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MARCELO NEVES

A Bola de Ouro da discórdia

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MARCELO NEVES

Antes de mais nada o Rodri não tem culpa de ter sido escolhido o vencedor da Bola de Oura da revista France Football. Aliás, ele nem teve uma temporada que justificasse ter sido escolhido, enfim.

Quando o prêmio foi instituído pela revista em 1956, apenas jogadores europeus recebiam o prêmio e apenas em 1995 essa condição foi alterada quando o liberiano George Weah, do Milan, foi o vencedor da Bola de Ouro. Portanto é um prêmio feito por europeus para europeus.

Durante os anos tivemos algumas injustiças como no ano de 2013 em que o francês Ribery foi o principal jogador do Bayern de Munique, vencedor da tríplice coroa, viu o prêmio parar nas mãos de Cristiano Ronaldo do Real Madrid. Podemos lembrar também do tão falado prêmio entregue para Lionel Messi no ano passado.

Mas este ano, na temporada que começou em agosto de 2023 e terminou em julho deste ano, ninguém no mundo jogou mais do que Vinicius Júnior, nenhum jogador foi tão impactante nos principais títulos de suas equipes quanto foi Vini Jr. Se o Real Madrid venceu mais uma Champions League é graças ao que fez o jogador brasileiro na fase final na competição.

Para se ter uma ideia do absurdo que é o prêmio ter parado nas mãos do Rodri, ele não foi o melhor jogador do Manchester City, não foi o melhor jogador da Premier League, não foi o melhor jogador da sua seleção, apesar de terem dado o prêmio de melhor jogador da Eurocopa também de forma injusta. Por falar em Premier League, ela premia o melhor jogador do mês durante a temporada, e Rodri não foi eleito em nenhum mês de disputa da competição.

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Então por que cargas d’água ele foi eleito o melhor jogador do mundo na eleição feita pela revista France Football? Teve quem justificasse que Vini Júnior não foi bem na Copa América. Dez entre dez europeus nem sabem quem foi o vencedor da Copa América, e se fosse utilizar a competição como peso para o prêmio, o argentino Lautaro Martinez foi o melhor jogador da competição, artilheiro e campeão italiano e muito mais importante para seu time do que Rodri no Manchester City.

A revista francesa elege 30 jogadores e encaminha essa lista para 100 jornalistas dos 100 países melhores ranqueados pela FIFA e com isso define três critérios para que sejam pontuados pelos julgadores. Os critérios são: títulos, impacto do jogador nos títulos e comportamento.

A verdade é que Vinicius Júnior não é aquilo que o europeu quer, um jogador animador de plateia que se curva para o que fazem com ele, que não conteste, que não se vire contra os atos criminosos sofrido e que aceite tudo de forma calado. Eles não gostam de suas provocações, eles não gostam quando ele para um jogo e bate de frente com racistas, eles não gostam que um negro sul-americano se levante e bata de frente contra o europeu colonizador.

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Vini repete o que fez Muhammad Ali quando se converteu ao islamismo e foi atuante na luta contra o racismo na década de 60 e se recusou em ir para a guerra do Vietnã sendo preso e tendo seus títulos retirados por conta disso. Vini bate de frente e por isso mesmo não será vencedor de nenhum título individual.

Siga bailando, ganhando, lutando e batendo de frente, faça tudo dez vezes mais até eles estarem preparados para tudo isso. Você não precisa de um troféu para ser o melhor do mundo. Pelé em seu auge também não foi premiado pela revista francesa, portanto, Vini, continue sendo o melhor do mundo e reconhecido por todos amantes do futebol.

 

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MARCELO NEVES

Uma Copa do Mundo de contradições

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A Copa do Mundo de Clubes entra na última rodada da fase de grupos, e assim como na Copa do Mundo de seleções, surpresas e favoritos mostram sua cara em vários jogos, assim como algumas zebras. E isso tem sido evidente até aqui. Exemplos como empate de um Al-Hilal contra o Real Madrid, vitória do Inter Miami diante do Porto e atuações de equipes periféricas que chamam a atenção.

