CUIABÁ
Search
Close this search box.

SAÚDE

Vendas do kit covid caem até 60% no Mato Grosso apesar do avanço da ômicron

Publicado em

SAÚDE

Conselho Federal de Farmácia relaciona queda de interesse por Ivermectina e Cloroquina a combate a desinformação e aumento da cobertura vacinal. Venda de azitromicina ainda preocupa

As vendas de medicamentos do Kit Covid registraram queda nas farmácias do Mato Grosso, em novembro e dezembro de 2021 e janeiro de 2022, em comparação com igual período de 2020/2021. A redução mais significativa ocorreu na distribuição varejista da Ivermectina, com baixa de 60% nas vendas no intervalo analisado. O resultado é ainda mais expressivo quando comparado ao crescimento de 796% nas vendas do medicamento no fim do primeiro ano da pandemia e início do segundo, em comparação com iguais períodos anteriores, ou seja, novembro e dezembro de 2019 e janeiro de 2020. 

Outro medicamento do kit Covid que teve redução na procura foi a hidroxicloroquina, com diminuição de 35% de vendas entre novembro de 2021 e janeiro deste ano, em comparação com igual período de 2020/2021. Os dados são do Conselho Federal de Farmácia, em parceria com a consultoria IQVIA, e consideram o número de unidades de medicamentos comercializadas pelo varejo farmacêutico (farmácias privadas).

O farmacêutico José Ricardo Arnaut Amadio, conselheiro federal pelo Mato Grosso, analisa que a baixa na venda dos medicamentos é proveniente do combate à fake news. “Pelo que observamos, a ciência está vencendo a desinformação relacionada à saúde do país. Neste sentido, contam muito os resultados pós-vacinação, como a queda nas taxas de mortalidade, e as sucessivas manifestações das sociedades científicas a favor da medicina baseada em evidências”, explica. 

Leia Também:  Siaps: atualização do sistema de informações da atenção primária amplia busca por perfil territorial de saúde

Segundo José Ricardo, os patamares de vendas atingidos durante a pandemia para a distribuição de cloroquina e ivermectina são inéditos na história farmacêutica. “No caso da cloroquina, antes da pandemia, as vendas variaram cerca de 22% entre 2018 e 2019, enquanto depois do novo coronavírus, entre 2020 e 2021, aumentou 405%. Então, embora a tendência para os próximos anos seja de declínio, ainda há interesse pelos medicamentos”, afirma o conselheiro. 

Apesar da queda na procura pela cloroquina e ivermectina, houve aumento de 50% nas vendas da azitromicina no Mato Grosso, entre novembro de 2021 e janeiro deste ano. Em nível nacional, o número de vendas do medicamento também subiu 50%. Para José Ricardo, o crescimento na procura pelo remédio se conecta ao uso para algumas complicações da Covid-19 e também nos casos de Influenza H3N2. “A alta na incidência de casos das duas doenças no período e as características de manifestação respiratória, podem ter justificado em parte esse crescimento. Porém, no caso da Covid-19, sem prescrição médica, o medicamento pode representar risco, principalmente nas faixas etárias mais avançadas. Isso sem falar no agravamento de uma outra ‘pandemia’ que é a da resistência bacteriana. Prescrições não indicadas e automedicação, apesar da necessidade de retenção da receita, certamente deixarão um grave ônus para o mundo após essa emergência de saúde pública”, avalia o farmacêutico.

Leia Também:  Livro digital da Pitaya é disponibilizado a produtores e técnicos de Mato Grosso e de outros estados

Em relação ao período pré-pandemia, mais que triplicou o número de isolados de bactérias resistentes a antibióticos enviados por laboratórios de saúde pública de diversos estados do país ao Laboratório de Pesquisa em Infecção Hospitalar do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz). O laboratório atua como retaguarda da Sub-rede Analítica de Resistência Microbiana em Serviços de Saúde (Sub-rede RM), instituída pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pelo Ministério da Saúde (MS). Em 2019, foram pouco mais de mil. Em 2020, o número passou para quase 2 mil, e em 2021, apenas no período de janeiro a outubro, o índice ultrapassa 3,7 mil amostras confirmadas, um aumento de mais de três vezes em relação a 2019. “O uso indiscriminado de antibióticos certamente contribui para agravar esse quadro e a consequência mais grave é o esgotamento do arsenal terapêutico”, alerta o conselheiro José Ricardo. 

Nível nacional

As vendas da ivermectina caíram 61% em todo o Brasil, em novembro e dezembro de 2021 e janeiro de 2022, em comparação com igual período de 2020/2021. No mesmo período, a distribuição por varejo da cloroquina caiu 42%. Mas, por outro lado, aumentaram em 50% as vendas da azitromicina. 

