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MARCELO NEVES

Por um 2023 sem sustos

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MARCELO NEVES

Allan Empereur e Cafu fizeram os dois gols da vitória do Dourado contra o Coxa. Créditos: AssCom Cuiabá

O Cuiabá garantiu a sua permanência na elite do futebol brasileiro com a vitória sobre o Coritiba na tarde de ontem (13) na arena Pantanal. Os gols de Empereur e Cafu garantiram com que o Dourado vá para seu terceiro ano consecutivo na Série A do Brasileirão.

Uma temporada foi recheada de sustos, de planejamento equivocado, escolhas mal feitas e, apesar de tudo, o objetivo final foi alcançado. Um ano que começou cheio de esperanças para o torcedor auriverde. Calendário cheio, Copa do Brasil, Sudamericana, Série A, mas o que se viu foi um misto de decepções e pressão sobre um elenco recheado de jogadores experientes que não deram o retorno esperado.

A começar pela escolha do treinador. A chegada de Pintado foi inesperada, um treinador de perfil totalmente diferente daquele que o torcedor queria ver em campo. E mais uma vez o treinador desembarcava no CT sem participar do planejamento, sem escolher jogador, sem opinar quem queria ou não queria trabalhar, e assim o Cuiabá iniciava seu plano de voo.

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Pintado saiu e chegou o português António Oliveira, que também não opinaria em novas contratações ou dispensas. E isso é algo do qual o Cuiabá precisa mudar de forma urgente. Começar o ano de 2023 já com um treinador definido e que possa fazer o planejamento para a temporada. Não se pode colocar o carro na frente dos bois, já está mais do que na hora da diretoria do Dourado entender isso e não passar por sustos, ainda mais no próximo campeonato que será ainda mais difícil.

É óbvio que nem tudo foi perdido na temporada, o título do Brasileiro de Aspirantes deu ao Cuiabá alguns jogadores promissores que poderão ajudar o clube na próxima temporada. Lucas Cardoso, Vinicius Boff, Ricardo, Gustavo Nescau, são alguns exemplos, assim como o zagueiro Joaquim, que um dos caminhos para o clube é investir ainda mais na base.

Ao trazer jogadores, tentar evitar a figura do “medalhão”, o que fizeram na temporada Everton Cardoso, André, Valdivia e Rodriguinho? Qual foi a contribuição deles na temporada? Por outro lado, Deyverson chegou e em apenas 16 jogos, se tornou artilheiro da equipe e xodó da torcida. Jonathan Cafu termina o ano em alta, em quatro jogos na reta final, contribuiu com dois gols e uma assistência, jogando como ala e dando mostras que poderá ser útil em 2023.

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Que para a próxima temporada, se defina ainda este ano, o nome do treinador, se fica com António Oliveira ou que busque outro nome, mas que este nome comece a trabalhar ainda em 2022. Que o planejamento se inicie ainda hoje, com definições de quem sai, de quem fica, de quem possa chegar. Se sair atrás na corrida, a probabilidade de chegar em dezembro de 2023 com vaga na Série B será ainda maior, já dizia o ditado: quem chega cedo, bebe água limpa.

Que 2023 seja diferente e melhor para o torcedor cuiabanista.

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MARCELO NEVES

Uma Copa do Mundo de contradições

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A Copa do Mundo de Clubes entra na última rodada da fase de grupos, e assim como na Copa do Mundo de seleções, surpresas e favoritos mostram sua cara em vários jogos, assim como algumas zebras. E isso tem sido evidente até aqui. Exemplos como empate de um Al-Hilal contra o Real Madrid, vitória do Inter Miami diante do Porto e atuações de equipes periféricas que chamam a atenção.

Com as vitórias de Botafogo diante do PSG, a vitória do Flamengo diante do Chelsea e os empates de Fluminense e Palmeiras frente à Borussia Dortmund e Porto respectivamente, aqueles vira-latas da imprensa brasileira sempre puxam as famosas cartas do “europeu joga sem interesse”, “eles não ligam para o torneio”, “é uma pré-temporada de luxo”, e coisas assim.

Agora esse mesmo vira-latismo (termo muito utilizado por Nélson Rodrigues) começou a usar a desculpa do cansaço e do calor enfrentado pelos times europeus. Mas será mesmo que esses aspectos afetam apenas os times europeus? Em um balanço feito pelo site Sofascore em partidas realizadas nos últimos 12 meses, nenhum time europeu jogou mais de 60 jogos no período, vejam na imagem abaixo:

Ou seja, antes da Copa do Mundo iniciar, o Flamengo foi quem mais atuou no período com 77 jogos disputados, enquanto o time europeu com mais jogos disputados foi o Real Madrid com 62 jogos. Mas aí você pode dizer que os times brasileiros tiveram férias no período enquanto os europeus continuaram atuando.

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Então vamos fazer um balanço de fevereiro até o início da Copa do Mundo (entre 1º/02 até 31/05), lembrando que em janeiro as equipes brasileiras já estavam jogando os estaduais em pleno verão. Neste período entre fevereiro e maio quem mais jogou foram Fluminense e Palmeiras, 30 jogos cada um. A equipe europeia que mais atuou no período foi o PSG com 28 jogos.

Ainda em comparação, o Flamengo também fez 28 jogos enquanto o Chelsea entrou em campo 23 vezes. O Botafogo entrou em campo 26 vezes, o Real Madrid jogou 27 jogos, assim como a Inter de Milão. Já o Bayern entrou em campo 21 vezes e o Porto apenas 17 jogos.

É óbvio que são momentos distintos, enquanto as partidas dos europeus é na fase final da temporada, os times brasileiros estão na fase inicial. E ainda assim, o número de lesões musculares nos times brasileiros foi superior ao dos times europeus no mesmo período.

Quando a disputa é do Mundial de Clubes, realizado em dezembro, os europeus estão no meio da temporada, enquanto os brasileiros estão realizando mais de 70 partidas, e não vemos as desculpas de cansaço por aqui. O Botafogo no ano passado, venceu a Libertadores, três dias depois entrava em campo contra o Palmeiras pelo título brasileiro e no dia seguinte viajou para encarar o Pachuca do México dois dias depois e foi derrotado. Mas a nossa imprensa vira-lata preferiu diminuir o futebol brasileiro o relegando como uma força periférica e enfraquecida diante de continentes como asiático, africano e da América do Norte.

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Mas diante dos desempenhos das equipes europeias na Copa do Mundo de Clubes, onde os brasileiros estão fazendo frente e colocando dificuldades nos times de lá, os especialistas brasileiros preferem alegar cansaço, forte calor e desinteresse por parte dos jogadores europeus.

Vamos lembrar que a Copa do Mundo de seleções no ano que vem será disputada no mesmo período de agora e no mesmo país, ou seja, forte calor e final de temporada europeia, será que em caso de fracasso europeu, nossos vira-latas irão alegar as mesmas desculpas atuais?

A verdade é que o futebol brasileiro, especificamente de clubes, tem evoluído muito dentro de campo. Temos visto variações táticas, intensidade alta, aplicação tática dos jogadores, e em várias partidas do campeonato brasileiro o que se vê quando elogiam as partidas é: “parece um jogo da Premier League”.

Vejo nessa Copa do Mundo alguns times da elite mundial, e sim, eles são europeus. Bayer, Real Madrid, PSG, Manchester City, Juventus e Inter continuam sendo favoritos ao título, mas não irei me surpreender caso um time brasileiro vença a competição. A distância não é tão grande assim como querem fazer você pensar.

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