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MARCELO NEVES

A incompetência escancara os ataques ao Abel

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MARCELO NEVES

Abel observa o treino do Palmeiras. Crédito: César Greco.

Na última semana após o embate entre Palmeiras x Atlético(MG) pela Libertadores, ficou escancarada o ataque de técnicos brasileiros contra o português Abel Ferreira. Antes de mais nada, achei a resposta do Abel sobre o que o Cuca deveria ter feito desrespeitosa com um colega de profissão. Dito isso, o Abel sofre ataques desde quando chegou em terras brasileiras.

Abel Ferreira treinou o Braga e o PAOK antes de desembarcar no Palmeiras, nunca foi campeão antes de vir pra cá. Ao chegar sofreu críticas pelo estilo “retranqueiro” e apresentar um futebol “feio”, mas extremamente eficiente. Tanto que na primeira temporada venceu a Copa do Brasil e a Libertadores, batendo o Grêmio de Renato Portaluppi e o Santos de Cuca.

Assim como aconteceu com Jorge Jesus, Abel passou a ser “mal visto” pelos colegas brasileiros, mas aqueles colegas que eram apontados como os grandes técnicos brasileiros como Renato, Mano, Luxemburgo, Joel Santana. Outros treinadores como Rogério Ceni, Dorival, procuram tirar lições nos confrontos e se adaptar e melhorar suas equipes. Ceni é uma pedra no sapato do Abel, e jamais houve troca de farpas entre os dois.

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Jorginho ao falar que “quero ver ser campeão aqui”, é o mesmo do Renato dizer que “com 200 milhões é fácil”. Ele foi prova viva de que não é fácil, conseguiu destruir o time do Flamengo e perdeu a final da Libertadores para o Abel, assim como havia perdido a Copa do Brasil em 2020.

Perder nunca é legal, os grandes treinadores procurar tirar proveitos e ensinamentos para lá na frente vencer. Já os limitados, procuram sempre buscar desculpas atacando terceiros, sempre se esquivando de falar sobre seus equívocos e agora a moda é o rodízio de ataques.

No jogo da semana passada Cuca comentou sobre o recuo (óbvio) de uma equipe que teve dois jogadores a menos e   apontou suas dificuldades de romper a defesa palmeirense. Abel então fez a fala dizendo o que o Cuca deveria ter feito. Pronto, estava criada a guerra entre Brasil e Portugal. No final de semana Mano saiu em defesa do Cuca e ontem Jorginho, que já havia atacado Abel anteriormente, soltou impropérios contra o português.

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Maior feito do Jorginho como técnico, até o momento, foi ganhar o estadual com o Vasco, mesmo time do qual ele levou ao rebaixamento depois. Mano no Flamengo chegou a dizer que “os jogadores não o entendiam”, e em 2019 estava neste mesmo Palmeiras milionário do Abel.

Este corporativismo destes técnicos limitados ao invés de ajudar na melhoria do futebol brasileiro, atrapalha ainda mais a evolução. Continuarão apanhando de técnicos melhores e seguirão atacando estrangeiros que chegam aqui e vencem, seja com o futebol que for.

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MARCELO NEVES

Uma Copa do Mundo de contradições

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A Copa do Mundo de Clubes entra na última rodada da fase de grupos, e assim como na Copa do Mundo de seleções, surpresas e favoritos mostram sua cara em vários jogos, assim como algumas zebras. E isso tem sido evidente até aqui. Exemplos como empate de um Al-Hilal contra o Real Madrid, vitória do Inter Miami diante do Porto e atuações de equipes periféricas que chamam a atenção.

Com as vitórias de Botafogo diante do PSG, a vitória do Flamengo diante do Chelsea e os empates de Fluminense e Palmeiras frente à Borussia Dortmund e Porto respectivamente, aqueles vira-latas da imprensa brasileira sempre puxam as famosas cartas do “europeu joga sem interesse”, “eles não ligam para o torneio”, “é uma pré-temporada de luxo”, e coisas assim.

Agora esse mesmo vira-latismo (termo muito utilizado por Nélson Rodrigues) começou a usar a desculpa do cansaço e do calor enfrentado pelos times europeus. Mas será mesmo que esses aspectos afetam apenas os times europeus? Em um balanço feito pelo site Sofascore em partidas realizadas nos últimos 12 meses, nenhum time europeu jogou mais de 60 jogos no período, vejam na imagem abaixo:

Ou seja, antes da Copa do Mundo iniciar, o Flamengo foi quem mais atuou no período com 77 jogos disputados, enquanto o time europeu com mais jogos disputados foi o Real Madrid com 62 jogos. Mas aí você pode dizer que os times brasileiros tiveram férias no período enquanto os europeus continuaram atuando.

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Então vamos fazer um balanço de fevereiro até o início da Copa do Mundo (entre 1º/02 até 31/05), lembrando que em janeiro as equipes brasileiras já estavam jogando os estaduais em pleno verão. Neste período entre fevereiro e maio quem mais jogou foram Fluminense e Palmeiras, 30 jogos cada um. A equipe europeia que mais atuou no período foi o PSG com 28 jogos.

Ainda em comparação, o Flamengo também fez 28 jogos enquanto o Chelsea entrou em campo 23 vezes. O Botafogo entrou em campo 26 vezes, o Real Madrid jogou 27 jogos, assim como a Inter de Milão. Já o Bayern entrou em campo 21 vezes e o Porto apenas 17 jogos.

É óbvio que são momentos distintos, enquanto as partidas dos europeus é na fase final da temporada, os times brasileiros estão na fase inicial. E ainda assim, o número de lesões musculares nos times brasileiros foi superior ao dos times europeus no mesmo período.

Quando a disputa é do Mundial de Clubes, realizado em dezembro, os europeus estão no meio da temporada, enquanto os brasileiros estão realizando mais de 70 partidas, e não vemos as desculpas de cansaço por aqui. O Botafogo no ano passado, venceu a Libertadores, três dias depois entrava em campo contra o Palmeiras pelo título brasileiro e no dia seguinte viajou para encarar o Pachuca do México dois dias depois e foi derrotado. Mas a nossa imprensa vira-lata preferiu diminuir o futebol brasileiro o relegando como uma força periférica e enfraquecida diante de continentes como asiático, africano e da América do Norte.

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Mas diante dos desempenhos das equipes europeias na Copa do Mundo de Clubes, onde os brasileiros estão fazendo frente e colocando dificuldades nos times de lá, os especialistas brasileiros preferem alegar cansaço, forte calor e desinteresse por parte dos jogadores europeus.

Vamos lembrar que a Copa do Mundo de seleções no ano que vem será disputada no mesmo período de agora e no mesmo país, ou seja, forte calor e final de temporada europeia, será que em caso de fracasso europeu, nossos vira-latas irão alegar as mesmas desculpas atuais?

A verdade é que o futebol brasileiro, especificamente de clubes, tem evoluído muito dentro de campo. Temos visto variações táticas, intensidade alta, aplicação tática dos jogadores, e em várias partidas do campeonato brasileiro o que se vê quando elogiam as partidas é: “parece um jogo da Premier League”.

Vejo nessa Copa do Mundo alguns times da elite mundial, e sim, eles são europeus. Bayer, Real Madrid, PSG, Manchester City, Juventus e Inter continuam sendo favoritos ao título, mas não irei me surpreender caso um time brasileiro vença a competição. A distância não é tão grande assim como querem fazer você pensar.

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