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As novas regras fiscais

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Considero como principais objetivos das novas regras de controle fiscal das contas públicas nacionais, cujo projeto de lei ainda será enviado à apreciação do parlamento nacional, a redução da relação dívida pública/PIB, conduzir a inflação à meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional e redução da elevada taxa real de juros.

Herdada do governo anterior, a relação dívida pública/PIB está em 73%. A estabilização dessa relação e posterior redução, segundo explanação do ministro Fernando Haddad, virá do déficit primário (receitas menos despesas antes do pagamento dos juros da dívida) de apenas 0,5% do PIB (algo próximo de R$ 50 bilhões) em 2023 e déficit zero em 2024.

Obtidos tais resultados, os agentes econômicos internos e externos vislumbrarão a trajetória declinante da dívida pública, o que permitirá a redução dos juros de longo prazo, melhorando o ambiente de negócios, criando condições para o Banco Central também reduzir a taxa básica de juros. A redução da inflação virá do equilíbrio fiscal, retomada do crescimento, reaquecimento do mercado de trabalho e melhoras no mercado de crédito.

Acontece que ainda há um longo caminho a ser percorrido até o país atingir os grandes objetivos do novo regramento fiscal. O time econômico do atual governo, liderado pelo ministro da Fazenda Fernando Haddad, precisa apresentar ao país a proposta mais detalhada, em formato de projeto de lei e exercitar todas as suas qualidades de articulação política junto aos membros das duas casas, Câmara e Senado. Após a aprovação, com possíveis alterações, acelerar a implementação do conjunto de medidas que comporão o novo sistema de freios e contra-freios fiscais que funcionarão daqui em diante.

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O programa contém um viés de elevado risco de implementação. É mais moldado a atingir metas e resultados pelo aumento de arrecadação do que pela contenção de gastos. Estabelece que o aumento das despesas não poderá ultrapassar 70% do crescimento das receitas, mas admite o aumento de gastos correntes mesmo em ano que não tenha aumento real de arrecadação. Precisa de um ambiente de permanente crescimento do PIB e das receitas para obter sucesso pleno.

Na divulgação do arcabouço do que será a nova legislação, o ministro Fernando Haddad afirmou que para atingir as metas de 2023, conta com elevação das receitas federais em R$ 150 bilhões. Detalha que esse ganho de arrecadação virá, principalmente, a) da alteração da legislação atual que permite às empresas beneficiadas com incentivos fiscais de ICMS se creditarem desses incentivos para não pagar tributos federais; b) tributar as empresas chinesas de comércio eletrônico que invadiram o mercado nacional e não pagam nenhum tributo sobre suas vendas no Brasil; c) tributação das plataformas de apostas eletrônicas que também não recolhem tributos federais.

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Parece otimismo demais contar como certas receitas que são incertas. Todos esses setores contam com poderosos lobbies dentro do congresso nacional que dificultarão a mudança na legislação para tributá-los. As empresas de comércio eletrônico e as plataformas virtuais de jogos podem migrar de país ou fazerem composição com empresas nacionais. E as grandes empresas que utilizam brechas da legislação para não recolher tributos federais podem muito bem judicializar a questão, postergando indefinidamente o pagamento dos tributos.

A proposta é um importante ativo econômico e político que o presidente Lula utiliza para sinalizar à Nação e ao mundo, seu comprometimento com o crescimento econômico com sustentabilidade fiscal. Ao mesmo tempo, avança em seu principal compromisso político que é reduzir a pobreza e a desigualdade social no Brasil. O esforço de atualizar a legislação de proteção fiscal merece aplausos e apoio de toda a sociedade, a despeito de imperfeições que podem ser corrigidas nos debates que acontecerão no congresso nacional.

Vivaldo Lopes é economista e escreve exclusivamente neste espaço às quintas-feiras. E-mail: [email protected]          

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Vivaldo Lopes

 

Volto a um tema já tratado nesta coluna e por outros analistas em artigos, debates e conferências:  qual matriz econômica será predominante em Mato Grosso nas próximas décadas?

 

É de conhecimento nacional e mundial a trilha de sucesso da economia estadual nos últimos trinta anos. Da década de 1990 aos dias atuais, o estado consolidou-se como potência econômica emergente, ocupando a posição de liderança nacional em produção agropecuária e aumentou sua participação relativa no PIB brasileiro de 0,69% para 2,6% (IBGE, 2021).

