JURÍDICO
Simonetti abre 19ª edição do Encontro Nacional da Jovem Advocacia, em Salvador
JURÍDICO
Mais de três mil pessoas participaram da cerimônia de abertura do 19º Encontro Nacional da Jovem Advocacia (Enja), na noite desta quarta-feira (30/11), em Salvador. Ao longo dos próximos dois dias, o Centro de Convenções da capital baiana receberá 16 horas de atividades, entre palestras, oficinas, workshops, debates, talk shows, uma feira de empreendedorismo Jurídico, entre outras atividades. O evento foi inaugurado pelo presidente da OAB Nacional, Beto Simonetti.
“O início da vida profissional é, sem dúvida, um dos momentos mais difíceis para qualquer um. Sem suporte institucional, os primeiros passos da carreira podem ser desanimadores”, pontuou Simonetti. “A Ordem dos Advogados do Brasil atua em prol da valorização da advocacia, da proteção das prerrogativas e da capacitação de jovens advogados e advogadas, a fim de que sejam inseridos no mercado de trabalho.”
Ele exaltou a mudança legal que reduziu o tempo de exercício profissional para que jovens advogados possam votar e serem votados no processo eleitoral da Ordem. Para o presidente, “a inclusão da Jovem Advocacia renovou o Sistema OAB e deu voz à juventude”.
A presidente da OAB-BA, Daniela Borges, defendeu a presença da inovação no trabalho dos jovens advogados. “Vocês não são o futuro da advocacia. Vocês são o presente. Vocês são a força que move a advocacia no país. Mas o futuro depende de vocês. O que vocês semearem hoje é o que colheremos no futuro”, disse.
As etapas que levaram até a realização do Enja na capital baiana foram destacadas pela presidente do Conselho Consultivo da Jovem Advocacia da OAB-BA, Jovem Bahia, Sarah Barros, lembrando que a pandemia atrasou o evento. Emocionada, salientou que todos os presidentes das comissões do Jovem Advogado estavam presentes na cerimônia, uma mostra da diversidade buscada pela instituição. “Estamos aqui para fazer a diferença, unidos pelo mesmo propósito, que é lutar pela valorização da jovem advocacia e continuaremos fazendo isso”.
Também falaram o público o presidente da Comissão Nacional da Jovem Advocacia, Nil Ferreira, e o coordenador-geral do 19º Enja e diretor-tesoureiro da OAB-BA, Hermes Hilarião.
Conferências
Na sequência da abertura, foram realizadas duas conferências magnas, proferidas pelos ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Sebastião Reis Junior e Humberto Martins. Sebastião Reis Júnior teceu reflexões acerca da necessidade do trabalho conjunto entre advogados e juízes para a melhoria do Judiciário brasileiro. “Precisamos, nós operadores do direito, agirmos, e a melhor ação será aquela que resultará de um diálogo entre nós e um consenso entre a magistratura e a advocacia”, declarou.
A segunda conferência foi realizada pelo ministro do STJ Humberto Martins. Em um discurso de esperança, conclamou os jovens advogados para atuarem com sabedoria. “Desejo a todos um excelente evento nesses dias que se aproximam, dizendo para os jovens advogados e advogadas que temos que ter coragem, determinação, para enfrentar os desafios. Sobretudo para fazer valer cada minuto de nossas vidas, trabalhar em prol e dar as mãos às pessoas”. “Sem advogado, não há justiça, não há estado de direito. A advocacia, a magistratura, o Ministério Público: não há hierarquia. São iguais, cada um com sua função. Mas advogado, promotor e juiz são essenciais à Justiça, sem subordinação e sem submissão.”
Mesa de abertura
Na mesa de honra da cerimônia ainda estavam, entre outras autoridades, a secretária-geral da OAB, Sayury Otoni; o presidente do conselho gestor do Fida, Felipe Sarmento; o procurador-geral da OAB, Ulisses Rabaneda dos Santos; o procurador nacional de Defesa e Valorização das Prerrogativas, Alex Sarkis; a presidente da Comissão Nacional da Mulher Advogada, Cristiane Damasceno; o coordenador nacional da Concad, Eduardo Uchôa Athayde; o diretor-geral da Escola Superior da Advocacia (ESA), Ronnie Preuss Duarte; o coordenador do Colégio de Presidentes das Seccionais da OAB, Erinaldo Dantas; o conselheiro do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) Rodrigo Badaró; os conselheiros federais da OAB Fabricio de Castro Oliveira e Luiz Viana Queiroz; os ministros do STJ Sebastião Reis Júnior, Humberto Martins e Paulo Dias de Moura Ribeiro; o presidente do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), Nilson Soares Castelo Branco; o deputado estadual Rosemberg Pinto; o prefeito de Salvador, Bruno Soares Reis; a vice-prefeita de Salvador, Ana Paula Matos; os conselheiros do Conselho Nacional de Justiça Marcus Vinícius Jardim Rodrigues e Marcello Terto e Silva.
A programação do evento pode ser conferida aqui.
Fonte: OAB Nacional
ARTIGOS
Renato Nery: sua morte exige voz, justiça e memória
A morte brutal do advogado e ex-presidente da OAB-MT, Dr. Renato Gomes Nery, não pode ser tratada com indiferença. Trata-se de um crime que atinge diretamente a advocacia e a democracia. Renato foi um homem honrado, combativo e comprometido com a justiça — sua memória exige respeito e posicionamento firme por parte da sociedade e das instituições.
É inaceitável que um colega de trajetória tão marcante seja silenciado sem uma reação proporcional à gravidade do que ocorreu. Tive a honra de iniciar minha vida institucional na OAB-MT como conselheiro estadual em sua gestão. Conheci de perto o homem e o advogado.
Como ex-presidente da OAB-MT, tenho a obrigação de falar de Renato Nery. Não posso me calar diante da execução de um colega que também ocupou essa honrosa função. A presidência da Ordem não é apenas um cargo: é um compromisso com a defesa intransigente da advocacia e da democracia. Renato honrou essa missão com coragem, combatividade e senso de justiça.
A execução do colega, agora apontada pelas investigações como motivada por disputas fundiárias, exige não apenas uma rigorosa apuração policial, mas também uma profunda reflexão sobre os riscos enfrentados pelos que exercem a advocacia com independência e compromisso. O advogado precisa ter, acima de tudo, segurança para atuar. Sem isso, toda a estrutura democrática se fragiliza.
É essencial que todos os desdobramentos do crime sejam investigados com máxima seriedade, inclusive aqueles de natureza patrimonial – para afastar oportunistas. Nada pode ser omitido ou minimizado. Só assim evitaremos injustiças irreparáveis e honraremos verdadeiramente a memória de Renato.
Neste momento em que prisões foram realizadas, inclusive de pessoas apontados como mandantes, é justo reconhecer o trabalho diligente dos órgãos de segurança pública, especialmente da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa. A atuação firme e técnica tem sido crucial para elucidar os fatos e oferecer respostas à sociedade.
À família de Renato, deixo minha solidariedade mais sincera. Que o legado de integridade, coragem e compromisso deixado por ele sirva como farol para todos os que ainda acreditam no poder transformador da advocacia e na força da verdade.
Renato Nery merece ser lembrado, respeitado e defendido — em vida e na memória. Seu nome não pode ser esquecido, nem a sua luta ignorada.
Por Ussiel Tavares, advogado e ex-presidente da OAB-MT
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