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Malabaristas ambulantes
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Conheço pessoas que identifico como redondas, mas não pela aparência e sim pelo comportamento. Sim, porque nunca mostram ter ao menos um lado, principalmente quando inquiridas e dizem não ter opinião formada sobre isso nem sobre aquilo, agem como a antítese do que diz Raul Seixas nos versos da música Metamorfose Ambulante e assumem não ter opinião formada sobre nada. Se, como dizem os filósofos do dane-se o mundo que eu quero passar, o cantor se referia em sua letra à mesmice e a estagnação conservadora em interpretação típica dos seguidores da filosofia Paulofreiriana, certamente também nela se baseiam os “redondos”.
Estes sim, verdadeiros malabaristas ambulantes, aquelas pessoas que só depois dos acontecimentos findarem se manifestam e assumem um lado. É quando se deixam rolar conforme desce a ladeira.
São como bolas de gude, as bolitas que lançávamos na direção que queríamos em nossos jogos de crianças. Os que agem assim são perfeitas expressões do que definimos como aproveitadores, aqueles que são levados pelas ondas das marés da vida e dançam conforme a música.
Estão sempre de bem com os poderosos, pois é deles que tiram seu sustento. Por princípios, melhor dizendo, na falta deles, havendo lucro e por aí que vão. Gravitam no entorno de seus mandantes enquanto deles podem tirar proveito, daí não se importarem em girar como peões nas mãos de quem tem a corda, tanto que nelas permanecem até caírem ou serem descartados. Enquanto isso, vão acumulando “dinheiros” sem se importar com a origem nem com os malefícios que isso possa causar.
São os que agora e em outros momentos de decisão não se manifestam. É quando voltam a assumir aquele formato que não tem lado nem personalidade, razão pela qual não medem as consequências de seus atos, apenas torcem para que tudo de certo…para eles.
Uma das justificativas é que assim o fazem por não saberem considerar o futuro e, como todos os egocêntricos, nessas ocasiões olham apenas para os próprios umbigos. Outra delas, é a de que “o futuro a Deus pertence”. Essa então, ao contrário do sentido divino da frase, não passa de uma desculpa esfarrapada para justificar sua covardia intelectual e, por consequência, a própria falta de humanidade.
Que Deus, Aquele que arquiteta nossa existência, nos receba conforme forem os meus, os seus, os nossos atos.
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Renato Nery: sua morte exige voz, justiça e memória
A morte brutal do advogado e ex-presidente da OAB-MT, Dr. Renato Gomes Nery, não pode ser tratada com indiferença. Trata-se de um crime que atinge diretamente a advocacia e a democracia. Renato foi um homem honrado, combativo e comprometido com a justiça — sua memória exige respeito e posicionamento firme por parte da sociedade e das instituições.
É inaceitável que um colega de trajetória tão marcante seja silenciado sem uma reação proporcional à gravidade do que ocorreu. Tive a honra de iniciar minha vida institucional na OAB-MT como conselheiro estadual em sua gestão. Conheci de perto o homem e o advogado.
Como ex-presidente da OAB-MT, tenho a obrigação de falar de Renato Nery. Não posso me calar diante da execução de um colega que também ocupou essa honrosa função. A presidência da Ordem não é apenas um cargo: é um compromisso com a defesa intransigente da advocacia e da democracia. Renato honrou essa missão com coragem, combatividade e senso de justiça.
A execução do colega, agora apontada pelas investigações como motivada por disputas fundiárias, exige não apenas uma rigorosa apuração policial, mas também uma profunda reflexão sobre os riscos enfrentados pelos que exercem a advocacia com independência e compromisso. O advogado precisa ter, acima de tudo, segurança para atuar. Sem isso, toda a estrutura democrática se fragiliza.
É essencial que todos os desdobramentos do crime sejam investigados com máxima seriedade, inclusive aqueles de natureza patrimonial – para afastar oportunistas. Nada pode ser omitido ou minimizado. Só assim evitaremos injustiças irreparáveis e honraremos verdadeiramente a memória de Renato.
Neste momento em que prisões foram realizadas, inclusive de pessoas apontados como mandantes, é justo reconhecer o trabalho diligente dos órgãos de segurança pública, especialmente da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa. A atuação firme e técnica tem sido crucial para elucidar os fatos e oferecer respostas à sociedade.
À família de Renato, deixo minha solidariedade mais sincera. Que o legado de integridade, coragem e compromisso deixado por ele sirva como farol para todos os que ainda acreditam no poder transformador da advocacia e na força da verdade.
Renato Nery merece ser lembrado, respeitado e defendido — em vida e na memória. Seu nome não pode ser esquecido, nem a sua luta ignorada.
Por Ussiel Tavares, advogado e ex-presidente da OAB-MT
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