 

E segue a passos seguros e céleres para se tornar um estado desenvolvido. Ainda que tardia, a industrialização de bens agropecuários, como etanol de milho, alimentos processados e produtos florestais, permite a otimista expectativa que Mato Grosso se juntará às economias mais industrializadas do país, que são as de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul.

 

É muito difícil afirmar objetivamente em que momento temporal essa mudança de matriz econômica se completará. Todavia, é possível antever que, para vencer o desafio estratégico da travessia para uma economia desenvolvida, alguns fatores precisam estar presentes no novo modelo econômico: perenidade do equilíbrio fiscal das contas públicas, consistente política educacional e redução das desigualdades econômicas e sociais.

 

É desejável que a sociedade assuma como valor perene a manutenção do equilíbrio das contas públicas estaduais e não apenas compromisso do governante de determinado período. A sustentabilidade fiscal do estado é condição suprema para a execução de boas políticas desenvolvimentistas, melhorar a qualidade dos serviços públicos entregues aos contribuintes e dispor de recursos para investir em qualificação do capital humano e a infraestrutura que o crescimento acelerado exige. O ideal é que equilíbrio fiscal conste como exigência prioritária da população aos governantes eleitos e estes preservem a saúde financeira do tesouro estadual. Assim, pode-se evitar a alternação de períodos de estabilidade fiscal com outros de desequilíbrios. Contas públicas em equilíbrio também inibem ações de futuros gestores públicos para aumentar as receitas somente elevando a tributação sobre bens e serviços.

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Investimentos e boas práticas políticas em educação são o mapa do caminho para uma economia desenvolvida. Temos clássicos exemplos mundiais. Em 1950, a Coréia do Sul era bem mais pobre que o Brasil. Atualmente tem maior renda per capita, melhor qualidade de vida e uma das maiores produtividades do mundo. Sua indústria é altamente competitiva. Alcançou tal feito com a implementação de arrojado  sistema educacional. O conhecimento científico foi a principal alavanca do salto de desenvolvimento daquele país.

 

Em nível nacional, o estado do Ceará é um caso de sucesso na área educacional. Nos últimos trinta anos saiu de posições inferiores no ranking nacional para o topo da lista de estados brasileiros com melhor desempenho em ensino fundamental e médio. E está avançando para se tornar referência também no ensino universitário. Graças a permanentes políticas educacionais e boas práticas de gestão escolar. Nesse hiato de tempo o Ceará foi liderado por governadores de diferentes matizes ideológicas, mas a educação sempre foi um valor e prioridade máxima dos cearenses.

 

Apesar de Mato Grosso figurar sempre entre os cinco melhores estados em crescimento econômico (Top Five), não ocupa as mesmas posições de destaque quando se trata de indicadores educacionais. Daí, o desafio de também nos tornarmos campeões nacionais em ensino fundamental, médio, profissionalizante e universitário. Especialistas em educação afirmam que isso exige planejamento e ações integradas do setor público e iniciativa privada.

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As desigualdades econômicas e sociais precisam ser enfrentadas como condição sem a qual o estado não terá sucesso na transição para uma economia desenvolvida. Para se tornar um ciclo econômico virtuoso e sustentável, o processo deve contemplar a redução das desigualdades econômicas, regionais e sociais. Não basta simplesmente continuar a acelerar o crescimento. É preciso crescer com mais qualidade e mais oportunidades de ensino e trabalho.

 

No estado ainda convivem bolsões regionais de pobreza e ilhas de prosperidade. Em algumas regiões e cidades, a renda média e a acumulação de capital são parecidas às dos países mais ricos do planeta. Em Mato Grosso, mais de meio milhão de pessoas dependem de programas de transferência de renda dos governos federal e estadual ou de benefícios sociais continuados, pagos pela previdência nacional. Além da questão social e fraterna, quantidades elevadas de famílias em situação de pobreza e extrema pobreza transformam-se em fator inibidor de qualquer ciclo de desenvolvimento econômico que pretenda ser inclusivo.

 

Certamente a nova matriz econômica poderá conduzir Mato Grosso ao patamar de referência nacional em desenvolvimento, caso tenhamos a grandeza e sensibilidade de conduzir a travessia para um novo ciclo de forma que seja mais inclusivo e socialmente mais justo do que foram os anteriores.

 

 

 

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