Para saber mais acesse os dados na íntegra: 

Unidades de remédios que foram vendidas:  https://docs.google.com/spreadsheets/d/1vXTR-7bF3IH3yDfJMGAZt6QT03s7O1zo/edit?usp=sharing&ouid=109019447848001102568&rtpof=true&sd=true

Dados resumidos por medicamento: https://docs.google.com/spreadsheets/d/1cg9rnoeQhvKh3VqZkGGZsRC3WwsV-BI_/edit?usp=sharing&ouid=109019447848001102568&rtpof=true&sd=true

Propaganda

SAÚDE

Regulamentação de agentes indígenas de saúde e de saneamento é aprovada em comissão da Câmara dos Deputados

Publicados

em

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara dos Deputados aprovou a proposta que regulamenta as profissões de Agente Indígena de Saúde (AIS) e Agente Indígena de Saneamento (AISAN). A medida representa um avanço no reconhecimento formal de profissionais que atuam diretamente nos territórios indígenas e contribuem para a promoção da saúde, a prevenção de doenças e a melhoria das condições sanitárias das comunidades.

A proposta está prevista no Projeto de Lei nº 3.514/2019, de autoria da ex-deputada Joenia Wapichana (RR), e teve como relatora na CCJC a deputada Lídice da Mata (PSB-BA), que recomendou a aprovação do substitutivo elaborado pela Comissão de Saúde. Pelo texto aprovado, a regulamentação estabelece requisitos específicos para o exercício das duas profissões, considerando as características socioculturais dos povos indígenas e a importância da atuação desses profissionais dentro das próprias comunidades.

Para secretária de Saúde Indígena do Ministério da Saúde, Lucinha Tremembé, a regulamentação representa um avanço também no fortalecimento da política de saúde indígena. “Valorizar os AIS e AISAN é fortalecer o SasiSUS na ponta. É reconhecer que a presença desses profissionais nos territórios é parte fundamental da construção de uma saúde indígena diferenciada, intercultural e territorializada”, conclui a secretária.

Entre os requisitos previstos para o exercício das profissões, estão: ser indígena, residir na área da comunidade onde o profissional irá atuar, ter idade mínima de 18 anos, dominar a língua utilizada pela comunidade e conhecer seus costumes e sistemas tradicionais de saúde. Também será necessária a conclusão do ensino fundamental e de curso de qualificação específico, a ser definido pelo Ministério da Saúde.

Leia Também:  Siaps: atualização do sistema de informações da atenção primária amplia busca por perfil territorial de saúde

Agente Indígena de Saúde

De acordo com a proposta, o Agente Indígena de Saúde atuará na prevenção de doenças e na promoção da saúde das populações indígenas, em ações domiciliares ou comunitárias, individuais ou coletivas, em consonância com as diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS). Entre suas atribuições, estão a prevenção de doenças, o acompanhamento e monitoramento da saúde dos indígenas, a prestação de primeiros socorros e a mobilização das comunidades para ações de promoção da saúde e prevenção de agravos.

A atuação dos AIS é estratégica para a atenção à saúde nos territórios indígenas, especialmente pela presença cotidiana desses profissionais junto às comunidades e pelo conhecimento das características locais, das línguas, dos costumes e das formas próprias de cuidado.

Agente Indígena de Saneamento

Já o Agente Indígena de Saneamento terá atuação voltada ao saneamento básico e ambiental, com ações relacionadas ao monitoramento e à manutenção dos sistemas de saneamento e à prevenção de doenças associadas às condições sanitárias. O trabalho desses profissionais contribui diretamente para a promoção da saúde e para a redução de riscos relacionados à qualidade da água, ao manejo de resíduos e às condições de saneamento nos territórios indígenas.

Leia Também:  Chegada de medicamento superior ao Ozempic chega no Brasil

A integração entre as ações de saúde e saneamento é fundamental para a proteção da saúde das comunidades, considerando que as condições ambientais e sanitárias têm impacto direto na ocorrência e na prevenção de doenças.

Organização do cuidado em saúde indígena

Lucinha Tremembé esclarece que os AIS e Aisan ocupam uma posição fundamental na organização do cuidado em saúde indígena, por atuarem diretamente nas comunidades e articularem os conhecimentos e as práticas de saúde dos povos indígenas com as ações desenvolvidas pelo SasiSUS. “São profissionais que conhecem o território, as comunidades, suas línguas, culturas e formas próprias de cuidado. Essa proximidade fortalece o vínculo, amplia o acesso e contribui para uma atenção à saúde mais adequada às realidades e especificidades de cada povo”, afirma.

Próximos passos

A proposta tramitou em caráter conclusivo e poderá seguir para análise do Senado Federal. Antes disso, no entanto, poderá ser apresentado recurso para que o texto seja apreciado pelo Plenário da Câmara dos Deputados.

Sílvia Alves
Ministério da Saúde

Fonte: Ministério da Saúde

Continue lendo

CIDADES

POLÍTICA

MULHER

POLÍCIA

MAIS LIDAS DA SEMANA