MARCELO NEVES
Patinho feio? Não, é apenas um Dourado Valente
MARCELO NEVES
Todos os anos antes de iniciar a disputa do Campeonato Brasileiro da Série A, o Cuiabá é sempre apontado pela mídia especializada como um dos candidatos a ser rebaixado. Este ano não foi diferente, inclusive entre a própria imprensa local o Dourado era visto de canto de olho e como potencial candidato à descer para a Série B.
Na edição de 2023 o favoritismo para o descenso então foi enorme, afinal de contas e após muito tempo, a Série A teria todos os chamados grandes na mesma edição, e óbvio, os patinhos feios e não frequentadores deste seleto grupo é quem seria “convidado” a se retirar da elite.
Sempre fui otimista em relação ao campeonato que o Cuiabá faria nesta temporada, não apenas por ser uma torcida ou apenas um ufanista pelo futebol local, mas por entender que o elenco montado era o mais forte e equilibrado que o Auriverde teria nestes três anos de participação na Série A, e entendia que, ainda na gestão Ivo Vieira o que faltava era um encaixe das peças para que o time pudesse produzir.
A volta do António Oliveira também foi cercada de desconfiança por parte da imprensa local, afinal de contas a passagem dele pelo Coritiba tinha sido ruim e somado com o trabalho do ano passado pelo Cuiabá a certeza de um rebaixamento era quase unanime. Mas eu continuava acreditando em uma campanha sem sustos do Dourado.
Um encaixe defensivo, um meio campo sólido e um atacante que passou a entregar gols foi a receita para que o time começasse a alçar voos mais altos nesta competição e incomodar os grandes times deste campeonato. Desde a chegada do Oliveira, o Cuiabá tem um aproveitamento de 66,7%. Algo que o deixaria como vice líder do campeonato caso tivesse esse mesmo aproveitamento desde o início. Isso sem falar que tem a segunda melhor campanha como visitante, atrás apenas por um ponto do líder Botafogo.
Outro motivo para esse crescimento do Cuiabá na competição é a confiança. Hoje os jogadores do Dourado tentam jogadas mais arriscadas, não tem medo de tentar chutes de média e longa distância, partem para o drible, algo que até então era impensável por faltar a confiança em si próprio. Hoje o Cuiabá é uma equipe que passa confiança para seu torcedor seja contra quem for o adversário.
Conseguir vitórias importantes e impactantes como foi a última contra o Flamengo marca a trajetória da equipe e faz com que ela passe a ser vista com outros olhos, por mais que alguns ainda o enxerguem como o patinho feio da competição e que esse momento é apenas algo passageiro.
Algo que eu sempre disse é que para uma equipe emergente se consolidar na Série A precisa se manter viva por três temporadas consecutivas, o Cuiabá está conseguindo isso e em se mantendo passará a ser vista como um time de Elite, e tudo caminha para isso. Melhoria na estrutura física do clube, gestão, bons salários, pagamentos em dia e investimentos altos em termos do tamanho do clube fazem do Cuiabá um dos grandes entre os emergentes.
Dentro do clube e nas palavras do técnico António Oliveira, a postura e os objetivos continuam sendo os mesmos, fugir do rebaixamento, este é o principal objetivo do Cuiabá, mas a partir do momento que este objetivo seja alcançado, a mira passa a ser a classificação para uma Sudamericana ou quem sabe até uma Libertadores, por que não?
Que a mídia continue tratando o Cuiabá como um patinho feio, e lá na frente irão ver o tamanho que é esse Dourado e quanto será difícil fisgar esse peixe.
MARCELO NEVES
Uma Copa do Mundo de contradições
A Copa do Mundo de Clubes entra na última rodada da fase de grupos, e assim como na Copa do Mundo de seleções, surpresas e favoritos mostram sua cara em vários jogos, assim como algumas zebras. E isso tem sido evidente até aqui. Exemplos como empate de um Al-Hilal contra o Real Madrid, vitória do Inter Miami diante do Porto e atuações de equipes periféricas que chamam a atenção.
