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Marcelo Porto Carrero

Por que você vota?

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Marcelo Porto Carrero

Por que você vota?

 Não confunda o “por que” escrito de forma separada, como o utilizado na pergunta acima, com o “porque” junto, que se aplica às respostas.

Ao considerar a primeira das situações, estamos pensando no futuro, no que queremos para Cuiabá. Já a outra requer que usemos o bom senso na análise detalhada da situação em que estamos, para então decidir se queremos a continuidade do que aí está ou se vamos impedi-la de se perpetuar.

O voto deixou de ser uma retribuição à amizade ou ao favorecimento para ser validação de esperança.

O futuro – tão evocado pelo pensamento progressista – está em uma encruzilhada, onde os desinformados confundem o avanço no caminho do progresso com a implantação da repressão – um retrocesso que dizem ter vivido no passado ao proporem a implantação de um tipo de governo que, sob o manto de progressismo sistêmico, esconde sua relativização da liberdade através da censura de opinião; confundem gestão técnica com compartilhamento político; administração de receitas e despesas com aumento de arrecadação e gastos; gerência honesta e realista com compromissos inexequíveis.

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Já passou da hora de darmos ouvidos às oligarquias que até pouco tempo dominaram o cenário político com seus mandos e desmandos. São eles os que querem o continuísmo maniqueísta que divide o mundo entre o bem e o mal. O que, traduzido em fatos, significa o bem deles e nosso mal.

Chega do proselitismo ideológico da esquerda, que, desafortunada de bom senso, tenta cooptar e manter submisso o funcionalismo público consciente – por isso mesmo produtivo – como massa de manobra política para se perpetuar em um tipo de poder, que, ao invés de alcançarem através de realizações e propostas, o tomam por vias indecifráveis.

É hora da acabar com a persistente situação de manipulação do erário público em beneficio próprio, de terceiros apadrinhados e coniventes aquinhoados.

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Marcelo Porto Carrero

A Postura de André Mendonça

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A Postura de André Mendonça

This is the Way não é um slogan. É uma âncora ontológica. Traduzido ao pé da letra, é “Este é o caminho”. Mas “Como deve ser” é mais devastador. Mais brasileiro. Mais verdadeiro.

Se Din Djarin, o protagonista da série The Mandalorian, da Disney, tivesse uma toga do Supremo, ele se chamaria André Mendonça. Na série, quando perguntam se ele concluiu a missão, ele não diz um “sim” elaborado. Diz apenas: como deve ser.

No STF, o lema seria o mesmo. Quando pressionado, quando encurralado pela máquina, quando a PGR pede, a Polícia Federal avança e os corredores do STF cochicham, a resposta dele não seria um parecer de 30 páginas. Seria uma postura.

Como deve ser.

Não por teimosia. É o Credo. É a verdade sobre o que, como e por que a coisa deveria ser feita.

O que deveria ser feito: guardar a Constituição, não a conveniência.

Enquanto a Corte foi se transformando em palco de inquéritos sem fim, de investigações de ofício e de censura travestida de defesa da democracia, a postura adequada de um ministro não é negociar o texto. É guardá-lo. Protegê-lo.

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Mendonça faz o que deveria ser feito. Ele vota como deve ser. Ele pede vista como deve ser. Ele diverge como deve ser. Num tribunal onde a maioria já decidiu que o processo é o inimigo a ser destruído, ele é o único que ainda respeita o rito. Este é o ato mais revolucionário possível.

Como deveria ser feito: sem espetáculo, sem tuíte, sem vazamento.

Os inimigos dele no STF, na PGR e na Polícia Federal operam como deve ser no novo sistema: operação na madrugada, com nota na imprensa e manchete no Jornal Nacional.

Mendonça opera como deve ser no sistema antigo, no correto. Silencioso. Nos autos. Com voto técnico. Sem performance para a claque. Sem recado para a mídia.

É a ética mandaloriana aplicada à toga: o trabalho não precisa de plateia. Precisa de integridade. Quando todos querem holofote, ele é o único que ainda lembra o que é ser juiz. O único que fica na sombra do processo. Restrito.

Por que deveria ser feito: porque alguém precisa não só dizer, mas também mostrar que o correto existe e persevera.

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Quando a PGR se torna partido de acusação política e a Polícia Federal se torna braço de inquéritos atípicos, o Supremo precisa de um homem que lembre que existe um caminho. Um caminho onde o direito de defesa ainda existe. Onde juiz não investiga. Onde o Ministério Público não milita. Onde a polícia não escolhe alvo por ideologia.

A postura firme de Mendonça é devastadoramente conclusiva exatamente por isso. Ele não discute. Ele não entra no jogo dos inimigos. Ele apenas afirma, com cada voto vencido, com cada divergência solitária:

Existe um jeito certo. E eu vou fazê-lo como deve ser.

E quando a história desse período for escrita, não vai importar quantas operações foram deflagradas ou quantos inimigos se levantaram contra ele no plenário. Vai importar quem manteve o Credo.

Como deve ser.

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