JURÍDICO
Novo corregedor do CNJ, Luis Felipe Salomão diz que retorno de juízes às comarcas é prioridade
JURÍDICO
O Senado aprovou, nesta quarta-feira (1/6), o nome do ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Luis Felipe Salomão como novo corregedor nacional de Justiça do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) no biênio 2022-2024. A nomeação caberá ao presidente da República. Salomão sucederá Maria Thereza de Assis Moura, que assumirá a Presidência da Corte em agosto.
Durante reunião da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) feita na manhã desta quarta, em que Salomão foi sabatinado antes de ter o nome levado ao plenário da Casa, o ministro defendeu que tem como prioridade, à frente da Corregedoria, o retorno imediato de juízes titulares às respectivas comarcas. Trata-se de demanda da advocacia desde o retorno de atividades presenciais com a flexibilização das medidas contra a covid-19.
Há um grande debate, hoje, sobre processo eletrônico e moradia do magistrado na comarca em que é titularizado, especialmente naquelas localizadas no interior do país. E esta é uma bandeira forte da OAB Nacional, bem como das seccionais.
Sabatina
Salomão lembrou que tem uma trajetória no Sistema de Justiça de quase 40 anos, tendo sido, inicialmente, advogado, depois promotor e, então, magistrado. Enquanto desembargador do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, foi juiz-corregedor e, mais tarde, já como ministro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), também esteve na Corregedoria.
“Participei de um livro sobre corregedorias do Poder Judiciário, já desde o tempo lá do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Tenho participado também de pesquisas que envolvem o Poder Judiciário, de modo a poder conhecer bem o seu funcionamento, entender os seus problemas e aplicar os remédios adequados”, ressaltou.
A sabatina se deu mais em forma de, pelas palavras dos próprios senadores e senadoras, reconhecimento à carreira de Salomão, como procedimento padrão aos indicados ao cargo. O ministro do STJ teve 24 votos favoráveis, dos 25 senadores presentes.
Presença nas comarcas
A senadora Kátia Abreu (PP-TO) apresentou algumas colocações, dentre elas, uma de preocupação da advocacia. Os senadores Eduardo Braga (MDB-AM), Omar Aziz (PSD-AM), Zequinha Marinho (PL-MA) também endossaram a questão.
“Lugar de juiz é na comarca. Ele foi destinado para a comarca e ele tem que morar na comarca, viver na comarca. Nós estamos vendo um afastamento dos juízes de primeira para as capitais e os grandes centros. No Tocantins, como não tem grandes centros, a corrida é para a capital Palmas. Em uma semana, às vezes, um dia na semana é na comarca, onde ele tem que julgar os processos, ouvir as testemunhas e ainda receber os advogados”, ressaltou a parlamentar.
Em resposta, Salomão afirmou que esta é uma prioridade. Ele ressaltou a estruturação do Judiciário brasileiro para dar continuidade aos trabalhos mesmo nos momentos mais graves da pandemia e com as limitações impostas, por meio das alternativas eletrônicas. Porém, com o retorno às atividades, é, para ele, imperioso concretizar a retomada também no Judiciário.
“Nós tivemos um sistema de pandemia que fez com que o Judiciário parasse por pouco tempo – foi um dos Poderes que realmente conseguiu retomar com muita agilidade o julgamento dos processos –, mas esse ponto da retomada física é um ponto muito relevante, um objeto de muita preocupação de todos nós, para que façamos essa retomada”, disse o ministro.
O futuro corregedor-nacional de Justiça continuou ressaltando que “realmente, o lugar de juiz titular é na comarca e é preciso abraçar essa volta imediata, porque faz muita falta a presença do juiz no seu local de trabalho”.
Marcos Vinícius Jardim Rodrigues, recentemente empossado conselheiro do CNJ por indicação da OAB, acompanhou a sessão e enalteceu a posição do ministro. “Ele entende que as atividades presenciais do Poder Judiciário brasileiro devem retornar dando ênfase ao mandamento constitucional que determina que o magistrado deve morar na comarca em que é titularizado, o que é bem importante”, disse.
Audiência de custódia
O senador Angelo Coronel (PSD-BA) questionou a real necessidade das audiências de custódia. A pauta também é uma bandeira da advocacia. “Aqui, a questão é o cumprimento da lei. É a lei que impõe a audiência de custódia e que exige que o juiz fundamente ali a manutenção ou não da prisão. Então, é matéria afeta ao âmbito legislativo. E o juiz, nesse caso, cumpre o que determina o procedimento legislativo”, pontuou Salomão.
Jardim também comentou que o CNJ tem, inclusive, manuais para que os magistrados se guiem nesse procedimento e para que seja analisada de forma contextualizada e profunda a questão da segurança pública.
