JURÍDICO
“Prerrogativas, inclusão e qualificação dos jovens são nossos pilares”, diz Marilena Winter, nova presidente da OAB-PR
JURÍDICO
Marilena Winter é a primeira mulher a ocupar a presidência da seccional paranaense da OAB. Pioneira, sim, porém com larga experiência no trabalho institucional da entidade onde começou como voluntária, foi conselheira seccional, conselheira federal, membro e presidente de comissões, consultora dos colegiados e vice-presidente da seccional na última gestão. Agora, eleita pelo voto – como ela gosta de frisar – representará a advocacia do Estado no triênio 2022-2025.
Marilena afirma que assumir o posto lhe deu a sensação de representar muitas mulheres que lutaram e seguem lutando pelos avanços femininos. “Há muito por conquistar em matéria de paridade de gênero. Não falo, evidentemente, apenas da OAB, mas da realidade do Brasil e do mundo. Na Ordem, um passo fundamental foi a fixação das cotas de gênero, estabelecida em todo o sistema no ano passado. É um avanço”, diz.
A advogada pública, que atua como procuradora do Município em Curitiba, aponta que a gestão que se inicia está voltada para três pilares: prerrogativas, inclusão e qualificação da jovem advocacia. “O respeito às prerrogativas da profissão, que é a premissa para nós, garante a dignidade e a independência da advocacia em primeiro lugar. Já com a inclusão, buscamos paridade e inserção de categorias mais vulneráveis, incluindo pessoas com deficiência, idosos, e a busca constante pelo aprimoramento da política de cotas raciais. Por fim, a qualificação da jovem advocacia”.
Confira a seguir os principais trechos da entrevista da nova presidente da OAB-PR ao site do Conselho Federal da OAB (CFOAB).
CFOAB – Conte um pouco como foi sua trajetória na advocacia até a presidência da OAB-PR.
Marilena Winter – Minha trajetória no Sistema OAB coincide com o começo da minha vida profissional. Ainda iniciante, já me vinculei ao trabalho voluntário na instituição. Sou advogada pública e procuradora do município de Curitiba, mas comecei na advocacia privada. Fui aprovada no mestrado da Universidade Federal do Paraná (UFPR), depois no concurso para professora assistente da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) e, logo depois, no concurso para procuradora do Município de Curitiba. Em seguida, fui admitida no Instituto dos Advogados do Paraná (IAP). Na OAB-PR, no triênio 1998-2000, fui eleita conselheira suplente e titular – e nos dois triênios subsequentes fui membro do Conselho Seccional. Nesse período, também integrei a primeira Comissão da Mulher Advogada da OAB-PR.
Em 2006, fui designada vice-presidente da Comissão de Estágio e Exame de Ordem (CEEO). Também participei da Comissão da Advocacia Pública. Ao longo da minha carreira pública, exerci alguns cargos comissionados, como consultora jurídica e diretora jurídica de uma estatal. Também fui decana-adjunta da Escola de Direito da PUC-PR e exerci a coordenação do curso de Direito, por um tempo. Mesmo nos períodos em que não integrei o conselho seccional, permaneci ligada ao trabalho na OAB, atuando em comissões. Na CEEO, fiquei por cerca de dez anos, o que, somado ao contato cotidiano com os estudantes da PUC-PR, me possibilitou um ponto de vista privilegiado sobre os desafios e as necessidades de mudança do ensino jurídico e na advocacia iniciante.
Na gestão 2013-2015, compus novamente o Conselho Seccional, fui consultora da Comissão de Advocacia Pública e atuei também como membro da Câmara de Seleção, que é um órgão colegiado da OAB-PR dedicado aos processos relativos à ética dos profissionais da advocacia. Na gestão 2016-2018, integrei a diretoria como secretária-geral e presidente da Câmara de Seleção. No triênio 2019-2021, fui vice-presidente da seccional. No fim de 2021, fui eleita, com muita honra, para presidir a seccional.
CFOAB – E, por falar na presidência, a senhora é a primeira mulher a ocupar o cargo na seccional paranaense. Qual é a sensação?
Marilena Winter – Fui a primeira mulher escolhida pelo voto para ocupar o cargo. A sensação é a de representar muitas mulheres que lutaram e seguem lutando pelos avanços femininos. Há muito por conquistar em matéria de paridade de gênero. Não falo, evidentemente, apenas do Sistema OAB, mas da realidade do Brasil e do mundo. Na OAB, um passo fundamental foi a fixação de cotas de gênero, estabelecida em todo o sistema no ano passado. É um avanço. Seguimos buscando equidade nas oportunidades, mas – temos de reconhecer – já falamos de um outro lugar.
