JURÍDICO
A JE Mora ao Lado: amor e carinho são elementos fundamentais para ser mesária, destaca voluntária
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Lá se vão mais de 20 anos desde a primeira vez que Simone Francisco da Silva Loiola participou de uma eleição como mesária voluntária. Ela, que mora em Coronel Sapucaia (MS), festeja a oportunidade de contribuir para o país por meio da Justiça Eleitoral. “Quando fiz meu primeiro título, já fui convidada a ser voluntária e aceitei. A partir daí, nunca mais parei de trabalhar como mesária”, conta, orgulhosa.
Veja vídeo no canal do TSE no YouTube.
Ao longo das duas décadas em que atuou como mesária voluntária, Simone teve dois filhos e, em uma das eleições estava grávida, mas nem assim deixou de comparecer. “Mesmo com um barrigão, eu estava lá, pois queria ter contato com as pessoas, rever os eleitores antigos e conhecer os novos. Muitas pessoas que não lembravam o número da seção me diziam que sabiam onde votariam por ser o local onde eu estava. Essa é uma das frases que me deixa mais feliz em servir”, afirma.
A voluntária destaca toda a confiabilidade do sistema eletrônico de votação ao citar o “sigilo do voto e o trabalho realizado para que o eleitor vote com segurança e confiança”. Além disso, faz questão de deixar um recado para os jovens eleitores: “Meu conselho é para quem está iniciando agora a vida de eleitor. Se forem convocados, aceitem o convite, porque é um trabalho bacana, que desenvolvemos com amor e carinho. Pretendo ficar bem velhinha lá, trabalhando”.
Como ser mesário voluntário
Quem deseja atuar como mesário nas eleições de outubro pode obter mais informações na página do mesário voluntário, no Portal no TSE, e fazer a inscrição no site do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do estado. É preciso informar o nome completo, o número do título eleitoral, a data de nascimento e os nomes dos pais. A inscrição também pode ser feita por meio do aplicativo e-Título.
Em regra, qualquer brasileira ou brasileiro que esteja em situação cadastral regular junto à Justiça Eleitoral e seja maior de 18 anos pode ser mesário – seja voluntário ou convocado. As exceções são os candidatos, cônjuges e parentes até segundo grau; membros de diretórios de partidos políticos com função executiva; autoridades e agentes policiais que exerçam cargo de confiança no Poder Executivo; e quem trabalha na Justiça Eleitoral.
Durante todo o ano eleitoral, os mesários são capacitados por meio de uma plataforma de ensino à distância (EaD), ou, ainda, mediante o aplicativo Mesário. Os TREs, de acordo com a possibilidade logística e sanitária, também podem organizar treinamentos presenciais. Na capacitação, os futuros mesários terão noções sobre o fluxo de votação, os procedimentos a serem adotados na seção eleitoral e as soluções para eventuais problemas. Também receberão um checklist de início do trabalho e do encerramento do dia de votação.
Vantagens de ser mesário
Além da oportunidade de atuar para o fortalecimento da democracia brasileira e do Estado Democrático de Direito, os mesários são recompensados com o direito a dois dias de folga no trabalho. Caso tenha participado do treinamento, mais dois dias são acrescentados.
O trabalho como mesário ainda pode servir como critério de desempate em concursos públicos (caso esteja previsto no edital). O mesário universitário conta com mais uma vantagem: 30 horas de crédito na grade extracurricular se a instituição universitária em que estiver matriculado possuir convênio com o TRE local.
A JE Mora ao Lado
Para celebrar os 90 anos de criação da Justiça Eleitoral, data comemorada no dia 24 de fevereiro, o Portal do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) publicará, ao longo deste mês, a série “Mesários – A Justiça Eleitoral Mora ao Lado”. Os textos vão contar, por meio da experiência desses importantes colaboradores, a importância do mesário no processo eleitoral brasileiro.
A ideia desta série é reconhecer e valorizar o esforço de cidadãos anônimos que, a cada dois anos, doam tempo e trabalho para que o Brasil fortaleça o sistema democrático realizando eleições livres e confiáveis.
Os textos serão publicados diariamente durante o mês de fevereiro na página de notícias do Portal do TSE. O intuito é que os milhares de colaboradores espalhados pelo país se sintam homenageados e representados por cada história.
JM/LC, DM
Leia mais:
01.02.2022 – A JE Mora ao Lado – série mostra histórias de pessoas que atuam para garantir a cidadania por meio do voto
ARTIGOS
Renato Nery: sua morte exige voz, justiça e memória
A morte brutal do advogado e ex-presidente da OAB-MT, Dr. Renato Gomes Nery, não pode ser tratada com indiferença. Trata-se de um crime que atinge diretamente a advocacia e a democracia. Renato foi um homem honrado, combativo e comprometido com a justiça — sua memória exige respeito e posicionamento firme por parte da sociedade e das instituições.
É inaceitável que um colega de trajetória tão marcante seja silenciado sem uma reação proporcional à gravidade do que ocorreu. Tive a honra de iniciar minha vida institucional na OAB-MT como conselheiro estadual em sua gestão. Conheci de perto o homem e o advogado.
Como ex-presidente da OAB-MT, tenho a obrigação de falar de Renato Nery. Não posso me calar diante da execução de um colega que também ocupou essa honrosa função. A presidência da Ordem não é apenas um cargo: é um compromisso com a defesa intransigente da advocacia e da democracia. Renato honrou essa missão com coragem, combatividade e senso de justiça.
A execução do colega, agora apontada pelas investigações como motivada por disputas fundiárias, exige não apenas uma rigorosa apuração policial, mas também uma profunda reflexão sobre os riscos enfrentados pelos que exercem a advocacia com independência e compromisso. O advogado precisa ter, acima de tudo, segurança para atuar. Sem isso, toda a estrutura democrática se fragiliza.
É essencial que todos os desdobramentos do crime sejam investigados com máxima seriedade, inclusive aqueles de natureza patrimonial – para afastar oportunistas. Nada pode ser omitido ou minimizado. Só assim evitaremos injustiças irreparáveis e honraremos verdadeiramente a memória de Renato.
Neste momento em que prisões foram realizadas, inclusive de pessoas apontados como mandantes, é justo reconhecer o trabalho diligente dos órgãos de segurança pública, especialmente da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa. A atuação firme e técnica tem sido crucial para elucidar os fatos e oferecer respostas à sociedade.
À família de Renato, deixo minha solidariedade mais sincera. Que o legado de integridade, coragem e compromisso deixado por ele sirva como farol para todos os que ainda acreditam no poder transformador da advocacia e na força da verdade.
Renato Nery merece ser lembrado, respeitado e defendido — em vida e na memória. Seu nome não pode ser esquecido, nem a sua luta ignorada.
Por Ussiel Tavares, advogado e ex-presidente da OAB-MT
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