flamengo diante do Chelsea e os empates de Fluminense e Palmeiras frente à Borussia Dortmund e Porto respectivamente, aqueles vira-latas da imprensa brasileira sempre puxam as famosas cartas do “europeu joga sem interesse”, “eles não ligam para o torneio”, “é uma pré-temporada de luxo”, e coisas assim.
Agora esse mesmo vira-latismo (termo muito utilizado por Nélson Rodrigues) começou a usar a desculpa do cansaço e do calor enfrentado pelos times europeus. Mas será mesmo que esses aspectos afetam apenas os times europeus? Em um balanço feito pelo site Sofascore em partidas realizadas nos últimos 12 meses, nenhum time europeu jogou mais de 60 jogos no período, vejam na imagem abaixo:

Ou seja, antes da Copa do Mundo iniciar, o Flamengo foi quem mais atuou no período com 77 jogos disputados, enquanto o time europeu com mais jogos disputados foi o Real Madrid com 62 jogos. Mas aí você pode dizer que os times brasileiros tiveram férias no período enquanto os europeus continuaram atuando.
Então vamos fazer um balanço de fevereiro até o início da Copa do Mundo (entre 1º/02 até 31/05), lembrando que em janeiro as equipes brasileiras já estavam jogando os estaduais em pleno verão. Neste período entre fevereiro e maio quem mais jogou foram Fluminense e Palmeiras, 30 jogos cada um. A equipe europeia que mais atuou no período foi o PSG com 28 jogos.
Ainda em comparação, o Flamengo também fez 28 jogos enquanto o Chelsea entrou em campo 23 vezes. O Botafogo entrou em campo 26 vezes, o Real Madrid jogou 27 jogos, assim como a Inter de Milão. Já o Bayern entrou em campo 21 vezes e o Porto apenas 17 jogos.
É óbvio que são momentos distintos, enquanto as partidas dos europeus é na fase final da temporada, os times brasileiros estão na fase inicial. E ainda assim, o número de lesões musculares nos times brasileiros foi superior ao dos times europeus no mesmo período.
Quando a disputa é do Mundial de Clubes, realizado em dezembro, os europeus estão no meio da temporada, enquanto os brasileiros estão realizando mais de 70 partidas, e não vemos as desculpas de cansaço por aqui. O Botafogo no ano passado, venceu a Libertadores, três dias depois entrava em campo contra o Palmeiras pelo título brasileiro e no dia seguinte viajou para encarar o Pachuca do México dois dias depois e foi derrotado. Mas a nossa imprensa vira-lata preferiu diminuir o futebol brasileiro o relegando como uma força periférica e enfraquecida diante de continentes como asiático, africano e da América do Norte.
Mas diante dos desempenhos das equipes europeias na Copa do Mundo de Clubes, onde os brasileiros estão fazendo frente e colocando dificuldades nos times de lá, os especialistas brasileiros preferem alegar cansaço, forte calor e desinteresse por parte dos jogadores europeus.
Vamos lembrar que a Copa do Mundo de seleções no ano que vem será disputada no mesmo período de agora e no mesmo país, ou seja, forte calor e final de temporada europeia, será que em caso de fracasso europeu, nossos vira-latas irão alegar as mesmas desculpas atuais?
A verdade é que o futebol brasileiro, especificamente de clubes, tem evoluído muito dentro de campo. Temos visto variações táticas, intensidade alta, aplicação tática dos jogadores, e em várias partidas do campeonato brasileiro o que se vê quando elogiam as partidas é: “parece um jogo da Premier League”.
Vejo nessa Copa do Mundo alguns times da elite mundial, e sim, eles são europeus. Bayer, Real Madrid, PSG, Manchester City, Juventus e Inter continuam sendo favoritos ao título, mas não irei me surpreender caso um time brasileiro vença a competição. A distância não é tão grande assim como querem fazer você pensar.
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