MARCELO NEVES
A partida dos gênios
MARCELO NEVES
Nesta semana o mundo do futebol viu dois de seus gênios deixarem este mundo e voltar para o seu habitat natural, as estrelas. Mario Jorge Lobo Zagallo e Franz Anton Albert Beckenbauer não foram apenas jogadores e técnicos vitoriosos, ambos fazem parte da gênesis do futebol, suas ideias revolucionaram esquemas táticos e inventaram novas formas de jogar o futebol.
O alagoano Zagallo, que era soldado na final da Copa de 1950 no Maracanã, era um ponta-esquerda que inventou uma função: a de recompor o meio-campo para marcar e deixar o espaço livre para que o lateral-esquerdo pudesse avançar ao ataque (algo que era impensável na década de 50). E Zagallo teve dois laterais campeões do mundo em clube e seleção para fazer isso, Jordan no Flamengo e Nilton Santos no Botafogo. Em uma época que o futebol era extremamente posicional, Zagallo com sua movimentação forçou que seus treinadores dessem mais movimentação ao seus times e praticamente inventou o esquema 4-3-3.
Se no Flamengo tricampeão carioca de 53/54/55 Zagallo fez parte do ataque chamado de Rolo Compressor ao lado de Dida, Joel. Evaristo e Henrique, no Botafogo bicampeão em 62/63 ele tinha como companheiros Quarentinha, Amarildo e Garrincha.
Se como jogador, Zagallo ainda dentro de campo fez essa revolução, como técnico da Seleção de 70 ele revolucionou ainda mais e trouxe para o mundo o chamado futebol funcional. “Os Feras do Saldanha” que disputaram as eliminatórias e tinha como escalação: Félix; Carlos Alberto, Brito, Djalma Dias e Rildo; Piazza, Gérson e Dirceu Lopes; Jairzinho, Tostão e Pelé. Um 4-3-3 com Jairzinho e Tostão pelas pontas e Pelé de centroavante. Ao assumir a seleção, Zagallo sabia que precisava encaixar outros craques neste time, que até então, eram reservas com Saldanha, caso de Rivellino.
Zagallo tirou Piazza do meio-campo e o transformou em zagueiro ao lado de Brito, abrindo espaço para Clodoaldo e assim “arrumando” um espaço para a entrada de Rivellino. Djalma Dias, Rildo e Dirceu Lopes davam vaga para Clodoaldo, Everaldo e Rivellino. Uma seleção com cinco “camisas 10” que se movimentavam de forma compacta, que estavam sempre próximos para tabelas e que de forma vertical buscavam sempre o gol. Era mais uma revolução promovida por Zagallo.
Já Franz Beckenbauer foi um camisa 10 que atuava como zagueiro. Ainda com 21 anos durante a Copa de 1966, foi eleito o melhor zagueiro da competição fazendo parte da seleção da Copa. Atuava como um líbero que iniciava as jogadas e avançava ao campo adversário, algo impensado para a época.
Atuou com o braço em uma tipoia na semifinal da Copa de 70 contra a Itália ao fraturar a clavícula em uma disputa e ainda assim terminar o jogo que ficou conhecido como o “Jogo do Século”. Na final de 74 anulou nada mais nada menos que Johan Cruijff, outro gênio do futebol.
Assim como Zagallo, Beckenbauer foi técnico de sua seleção a levando para duas finais de Copas do Mundo, 1986 e 1990. Mostrando ao mundo como um time pode ser sólido defensivamente sem necessariamente ser defensivo. Improvisando jogadores de meio de campo como líberos (sua função como jogador) para dar mais qualidade na saída de bola e sendo um elemento surpresa no ataque. Algo que hoje é extremamente repetido e copiado por 95% dos times pelo mundo.
Se hoje temos as ideias de sair jogando da defesa e tendo sempre a posse de bola, com jogadores de ataque recompondo o meio-campo, com laterais ofensivos e zagueiros construtores, agradeçam as ideias de Zagallo e Beckenbauer, jogadores que estavam à frente de seu tempo e que depois como treinadores implantaram ainda mais essas mudanças.
Os dois juntos são donos de seis Copas do Mundos, quatro de Zagallo e duas de Beckenbauer. Foram os primeiros a ganhar a Copa como jogador e como treinador. Juntos disputaram nove finais de Copa do Mundo, cinco do Zagallo e quatro de Beckenbauer. Ambos fazem parte do Olimpo do futebol, ambos são criadores do futebol moderno e agora se reencontram no mundo das estrelas, na terra onde apenas os gênios podem pisar, e que ao lado de tantos craques e donos de genialidade que mostraram ao mundo aquilo que apenas os Deuses do Futebol podem contemplar no Reino dos Céus.
