MARCELO NEVES
A espera de um milagre
MARCELO NEVES
A CBF definiu que o italiano Carlo Ancelotti será o técnico da seleção brasileira, mas para isso acontecer de fato a entidade irá esperar o contrato com o Real Madrid se encerrar, o que irá ocorrer em junho de 2024. Até lá muita coisa ainda irá acontecer.
Por enquanto o que se tem, ou é relato que tem, é um acordo verbal. Não há pré-contrato, não há acerto de bases salariais, não há sequer um sinal de aceite ou mesmo um comunicado por parte da CBF ou mesmo do staff de Ancelotti.
Mas a questão principal é, por que esperar tanto por um treinador? Por que a seleção que é a maior vencedora de Copas do Mundo necessita tanto esperar pela vinda de um estrangeiro? Vale a pena esperar por um treinador, por mais que seja vitorioso em sua carreira?
Qual o recado a CBF passa para o restante do mundo futebolístico ao fazer este movimento? Alguns podem dizer que mostra força ao ter um dos melhores treinadores da atualidade e um dos mais vitoriosos da história. Mas outros podem dizer que a seleção se apequena ao ter que esperar tanto por um treinador que ela o coloca como maior que a seleção brasileira.
Outra questão levantada é o fato da CBF promover e exigir que os treinadores brasileiros tenham um certificado, a chamada licença emitida pela entidade, através de um curso promovido pela CBF Academy e não pensar em um treinador brasileiro neste momento.
Há no Brasil uma invasão de treinadores estrangeiros desde 2019 e que de certa forma estão sim contribuindo para a mudança de mentalidade e melhora do nível dos jogos aqui no país. Desde o furacão Jorge Jesus no Flamengo, a torcida passou a exigir que seus times passassem a jogar mais bonito. Fernando Diniz e Dorival Júnior são exemplos brasileiros que fazem um futebol mais vistoso e bonito de se ver. Técnicos como Juan Pablo Vojvoda, Abel Ferreira, Jorge Sampaoli deixam sim um legado, cada um com sua característica, para o nosso futebol.
O intercâmbio com a chegada de técnicos estrangeiros é muito bom para o nosso futebol, e aí é que vai entrar o afastamento da nossa arrogância e prepotência. Temos que parar com essa história de que somos penta e não precisamos de ninguém lá de fora. Precisamos e necessitamos reaprender o futebol.
Desde 2002, ano da nossa última conquista de Copa do Mundo, o único “vexame” que a seleção teve foi o 7×1 para a Alemanha, e mesmo assim, um vexame já previsto. As demais eliminações nas Copas foram resultados normais, em 2006 eliminados para a França, em 2010 para a Holanda, 2018 para a Bélgica e na última para a Croácia. E sim, foram resultados normais pelo que se tornou o futebol brasileiro.
Enquanto outros países evoluíram no seu jogo, abriram mercado para treinadores estrangeiros e buscaram reformular seus campeonatos, o Brasil ficou parado no tempo, e isso explica muito os insucessos nos torneios. Vamos lembrar que neste último ciclo, o Brasil não venceu a Copa América dentro de casa e a seleção sub-20 foi eliminada do mundial por Israel.
A vinda de Carlo Ancelotti pode ser a revolução para o futebol brasileiro, a chegada deste profissional poderá contribuir para uma melhora significativa para o nosso jogo e quem sabe, até para a mudança de nossos dirigentes. Trazer um técnico que ganhou todos os títulos possíveis no futebol será sim uma mudança de patamar para o futebol brasileiro.
É garantia de título na Copa do Mundo? Óbvio que não, mas o ganho que o futebol brasileiro terá, disso não tenho dúvidas que irá acontecer. A espera pode até parecer longa, mas são apenas oito jogos, para quem espera pelo principal título por 20 anos, 18 meses não é nada.
MARCELO NEVES
Uma Copa do Mundo de contradições
A Copa do Mundo de Clubes entra na última rodada da fase de grupos, e assim como na Copa do Mundo de seleções, surpresas e favoritos mostram sua cara em vários jogos, assim como algumas zebras. E isso tem sido evidente até aqui. Exemplos como empate de um Al-Hilal contra o Real Madrid, vitória do Inter Miami diante do Porto e atuações de equipes periféricas que chamam a atenção.
