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MARCELO NEVES

O AprenDINIZ

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MARCELO NEVES

Fernando Diniz em coletiva de imprensa pela Seleção Brasileira Créditos: Vitor Silva/CBF

Desde que foi anunciado como técnico interino da seleção e ainda quando era cogitado para o cargo, eu sempre disse que o Diniz não tinha jeito para ser técnico de uma seleção, não por não ter capacidade para isso, longe disso, mas pelo estilo e ideia de jogo que necessitam de um dia a dia mais frequente.

Ver o seu time jogar quando sua ideia já está implementada é bonito de se ver, mas para que esse tipo de jogo funcione na seleção é necessário que os jogadores já estejam adaptados à essa ideia e que, principalmente o trabalho seja intensamente repetitivo.

Diniz tem um estilo único de fazer seu time jogar, é algo que não se enquadra como posicional ou funcional, é algo hibrido e que depende muito da intuição de cada jogador e de um entendimento que necessita da conexão de entendimento de toda a equipe.

E aqui não é nenhum tipo de demérito dele, é algo peculiar e único do Diniz, mas que o faz ser um técnico mais de clube do que de seleção. Isso quer dizer que ele nunca terá sucesso dirigindo uma seleção? Óbvio que não é isso, ele pode ter sucesso até mesmo neste curto período com a seleção brasileira. O quero dizer é que nem muito ao céu, como foi após a partida contra a Bolívia, e nem muito ao inferno como no empate com a Venezuela.

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Na partida contra Venezuela ficou claro o que acontece até mesmo com o Fluminense quando enfrenta equipes que recuam e fecham setores onde o Diniz concentra suas jogadas, e se até no clube ele tem dificuldades de encarar jogos assim, imagina na seleção onde teve apenas quatro dias para treinar. Diniz está aprendendo a ser técnico de seleção, são três jogos até aqui, e precisar entender que seu estilo único de jogar não é necessário para um seleção.

Tentar emular as triangulações feitas no clube na seleção não dão certo, uma que o estilo dos jogadores são diferentes, Vinicius Júnior e Rodrygo não são Keno e Arias, no Fluminense ele tem dois ótimos operários, na seleção ele tem duas joias em técnica e habilidades, que além de jogarem juntos, possuem no clube uma forma diferente de atuar. Richarlison não é o Cano e Neymar não é o Ganso. Portanto na seleção o Diniz tem que aprender com o que tem nas mãos e se adaptar ao estilo deles. Os clubes na Europa jogam um futebol diferente daquilo que pensa o Diniz, e justamente por isso ele é único, mas na seleção ele precisará ser mais “comum”.

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E tudo isso é um processo de aprendizado tanto do Diniz quanto dos jogadores convocados por ele, e sim, a seleção irá jogar mal como jogou contra a Venezuela e poderá jogar bem como contra a Bolívia, resta saber como jogará contra a seleção do Uruguai fora de casa.

Este é um momento de transição, que pode ser para a entrega do comando para Ancelotti ou até mesmo para a continuidade do trabalho de Fernando Diniz, que precisará ser um aprendiz da vivência da seleção para que volua cada vez mais como o bom profissional que é.

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MARCELO NEVES

Uma Copa do Mundo de contradições

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A Copa do Mundo de Clubes entra na última rodada da fase de grupos, e assim como na Copa do Mundo de seleções, surpresas e favoritos mostram sua cara em vários jogos, assim como algumas zebras. E isso tem sido evidente até aqui. Exemplos como empate de um Al-Hilal contra o Real Madrid, vitória do Inter Miami diante do Porto e atuações de equipes periféricas que chamam a atenção.

Com as vitórias de Botafogo diante do PSG, a vitória do Flamengo diante do Chelsea e os empates de Fluminense e Palmeiras frente à Borussia Dortmund e Porto respectivamente, aqueles vira-latas da imprensa brasileira sempre puxam as famosas cartas do “europeu joga sem interesse”, “eles não ligam para o torneio”, “é uma pré-temporada de luxo”, e coisas assim.

Agora esse mesmo vira-latismo (termo muito utilizado por Nélson Rodrigues) começou a usar a desculpa do cansaço e do calor enfrentado pelos times europeus. Mas será mesmo que esses aspectos afetam apenas os times europeus? Em um balanço feito pelo site Sofascore em partidas realizadas nos últimos 12 meses, nenhum time europeu jogou mais de 60 jogos no período, vejam na imagem abaixo:

Ou seja, antes da Copa do Mundo iniciar, o Flamengo foi quem mais atuou no período com 77 jogos disputados, enquanto o time europeu com mais jogos disputados foi o Real Madrid com 62 jogos. Mas aí você pode dizer que os times brasileiros tiveram férias no período enquanto os europeus continuaram atuando.

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Então vamos fazer um balanço de fevereiro até o início da Copa do Mundo (entre 1º/02 até 31/05), lembrando que em janeiro as equipes brasileiras já estavam jogando os estaduais em pleno verão. Neste período entre fevereiro e maio quem mais jogou foram Fluminense e Palmeiras, 30 jogos cada um. A equipe europeia que mais atuou no período foi o PSG com 28 jogos.

Ainda em comparação, o Flamengo também fez 28 jogos enquanto o Chelsea entrou em campo 23 vezes. O Botafogo entrou em campo 26 vezes, o Real Madrid jogou 27 jogos, assim como a Inter de Milão. Já o Bayern entrou em campo 21 vezes e o Porto apenas 17 jogos.

É óbvio que são momentos distintos, enquanto as partidas dos europeus é na fase final da temporada, os times brasileiros estão na fase inicial. E ainda assim, o número de lesões musculares nos times brasileiros foi superior ao dos times europeus no mesmo período.

Quando a disputa é do Mundial de Clubes, realizado em dezembro, os europeus estão no meio da temporada, enquanto os brasileiros estão realizando mais de 70 partidas, e não vemos as desculpas de cansaço por aqui. O Botafogo no ano passado, venceu a Libertadores, três dias depois entrava em campo contra o Palmeiras pelo título brasileiro e no dia seguinte viajou para encarar o Pachuca do México dois dias depois e foi derrotado. Mas a nossa imprensa vira-lata preferiu diminuir o futebol brasileiro o relegando como uma força periférica e enfraquecida diante de continentes como asiático, africano e da América do Norte.

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Mas diante dos desempenhos das equipes europeias na Copa do Mundo de Clubes, onde os brasileiros estão fazendo frente e colocando dificuldades nos times de lá, os especialistas brasileiros preferem alegar cansaço, forte calor e desinteresse por parte dos jogadores europeus.

Vamos lembrar que a Copa do Mundo de seleções no ano que vem será disputada no mesmo período de agora e no mesmo país, ou seja, forte calor e final de temporada europeia, será que em caso de fracasso europeu, nossos vira-latas irão alegar as mesmas desculpas atuais?

A verdade é que o futebol brasileiro, especificamente de clubes, tem evoluído muito dentro de campo. Temos visto variações táticas, intensidade alta, aplicação tática dos jogadores, e em várias partidas do campeonato brasileiro o que se vê quando elogiam as partidas é: “parece um jogo da Premier League”.

Vejo nessa Copa do Mundo alguns times da elite mundial, e sim, eles são europeus. Bayer, Real Madrid, PSG, Manchester City, Juventus e Inter continuam sendo favoritos ao título, mas não irei me surpreender caso um time brasileiro vença a competição. A distância não é tão grande assim como querem fazer você pensar.

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