Com as vitórias de Botafogo diante do PSG, a vitória do Flamengo diante do Chelsea e os empates de Fluminense e Palmeiras frente à Borussia Dortmund e Porto respectivamente, aqueles vira-latas da imprensa brasileira sempre puxam as famosas cartas do “europeu joga sem interesse”, “eles não ligam para o torneio”, “é uma pré-temporada de luxo”, e coisas assim.
Agora esse mesmo vira-latismo (termo muito utilizado por Nélson Rodrigues) começou a usar a desculpa do cansaço e do calor enfrentado pelos times europeus. Mas será mesmo que esses aspectos afetam apenas os times europeus? Em um balanço feito pelo site Sofascore em partidas realizadas nos últimos 12 meses, nenhum time europeu jogou mais de 60 jogos no período, vejam na imagem abaixo:

Ou seja, antes da Copa do Mundo iniciar, o Flamengo foi quem mais atuou no período com 77 jogos disputados, enquanto o time europeu com mais jogos disputados foi o Real Madrid com 62 jogos. Mas aí você pode dizer que os times brasileiros tiveram férias no período enquanto os europeus continuaram atuando.
Então vamos fazer um balanço de fevereiro até o início da Copa do Mundo (entre 1º/02 até 31/05), lembrando que em janeiro as equipes brasileiras já estavam jogando os estaduais em pleno verão. Neste período entre fevereiro e maio quem mais jogou foram Fluminense e Palmeiras, 30 jogos cada um. A equipe europeia que mais atuou no período foi o PSG com 28 jogos.
Ainda em comparação, o Flamengo também fez 28 jogos enquanto o Chelsea entrou em campo 23 vezes. O Botafogo entrou em campo 26 vezes, o Real Madrid jogou 27 jogos, assim como a Inter de Milão. Já o Bayern entrou em campo 21 vezes e o Porto apenas 17 jogos.
É óbvio que são momentos distintos, enquanto as partidas dos europeus é na fase final da temporada, os times brasileiros estão na fase inicial. E ainda assim, o número de lesões musculares nos times brasileiros foi superior ao dos times europeus no mesmo período.
Quando a disputa é do Mundial de Clubes, realizado em dezembro, os europeus estão no meio da temporada, enquanto os brasileiros estão realizando mais de 70 partidas, e não vemos as desculpas de cansaço por aqui. O Botafogo no ano passado, venceu a Libertadores, três dias depois entrava em campo contra o Palmeiras pelo título brasileiro e no dia seguinte viajou para encarar o Pachuca do México dois dias depois e foi derrotado. Mas a nossa imprensa vira-lata preferiu diminuir o futebol brasileiro o relegando como uma força periférica e enfraquecida diante de continentes como asiático, africano e da América do Norte.
Mas diante dos desempenhos das equipes europeias na Copa do Mundo de Clubes, onde os brasileiros estão fazendo frente e colocando dificuldades nos times de lá, os especialistas brasileiros preferem alegar cansaço, forte calor e desinteresse por parte dos jogadores europeus.
Vamos lembrar que a Copa do Mundo de seleções no ano que vem será disputada no mesmo período de agora e no mesmo país, ou seja, forte calor e final de temporada europeia, será que em caso de fracasso europeu, nossos vira-latas irão alegar as mesmas desculpas atuais?
A verdade é que o futebol brasileiro, especificamente de clubes, tem evoluído muito dentro de campo. Temos visto variações táticas, intensidade alta, aplicação tática dos jogadores, e em várias partidas do campeonato brasileiro o que se vê quando elogiam as partidas é: “parece um jogo da Premier League”.
Vejo nessa Copa do Mundo alguns times da elite mundial, e sim, eles são europeus. Bayer, Real Madrid, PSG, Manchester City, Juventus e Inter continuam sendo favoritos ao título, mas não irei me surpreender caso um time brasileiro vença a competição. A distância não é tão grande assim como querem fazer você pensar.
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