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90 anos da Justiça Eleitoral: urna eletrônica revolucionou eleições no Brasil

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O ano de 1996 representa um marco na história da modernização das eleições no país. Naquele ano, 32 milhões de eleitoras e eleitores de 57 municípios (das capitais e das cidades com eleitorado superior a 200 mil) passaram a votar nas 74 mil urnas eletrônicas que estavam disponíveis em um terço das seções eleitorais do país. Estava dada a largada para o fim da era do voto em papel e o início da era do voto digital. E a transição foi rápida, porque todo o eleitorado brasileiro passaria a votar por meio das urnas eletrônicas já nas eleições municipais de 2000.

Como se adivinhasse o que seria a evolução natural do processo de votação no país, o primeiro Código Eleitoral, de 1932, que instituiu a própria Justiça Eleitoral, já previa no artigo 57 o “uso das máquinas de votar, regulado oportunamente pelo Tribunal Superior [Eleitoral]”, que deveriam garantir o sigilo do voto.

Criação da urna eletrônica 

O projeto básico de criação da urna eletrônica teve início em 1995, quando o ministro Carlos Velloso presidia o TSE. Na ocasião, a Corte Eleitoral formou uma comissão técnica liderada por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e do Centro Técnico Aeroespacial (CTA) para elaborar o projeto da urna.

O nome inicial do equipamento foi Coletor Eletrônico de Votos (CEV). O projeto da urna, totalmente desenvolvido e monitorado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), teria que respeitar algumas premissas básicas: padronização, segurança, ser intuitivo, adesão à legislação brasileira, ser interativo, ter custo reduzido, ter fácil logística, ter perenidade e autonomia.

E tudo deu certo. A urna eletrônica associou tela, teclado e CPU em um só equipamento, com teclado similar ao de um telefone digital justamente para permitir que a pessoa analfabeta e o deficiente visual pudessem utilizar a urna sem dificuldades.

Fimda intervenção humana

Mas por que a urna eletrônica foi criada? Para modernizar o processo de votação, apuração, totalização e divulgação dos resultados das eleições, afastando a intervenção humana de cada etapa desse processo, o que eliminou a possibilidade de fraude nas eleições. Ou seja, a partir do voto informatizado, a cidadã e o cidadão seriam convocados (ou seriam voluntários) apenas para atuar como mesária e mesário nas eleições. Passou a ser desnecessária a convocação para o processo de apuração e registro manual de votos.

Desse modo, a urna conferiu maior credibilidade à apuração e totalização dos resultados das eleições. Sem contar o fato de que, antes, ocorriam denúncias de fraude no momento da apuração ou do registro dos votos nos mapas de votação. Nesses casos, a Justiça Eleitoral determinava a recontagem manual dos votos, o que atrasava ainda mais a divulgação dos resultados.

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Evolução do equipamento

Em duas décadas e meia de presença nas eleições do país, a urna eletrônica se modernizou. Desde a primeira versão de 1996, agregou maiores componentes tecnológicos de segurança (softwares) e aprimorou o design estético (hardware), que auxilia na interface do equipamento com a eleitora e o eleitor.

Em 2008, foram testadas as primeiras urnas eletrônicas com identificação por biometria. Isso ocorreu nos municípios de São João Batista (Santa Catarina), Fátima do Sul (Mato Grosso do Sul) e Colorado do Oeste (Rondônia).

Em 26 anos de existência da urna eletrônica, a empresa vencedora de cada licitação produziu e entregou, além das urnas de 1996, as seguintes quantidades de modelos do aparelho: 88.627 (1998), 191.676 (2000), 51.559 (2002), 75.222 (2004), 25.538 (2006), 58.000 (2008), 194.665 (2009), 117.835 (2010), 35.000 (2011), 30.142 (2013) e 95.885 (2015).

As urnas eletrônicas têm vida útil de dez anos. Após esse período, elas são descartadas e recicladas. Para isso, o TSE realiza licitação para contratar uma empresa, que deve seguir um rigoroso processo de segurança para o descarte dos componentes do equipamento, que precisa ser ecologicamente correto. No final, a empresa deve apresentar ao Tribunal um relatório sobre as providências tomadas.