Com as vitórias de Botafogo diante do PSG, a vitória do Flamengo diante do Chelsea e os empates de Fluminense e Palmeiras frente à Borussia Dortmund e Porto respectivamente, aqueles vira-latas da imprensa brasileira sempre puxam as famosas cartas do “europeu joga sem interesse”, “eles não ligam para o torneio”, “é uma pré-temporada de luxo”, e coisas assim.
Agora esse mesmo vira-latismo (termo muito utilizado por Nélson Rodrigues) começou a usar a desculpa do cansaço e do calor enfrentado pelos times europeus. Mas será mesmo que esses aspectos afetam apenas os times europeus? Em um balanço feito pelo site Sofascore em partidas realizadas nos últimos 12 meses, nenhum time europeu jogou mais de 60 jogos no período, vejam na imagem abaixo:

Ou seja, antes da Copa do Mundo iniciar, o Flamengo foi quem mais atuou no período com 77 jogos disputados, enquanto o time europeu com mais jogos disputados foi o Real Madrid com 62 jogos. Mas aí você pode dizer que os times brasileiros tiveram férias no período enquanto os europeus continuaram atuando.
Então vamos fazer um balanço de fevereiro até o início da Copa do Mundo (entre 1º/02 até 31/05), lembrando que em janeiro as equipes brasileiras já estavam jogando os estaduais em pleno verão. Neste período entre fevereiro e maio quem mais jogou foram Fluminense e Palmeiras, 30 jogos cada um. A equipe europeia que mais atuou no período foi o PSG com 28 jogos.
Ainda em comparação, o Flamengo também fez 28 jogos enquanto o Chelsea entrou em campo 23 vezes. O Botafogo entrou em campo 26 vezes, o Real Madrid jogou 27 jogos, assim como a Inter de Milão. Já o Bayern entrou em campo 21 vezes e o Porto apenas 17 jogos.
É óbvio que são momentos distintos, enquanto as partidas dos europeus é na fase final da temporada, os times brasileiros estão na fase inicial. E ainda assim, o número de lesões musculares nos times brasileiros foi superior ao dos times europeus no mesmo período.
Quando a disputa é do Mundial de Clubes, realizado em dezembro, os europeus estão no meio da temporada, enquanto os brasileiros estão realizando mais de 70 partidas, e não vemos as desculpas de cansaço por aqui. O Botafogo no ano passado, venceu a Libertadores, três dias depois entrava em campo contra o Palmeiras pelo título brasileiro e no dia seguinte viajou para encarar o Pachuca do México dois dias depois e foi derrotado. Mas a nossa imprensa vira-lata preferiu diminuir o futebol brasileiro o relegando como uma força periférica e enfraquecida diante de continentes como asiático, africano e da América do Norte.
Mas diante dos desempenhos das equipes europeias na Copa do Mundo de Clubes, onde os brasileiros estão fazendo frente e colocando dificuldades nos times de lá, os especialistas brasileiros preferem alegar cansaço, forte calor e desinteresse por parte dos jogadores europeus.
Vamos lembrar que a Copa do Mundo de seleções no ano que vem será disputada no mesmo período de agora e no mesmo país, ou seja, forte calor e final de temporada europeia, será que em caso de fracasso europeu, nossos vira-latas irão alegar as mesmas desculpas atuais?
A verdade é que o futebol brasileiro, especificamente de clubes, tem evoluído muito dentro de campo. Temos visto variações táticas, intensidade alta, aplicação tática dos jogadores, e em várias partidas do campeonato brasileiro o que se vê quando elogiam as partidas é: “parece um jogo da Premier League”.
Vejo nessa Copa do Mundo alguns times da elite mundial, e sim, eles são europeus. Bayer, Real Madrid, PSG, Manchester City, Juventus e Inter continuam sendo favoritos ao título, mas não irei me surpreender caso um time brasileiro vença a competição. A distância não é tão grande assim como querem fazer você pensar.
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