CFOAB – Por que a paridade é importante? O que ela corrige?
Marilena Winter – A paridade permite igualar as condições dos que são diferentes. No caso das mulheres, é evidente que as múltiplas jornadas são, sim, um impeditivo para que estudem, se dediquem à carreira e atuem no mundo profissional com as mesmas condições de um homem. A paridade reconhece essa diferença e trabalha para corrigi-la com medidas específicas. No caso do Sistema OAB, com a fixação de cotas. Mas é evidente que precisamos ir além.
Dou um exemplo singelo: até pouco tempo atrás, advogadas grávidas tinham de passar por equipamentos de raio-x para ingressar em tribunais, apesar da orientação médica em contrário, e não tinham qualquer prioridade na sustentação oral. Esse quadro só mudou em 2016, com a Lei Julia Matos (Lei 13.363/2016). Além disso, com a lei, a advogada adotante e que dá à luz também tem direito à suspensão de prazos processuais quando é a única patrona da causa. Isso é paridade, corrigir rumos para fazer com que as diferenças não tornem as oportunidades desiguais.
CFOAB – O que a advocacia paranaense pode esperar da sua gestão?
Marilena Winter – Nosso olhar está bastante voltado para três pilares: prerrogativas, inclusão e qualificação da jovem advocacia. O respeito às prerrogativas da profissão, que é a premissa para nós, garante a dignidade e a independência da advocacia em primeiro lugar. Já com a inclusão, buscamos paridade e inserção de categorias mais vulneráveis, incluindo pessoas com deficiência, idosos, além da busca constante pelo aprimoramento da política de cotas raciais. Por fim, a qualificação da jovem advocacia.
As prerrogativas, é importante dizer, não são privilégios. São ferramentas que permitem aos advogados e advogadas representar o cidadão da melhor maneira possível. Não por acaso, nossa diretoria tem duas mulheres na linha de frente em dois desses temas: as advogadas Marion Bach e Fernanda Valério. Outro aspecto fundamental desta gestão é garantir uma boa retomada das atividades nos fóruns, agora que a pandemia, felizmente, dá sinais de estar no fim. E temos a luta constante pelos investimentos do Poder Judiciário no primeiro grau.
Paralelamente, não podemos perder de vista os desafios que a tecnologia nos traz. É preciso investir numa educação jurídica consistente e, ao mesmo tempo, preparar os profissionais para serem disruptivos, para novos campos e formas de atuação para a advocacia.
CFOAB – Qual a importância da OAB para a advocacia? E para a sua vida?
Marilena Winter – A OAB tem um compromisso perene com a ampla defesa e o contraditório e, por isso, luta constantemente pelas prerrogativas profissionais, destacando sempre o fato de que não são privilégios, mas ferramentas para que o advogado e a advogada possam representar bem os cidadãos. A defesa das prerrogativas pela OAB é de suma importância para a advocacia, assim como a defesa de sua remuneração, como ocorreu recentemente no julgamento do STJ sobre a fixação de honorários.
A Corte Especial do STJ deu provimento ao requerimento da OAB, ao vetar a fixação dos honorários de sucumbência por apreciação equitativa, determinando que seja respeitado o que está previsto no Código de Processo Civil (CPC). A OAB é relevante também pelos eventos e cursos de atualização permanente providos pela Escola Superior de Advocacia (ESA) e pelos serviços de apoio à atuação profissional, como os escritórios compartilhados, os postos do INSS e da Receita Federal para atendimento exclusivo à classe e muitos outros. A Caixa de Assistência dos Advogados oferece inúmeros programas voltados para a gestão de escritórios, o bem-estar e a saúde dos advogados e advogadas.
Na minha vida, a OAB tem proporcionado uma visão muito ampla da advocacia e de sua missão de defender o cidadão e a sociedade, buscando a justiça e o bem comum. Atuo voluntariamente no sistema desde o início da minha trajetória profissional. São variadas missões. Cada uma delas tem me oferecido uma perspectiva nova sobre a profissão que escolhi e laços de amizade que carregarei para sempre.
CFOAB – Gostaria de falar de outras temas que julga importantes?