Modelo UE2020

O mais novo modelo da urna eletrônica (Modelo UE2020), que será utilizado pela primeira vez nas Eleições 2022, foi apresentado pelo presidente do TSE, ministro Luís Roberto Barroso, em dezembro de 2021.

A apresentação ocorreu na própria fábrica da empresa Positivo Tecnologia, vencedora da licitação, localizada em Manaus (AM), onde os módulos que vão compor as urnas estão sendo produzidos. A empresa fabricará 225 mil novas urnas, de um total de 577 mil que serão usadas nas Eleições 2022. As urnas Modelo UE2020 oferecem novos recursos de acessibilidade e novidades em termos de rapidez, segurança e transparência.

Milhões de votos em cada eleição

A trajetória da urna eletrônica já abrange a coleta de votos de milhões de eleitoras e eleitores em 25 eleições gerais e municipais (contando os dois turnos), com total segurança, auditabilidade e transparência.

Para entender a dimensão da maior eleição informatizada do mundo, basta verificar os números das Eleições Municipais de 2020, que envolveram mais de 147 milhões de eleitores, que votaram em mais de 400 mil urnas eletrônicas instaladas em seções eleitorais de 5.567 municípios.

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Comemoração

Os 90 anos da Justiça Eleitoral serão comemorados no próximo dia 24 de fevereiro, e a contagem regressiva para a data pode ser acompanhada no Portal da JE na internet, onde há um contador localizado no alto da página inicial.

EM/CM

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Fonte: TSE

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Renato Nery: sua morte exige voz, justiça e memória

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A morte brutal do advogado e ex-presidente da OAB-MT, Dr. Renato Gomes Nery, não pode ser tratada com indiferença. Trata-se de um crime que atinge diretamente a advocacia e a democracia. Renato foi um homem honrado, combativo e comprometido com a justiça — sua memória exige respeito e posicionamento firme por parte da sociedade e das instituições.

É inaceitável que um colega de trajetória tão marcante seja silenciado sem uma reação proporcional à gravidade do que ocorreu. Tive a honra de iniciar minha vida institucional na OAB-MT como conselheiro estadual em sua gestão. Conheci de perto o homem e o advogado.

Como ex-presidente da OAB-MT, tenho a obrigação de falar de Renato Nery. Não posso me calar diante da execução de um colega que também ocupou essa honrosa função. A presidência da Ordem não é apenas um cargo: é um compromisso com a defesa intransigente da advocacia e da democracia. Renato honrou essa missão com coragem, combatividade e senso de justiça.

A execução do colega, agora apontada pelas investigações como motivada por disputas fundiárias, exige não apenas uma rigorosa apuração policial, mas também uma profunda reflexão sobre os riscos enfrentados pelos que exercem a advocacia com independência e compromisso. O advogado precisa ter, acima de tudo, segurança para atuar. Sem isso, toda a estrutura democrática se fragiliza.

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É essencial que todos os desdobramentos do crime sejam investigados com máxima seriedade, inclusive aqueles de natureza patrimonial – para afastar oportunistas. Nada pode ser omitido ou minimizado. Só assim evitaremos injustiças irreparáveis e honraremos verdadeiramente a memória de Renato.

Neste momento em que prisões foram realizadas, inclusive de pessoas apontados como mandantes, é justo reconhecer o trabalho diligente dos órgãos de segurança pública, especialmente da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa. A atuação firme e técnica tem sido crucial para elucidar os fatos e oferecer respostas à sociedade.

À família de Renato, deixo minha solidariedade mais sincera. Que o legado de integridade, coragem e compromisso deixado por ele sirva como farol para todos os que ainda acreditam no poder transformador da advocacia e na força da verdade.

Renato Nery merece ser lembrado, respeitado e defendido — em vida e na memória. Seu nome não pode ser esquecido, nem a sua luta ignorada.

Por Ussiel Tavares, advogado e ex-presidente da OAB-MT

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