MARCELO NEVES
O Rei se foi! Descanse em paz Pelé!
MARCELO NEVES
Não, eu não vi o Pelé jogar, mas também não vi Michelangelo pintar, não vi Mozart compor e também não vi outros gênios em suas áreas para comprovar o tão grande eles foram. Pelé não era apenas um jogador de futebol, ele era uma entidade que levou o nome do Brasil mundo a fora, por onde quer que você andasse pelo mundo e dissesse ser do Brasil, a resposta vinda seria Pelé.
A grandeza de Pelé era tamanha, que outros grandes esportistas eram chamados de o Pelé do Vôlei, o Pelé do Basquete, o Pelé do Boxe e de todos os outros esportes. Pelé era referência e todos que surgiram após o seu reinado nos campos eram comparados à ele.
Pelé se apresentou ao mundo aos 17 anos em uma Copa do Mundo, Copa da qual ele havia prometido ao seu pai que daria ao Brasil um dia, pois ele deu três. Sua genialidade, seu brilho, seu físico avançado pra época em que jogava, seus dribles, seus gols, seus lances e até mesmo os gols que não fez entraram para a história. Aqueles que hoje fazem um gol do meio de campo, fazem um gol que Pelé não fez. Aqueles que fazem um lance genial, Pelé já o fez muitos anos antes.
Se hoje temos uma seleção respeitada no mundo todo, independente se é de boa qualidade ou não, é por conta do que fez Pelé lá atrás. Pelé não é do Santos Futebol Clube, Pelé não é do Brasil, Pelé é de todos os amantes do futebol dos mais longínquos cafundós do mundo. 
O Rei hoje deixa seu posto no mundo, e ninguém irá assumir seu trono. Porém veremos seus súditos tentarem alcançar seus feitos, podem fazer mais de 1200 gols, podem ganhar até mais de três Copas do Mundo, mas nenhum será maior que o Pelé.
Ele imortalizou o soco no ar, imortalizou a Camisa Canarinho, imortalizou o Santos Futebol Clube, imortalizou a camisa 10 e imortalizou o futebol. Obrigado Pelé!
Pelé não morreu, apenas voltou para o seu planeta. Vida longa ao Rei!
MARCELO NEVES
Uma Copa do Mundo de contradições
A Copa do Mundo de Clubes entra na última rodada da fase de grupos, e assim como na Copa do Mundo de seleções, surpresas e favoritos mostram sua cara em vários jogos, assim como algumas zebras. E isso tem sido evidente até aqui. Exemplos como empate de um Al-Hilal contra o Real Madrid, vitória do Inter Miami diante do Porto e atuações de equipes periféricas que chamam a atenção.
Com as vitórias de Botafogo diante do PSG, a vitória do Flamengo diante do Chelsea e os empates de Fluminense e Palmeiras frente à Borussia Dortmund e Porto respectivamente, aqueles vira-latas da imprensa brasileira sempre puxam as famosas cartas do “europeu joga sem interesse”, “eles não ligam para o torneio”, “é uma pré-temporada de luxo”, e coisas assim.
Agora esse mesmo vira-latismo (termo muito utilizado por Nélson Rodrigues) começou a usar a desculpa do cansaço e do calor enfrentado pelos times europeus. Mas será mesmo que esses aspectos afetam apenas os times europeus? Em um balanço feito pelo site Sofascore em partidas realizadas nos últimos 12 meses, nenhum time europeu jogou mais de 60 jogos no período, vejam na imagem abaixo:

Ou seja, antes da Copa do Mundo iniciar, o Flamengo foi quem mais atuou no período com 77 jogos disputados, enquanto o time europeu com mais jogos disputados foi o Real Madrid com 62 jogos. Mas aí você pode dizer que os times brasileiros tiveram férias no período enquanto os europeus continuaram atuando.
Então vamos fazer um balanço de fevereiro até o início da Copa do Mundo (entre 1º/02 até 31/05), lembrando que em janeiro as equipes brasileiras já estavam jogando os estaduais em pleno verão. Neste período entre fevereiro e maio quem mais jogou foram Fluminense e Palmeiras, 30 jogos cada um. A equipe europeia que mais atuou no período foi o PSG com 28 jogos.
Ainda em comparação, o Flamengo também fez 28 jogos enquanto o Chelsea entrou em campo 23 vezes. O Botafogo entrou em campo 26 vezes, o Real Madrid jogou 27 jogos, assim como a Inter de Milão. Já o Bayern entrou em campo 21 vezes e o Porto apenas 17 jogos.
É óbvio que são momentos distintos, enquanto as partidas dos europeus é na fase final da temporada, os times brasileiros estão na fase inicial. E ainda assim, o número de lesões musculares nos times brasileiros foi superior ao dos times europeus no mesmo período.
Quando a disputa é do Mundial de Clubes, realizado em dezembro, os europeus estão no meio da temporada, enquanto os brasileiros estão realizando mais de 70 partidas, e não vemos as desculpas de cansaço por aqui. O Botafogo no ano passado, venceu a Libertadores, três dias depois entrava em campo contra o Palmeiras pelo título brasileiro e no dia seguinte viajou para encarar o Pachuca do México dois dias depois e foi derrotado. Mas a nossa imprensa vira-lata preferiu diminuir o futebol brasileiro o relegando como uma força periférica e enfraquecida diante de continentes como asiático, africano e da América do Norte.
Mas diante dos desempenhos das equipes europeias na Copa do Mundo de Clubes, onde os brasileiros estão fazendo frente e colocando dificuldades nos times de lá, os especialistas brasileiros preferem alegar cansaço, forte calor e desinteresse por parte dos jogadores europeus.
Vamos lembrar que a Copa do Mundo de seleções no ano que vem será disputada no mesmo período de agora e no mesmo país, ou seja, forte calor e final de temporada europeia, será que em caso de fracasso europeu, nossos vira-latas irão alegar as mesmas desculpas atuais?
A verdade é que o futebol brasileiro, especificamente de clubes, tem evoluído muito dentro de campo. Temos visto variações táticas, intensidade alta, aplicação tática dos jogadores, e em várias partidas do campeonato brasileiro o que se vê quando elogiam as partidas é: “parece um jogo da Premier League”.
Vejo nessa Copa do Mundo alguns times da elite mundial, e sim, eles são europeus. Bayer, Real Madrid, PSG, Manchester City, Juventus e Inter continuam sendo favoritos ao título, mas não irei me surpreender caso um time brasileiro vença a competição. A distância não é tão grande assim como querem fazer você pensar.
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