Morosidade da Justiça
O ministro também se posicionou a respeito das críticas relacionadas à falta de celeridade da Justiça. “O que, no fundo, se pretende fazer é enfrentar os desafios que surgem para o Poder Judiciário num momento muito delicado da nossa quadra histórica, e enfrentá-los com ferramentas adequadas, para atuar em prol de diminuir essa litigiosidade quase patológica que nós temos no Brasil e para enfrentar um tema que me incomoda muito – e acho que incomoda o cidadão brasileiro –, que é a morosidade. Nós temos que ter ferramentas para enfrentar isso, e espero, com políticas públicas adequadas, contribuir para que isso seja enfrentado”, afirmou Salomão.
Integrante do CNJ por indicação da OAB, Marcello Terto e Silva celebrou a aprovação do nome do ministro. “A aprovação é recebida por nós com muita alegria. Cuida-se de um magistrado de carreira que chegou ao STJ e tem uma ampla folha de serviços prestados ao país”, disse.
Ele lembrou que o ministro conduziu a comissão que deu origem às alterações legislativas que ampliaram os métodos adequados de solução de conflitos, sobretudo na Administração Pública brasileira. “É reconhecido por ser extremamente respeitoso com os profissionais da advocacia e defensor de que a magistratura deve estar perto do jurisdicionado e viver na sua comarca”, acrescentou.
Jardim também comemorou a aprovação. “O ministro e eu participamos conjuntamente do grupo de trabalho que promove estudos de melhor aplicação da Lei de Falências e Recuperação Judicial, no CNJ coordenado por Salomão, e apresentou principalmente no período da pandemia medidas extremamente eficazes e aplaudidas inclusive pela comunidade internacional”, disse.
“Já conheço o trabalho do ministro, conheço a sua verve, o seu espírito republicano. É uma pessoa muito simples, de fino trato, de fácil convivência. Tenho a certeza de que a indicação e a escolha dele é extremamente feliz, que realizará mandato histórico à frente da corregedoria. Estou muito feliz de que nesta quadra também estarei ladeando no conselho pleno do CNJ”, continuou.
Estiveram presentes, ainda, o presidente do STJ, Humberto Martins; o presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Emmanoel Pereira; os ministros do STJ Antonio Saldanha, Mauro Campbell, Marco Aurélio Bellizze e Joel Paciornik; o ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Sérgio Banhos; a presidente da AMB, Renata Gil; o presidente da Ajufe, André Brandão; o presidente da Anamatra, Luiz Antonio Colussi; o presidente da Conamp, Manoel Murrieta.
ARTIGOS
Renato Nery: sua morte exige voz, justiça e memória
A morte brutal do advogado e ex-presidente da OAB-MT, Dr. Renato Gomes Nery, não pode ser tratada com indiferença. Trata-se de um crime que atinge diretamente a advocacia e a democracia. Renato foi um homem honrado, combativo e comprometido com a justiça — sua memória exige respeito e posicionamento firme por parte da sociedade e das instituições.
É inaceitável que um colega de trajetória tão marcante seja silenciado sem uma reação proporcional à gravidade do que ocorreu. Tive a honra de iniciar minha vida institucional na OAB-MT como conselheiro estadual em sua gestão. Conheci de perto o homem e o advogado.
Como ex-presidente da OAB-MT, tenho a obrigação de falar de Renato Nery. Não posso me calar diante da execução de um colega que também ocupou essa honrosa função. A presidência da Ordem não é apenas um cargo: é um compromisso com a defesa intransigente da advocacia e da democracia. Renato honrou essa missão com coragem, combatividade e senso de justiça.
A execução do colega, agora apontada pelas investigações como motivada por disputas fundiárias, exige não apenas uma rigorosa apuração policial, mas também uma profunda reflexão sobre os riscos enfrentados pelos que exercem a advocacia com independência e compromisso. O advogado precisa ter, acima de tudo, segurança para atuar. Sem isso, toda a estrutura democrática se fragiliza.
É essencial que todos os desdobramentos do crime sejam investigados com máxima seriedade, inclusive aqueles de natureza patrimonial – para afastar oportunistas. Nada pode ser omitido ou minimizado. Só assim evitaremos injustiças irreparáveis e honraremos verdadeiramente a memória de Renato.
Neste momento em que prisões foram realizadas, inclusive de pessoas apontados como mandantes, é justo reconhecer o trabalho diligente dos órgãos de segurança pública, especialmente da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa. A atuação firme e técnica tem sido crucial para elucidar os fatos e oferecer respostas à sociedade.
À família de Renato, deixo minha solidariedade mais sincera. Que o legado de integridade, coragem e compromisso deixado por ele sirva como farol para todos os que ainda acreditam no poder transformador da advocacia e na força da verdade.
Renato Nery merece ser lembrado, respeitado e defendido — em vida e na memória. Seu nome não pode ser esquecido, nem a sua luta ignorada.
Por Ussiel Tavares, advogado e ex-presidente da OAB-MT
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