Seus legados continuam e continuarão em todos os cantos do mundo e em todos os times que entram em campo a cada rodada.
Que Zagallo e Beckenbauer continuem eternos!
MARCELO NEVES
Uma Copa do Mundo de contradições
A Copa do Mundo de Clubes entra na última rodada da fase de grupos, e assim como na Copa do Mundo de seleções, surpresas e favoritos mostram sua cara em vários jogos, assim como algumas zebras. E isso tem sido evidente até aqui. Exemplos como empate de um Al-Hilal contra o Real Madrid, vitória do Inter Miami diante do Porto e atuações de equipes periféricas que chamam a atenção.
Com as vitórias de Botafogo diante do PSG, a vitória do Flamengo diante do Chelsea e os empates de Fluminense e Palmeiras frente à Borussia Dortmund e Porto respectivamente, aqueles vira-latas da imprensa brasileira sempre puxam as famosas cartas do “europeu joga sem interesse”, “eles não ligam para o torneio”, “é uma pré-temporada de luxo”, e coisas assim.
Agora esse mesmo vira-latismo (termo muito utilizado por Nélson Rodrigues) começou a usar a desculpa do cansaço e do calor enfrentado pelos times europeus. Mas será mesmo que esses aspectos afetam apenas os times europeus? Em um balanço feito pelo site Sofascore em partidas realizadas nos últimos 12 meses, nenhum time europeu jogou mais de 60 jogos no período, vejam na imagem abaixo:

Ou seja, antes da Copa do Mundo iniciar, o Flamengo foi quem mais atuou no período com 77 jogos disputados, enquanto o time europeu com mais jogos disputados foi o Real Madrid com 62 jogos. Mas aí você pode dizer que os times brasileiros tiveram férias no período enquanto os europeus continuaram atuando.
Então vamos fazer um balanço de fevereiro até o início da Copa do Mundo (entre 1º/02 até 31/05), lembrando que em janeiro as equipes brasileiras já estavam jogando os estaduais em pleno verão. Neste período entre fevereiro e maio quem mais jogou foram Fluminense e Palmeiras, 30 jogos cada um. A equipe europeia que mais atuou no período foi o PSG com 28 jogos.
Ainda em comparação, o Flamengo também fez 28 jogos enquanto o Chelsea entrou em campo 23 vezes. O Botafogo entrou em campo 26 vezes, o Real Madrid jogou 27 jogos, assim como a Inter de Milão. Já o Bayern entrou em campo 21 vezes e o Porto apenas 17 jogos.
É óbvio que são momentos distintos, enquanto as partidas dos europeus é na fase final da temporada, os times brasileiros estão na fase inicial. E ainda assim, o número de lesões musculares nos times brasileiros foi superior ao dos times europeus no mesmo período.
Quando a disputa é do Mundial de Clubes, realizado em dezembro, os europeus estão no meio da temporada, enquanto os brasileiros estão realizando mais de 70 partidas, e não vemos as desculpas de cansaço por aqui. O Botafogo no ano passado, venceu a Libertadores, três dias depois entrava em campo contra o Palmeiras pelo título brasileiro e no dia seguinte viajou para encarar o Pachuca do México dois dias depois e foi derrotado. Mas a nossa imprensa vira-lata preferiu diminuir o futebol brasileiro o relegando como uma força periférica e enfraquecida diante de continentes como asiático, africano e da América do Norte.
Mas diante dos desempenhos das equipes europeias na Copa do Mundo de Clubes, onde os brasileiros estão fazendo frente e colocando dificuldades nos times de lá, os especialistas brasileiros preferem alegar cansaço, forte calor e desinteresse por parte dos jogadores europeus.
Vamos lembrar que a Copa do Mundo de seleções no ano que vem será disputada no mesmo período de agora e no mesmo país, ou seja, forte calor e final de temporada europeia, será que em caso de fracasso europeu, nossos vira-latas irão alegar as mesmas desculpas atuais?
A verdade é que o futebol brasileiro, especificamente de clubes, tem evoluído muito dentro de campo. Temos visto variações táticas, intensidade alta, aplicação tática dos jogadores, e em várias partidas do campeonato brasileiro o que se vê quando elogiam as partidas é: “parece um jogo da Premier League”.
Vejo nessa Copa do Mundo alguns times da elite mundial, e sim, eles são europeus. Bayer, Real Madrid, PSG, Manchester City, Juventus e Inter continuam sendo favoritos ao título, mas não irei me surpreender caso um time brasileiro vença a competição. A distância não é tão grande assim como querem fazer você pensar.
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