Marilena Winter – Não posso deixar de mencionar que a OAB-PR celebra, em 2022, os seus 90 anos de existência. É uma história forjada na luta pelas liberdades e na defesa da cidadania. Queremos reafirmar para a sociedade paranaense nosso compromisso com a democracia, a igualdade, a fraternidade e a segurança jurídica.
Esse é o compromisso que assumimos eu, o vice-presidente, Fernando Deneka, e os demais diretores – Henrique Gaede, Roberta Santiago, Luiz Fernando Pereira, Fernanda Valério e Marion Bach. Somos, assim como todos os conselheiros, presidentes de subseções e membros de comissões, profissionais que tiram parte do seu tempo para se dedicar voluntariamente à advocacia, por meio do trabalho no Sistema OAB. Nós o fazemos por acreditar na força da nossa instituição como pilar do Estado Democrático de Direito.
ARTIGOS
Renato Nery: sua morte exige voz, justiça e memória
A morte brutal do advogado e ex-presidente da OAB-MT, Dr. Renato Gomes Nery, não pode ser tratada com indiferença. Trata-se de um crime que atinge diretamente a advocacia e a democracia. Renato foi um homem honrado, combativo e comprometido com a justiça — sua memória exige respeito e posicionamento firme por parte da sociedade e das instituições.
É inaceitável que um colega de trajetória tão marcante seja silenciado sem uma reação proporcional à gravidade do que ocorreu. Tive a honra de iniciar minha vida institucional na OAB-MT como conselheiro estadual em sua gestão. Conheci de perto o homem e o advogado.
Como ex-presidente da OAB-MT, tenho a obrigação de falar de Renato Nery. Não posso me calar diante da execução de um colega que também ocupou essa honrosa função. A presidência da Ordem não é apenas um cargo: é um compromisso com a defesa intransigente da advocacia e da democracia. Renato honrou essa missão com coragem, combatividade e senso de justiça.
A execução do colega, agora apontada pelas investigações como motivada por disputas fundiárias, exige não apenas uma rigorosa apuração policial, mas também uma profunda reflexão sobre os riscos enfrentados pelos que exercem a advocacia com independência e compromisso. O advogado precisa ter, acima de tudo, segurança para atuar. Sem isso, toda a estrutura democrática se fragiliza.
É essencial que todos os desdobramentos do crime sejam investigados com máxima seriedade, inclusive aqueles de natureza patrimonial – para afastar oportunistas. Nada pode ser omitido ou minimizado. Só assim evitaremos injustiças irreparáveis e honraremos verdadeiramente a memória de Renato.
Neste momento em que prisões foram realizadas, inclusive de pessoas apontados como mandantes, é justo reconhecer o trabalho diligente dos órgãos de segurança pública, especialmente da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa. A atuação firme e técnica tem sido crucial para elucidar os fatos e oferecer respostas à sociedade.
À família de Renato, deixo minha solidariedade mais sincera. Que o legado de integridade, coragem e compromisso deixado por ele sirva como farol para todos os que ainda acreditam no poder transformador da advocacia e na força da verdade.
Renato Nery merece ser lembrado, respeitado e defendido — em vida e na memória. Seu nome não pode ser esquecido, nem a sua luta ignorada.
Por Ussiel Tavares, advogado e ex-presidente da OAB-MT
-
ESPORTES5 dias atrásBotafogo vence o Caracas na Venezuela e assegura melhor campanha geral da Sul-Americana
-
ESPORTES5 dias atrásFluminense derrota Deportivo La Guaira no Maracanã e carimba vaga nas oitavas de final da Libertadores
-
POLÍCIA5 dias atrásPolícia Civil apreende 178 tabletes de maconha e desarticula esquema de distribuição de drogas na região de Rondonópolis
-
POLÍCIA3 dias atrásPM prende suspeito de esfaquear colega de trabalho após desentendimento
-
POLÍCIA6 dias atrásGovernador condecora PMs por atos de bravura: “Vale todo o sacrifício e esforço”, afirma sargento
-
MATO GROSSO2 dias atrásPolícia Civil deflagrou operação contra investigados por homicídio ligado a facção em Tabaporã
-
VÁRZEA GRANDE4 dias atrásCampanha nacional vai até dia 30 e Saúde de Várzea Grande segue busca ativa no grupo prioritário
-
ESPORTES5 dias atrásCorinthians perde invencibilidade na Libertadores após revés para o Platense na Neo Química Arena