Com as vitórias de Botafogo diante do PSG, a vitória do Flamengo diante do Chelsea e os empates de Fluminense e Palmeiras frente à Borussia Dortmund e Porto respectivamente, aqueles vira-latas da imprensa brasileira sempre puxam as famosas cartas do “europeu joga sem interesse”, “eles não ligam para o torneio”, “é uma pré-temporada de luxo”, e coisas assim.

Agora esse mesmo vira-latismo (termo muito utilizado por Nélson Rodrigues) começou a usar a desculpa do cansaço e do calor enfrentado pelos times europeus. Mas será mesmo que esses aspectos afetam apenas os times europeus? Em um balanço feito pelo site Sofascore em partidas realizadas nos últimos 12 meses, nenhum time europeu jogou mais de 60 jogos no período, vejam na imagem abaixo:

Ou seja, antes da Copa do Mundo iniciar, o Flamengo foi quem mais atuou no período com 77 jogos disputados, enquanto o time europeu com mais jogos disputados foi o Real Madrid com 62 jogos. Mas aí você pode dizer que os times brasileiros tiveram férias no período enquanto os europeus continuaram atuando.

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Então vamos fazer um balanço de fevereiro até o início da Copa do Mundo (entre 1º/02 até 31/05), lembrando que em janeiro as equipes brasileiras já estavam jogando os estaduais em pleno verão. Neste período entre fevereiro e maio quem mais jogou foram Fluminense e Palmeiras, 30 jogos cada um. A equipe europeia que mais atuou no período foi o PSG com 28 jogos.

Ainda em comparação, o Flamengo também fez 28 jogos enquanto o Chelsea entrou em campo 23 vezes. O Botafogo entrou em campo 26 vezes, o Real Madrid jogou 27 jogos, assim como a Inter de Milão. Já o Bayern entrou em campo 21 vezes e o Porto apenas 17 jogos.

É óbvio que são momentos distintos, enquanto as partidas dos europeus é na fase final da temporada, os times brasileiros estão na fase inicial. E ainda assim, o número de lesões musculares nos times brasileiros foi superior ao dos times europeus no mesmo período.

Quando a disputa é do Mundial de Clubes, realizado em dezembro, os europeus estão no meio da temporada, enquanto os brasileiros estão realizando mais de 70 partidas, e não vemos as desculpas de cansaço por aqui. O Botafogo no ano passado, venceu a Libertadores, três dias depois entrava em campo contra o Palmeiras pelo título brasileiro e no dia seguinte viajou para encarar o Pachuca do México dois dias depois e foi derrotado. Mas a nossa imprensa vira-lata preferiu diminuir o futebol brasileiro o relegando como uma força periférica e enfraquecida diante de continentes como asiático, africano e da América do Norte.

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Mas diante dos desempenhos das equipes europeias na Copa do Mundo de Clubes, onde os brasileiros estão fazendo frente e colocando dificuldades nos times de lá, os especialistas brasileiros preferem alegar cansaço, forte calor e desinteresse por parte dos jogadores europeus.

Vamos lembrar que a Copa do Mundo de seleções no ano que vem será disputada no mesmo período de agora e no mesmo país, ou seja, forte calor e final de temporada europeia, será que em caso de fracasso europeu, nossos vira-latas irão alegar as mesmas desculpas atuais?

A verdade é que o futebol brasileiro, especificamente de clubes, tem evoluído muito dentro de campo. Temos visto variações táticas, intensidade alta, aplicação tática dos jogadores, e em várias partidas do campeonato brasileiro o que se vê quando elogiam as partidas é: “parece um jogo da Premier League”.

Vejo nessa Copa do Mundo alguns times da elite mundial, e sim, eles são europeus. Bayer, Real Madrid, PSG, Manchester City, Juventus e Inter continuam sendo favoritos ao título, mas não irei me surpreender caso um time brasileiro vença a competição. A distância não é tão grande assim como querem fazer você pensar.

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