MARCELO NEVES
O que o Cuiabá precisa fazer para fugir do rebaixamento?
MARCELO NEVES
O Cuiabá até o momento não deu pinta de que poderá brigar para fugir do rebaixamento, com resultados que não lhe ajudam e que também não consegue fazer a sua parte, principalmente em jogos dentro de seus domínios, o Dourado acende a luz vermelha para a situação periclitante atual.
Até o momento o Dourado conquistou apenas 13 pontos nas 14 primeiras rodadas, ou seja, um aproveitamento de 30,9%. Se compararmos com os últimos cinco brasileiros, o 17º foi rebaixado com os seguintes aproveitamentos:
| 2017 | 2018 | 2019 | 2020 | 2021 |
| Coritiba | Sport | Cruzeiro | Vasco | Grêmio |
| 43 pontos | 42 pontos | 36 pontos | 41 pontos | 43 pontos |
| 37,8% | 36,8% | 31,6% | 36% | 37,8% |
Atualmente o 16º colocado tem um aproveitamento parecido com o do 17º, ambos abaixo dos 36%, já o Cuiabá tem um aproveitamento de apenas 30,9%, precisaria aumentar muito o aproveitamento caso queira escapar da degola este ano.
Pelo andar da carruagem, este ano teremos um aproveitamento parecido com os anos de 2019 e 2020 na parte de baixo da tabela, o que pode ser um alento para o Dourado, mas pra isso teria que subir muito o índice de pontuação nos 72 pontos restantes em disputa.
Para chegar aos 44 pontos que dariam segurança na fuga do rebaixamento, o Cuiabá precisa fazer 31 pontos até o final, teria que ter um aproveitamento no restante da competição de cerca 45%.
Óbvio que tudo isso é matemática, o que importa mesmo é colocar a bola no fundo do gol. Restam cinco partidas até o final do 1º turno, são dois jogos em casa e três jogos fora. O Dourado enfrenta Botafogo e Atlético-MG na Arena Pantanal; e Avaí, Palmeiras e Coritiba fora de casa.
A equipe precisa de reforços pontuais, mas que cheguem para ganhar a vaga de titular e não apenas compor elenco, precisa de jogadores que decidam jogos, algo que a equipe auriverde ainda não possui no elenco.
Enquanto isso, o melhor é aproveitar a semana livre e corrigir os erros e começar a recuperação contra a boa equipe do Avaí fora de casa.
MARCELO NEVES
Uma Copa do Mundo de contradições
A Copa do Mundo de Clubes entra na última rodada da fase de grupos, e assim como na Copa do Mundo de seleções, surpresas e favoritos mostram sua cara em vários jogos, assim como algumas zebras. E isso tem sido evidente até aqui. Exemplos como empate de um Al-Hilal contra o Real Madrid, vitória do Inter Miami diante do Porto e atuações de equipes periféricas que chamam a atenção.
Com as vitórias de Botafogo diante do PSG, a vitória do Flamengo diante do Chelsea e os empates de Fluminense e Palmeiras frente à Borussia Dortmund e Porto respectivamente, aqueles vira-latas da imprensa brasileira sempre puxam as famosas cartas do “europeu joga sem interesse”, “eles não ligam para o torneio”, “é uma pré-temporada de luxo”, e coisas assim.
Agora esse mesmo vira-latismo (termo muito utilizado por Nélson Rodrigues) começou a usar a desculpa do cansaço e do calor enfrentado pelos times europeus. Mas será mesmo que esses aspectos afetam apenas os times europeus? Em um balanço feito pelo site Sofascore em partidas realizadas nos últimos 12 meses, nenhum time europeu jogou mais de 60 jogos no período, vejam na imagem abaixo:

Ou seja, antes da Copa do Mundo iniciar, o Flamengo foi quem mais atuou no período com 77 jogos disputados, enquanto o time europeu com mais jogos disputados foi o Real Madrid com 62 jogos. Mas aí você pode dizer que os times brasileiros tiveram férias no período enquanto os europeus continuaram atuando.
Então vamos fazer um balanço de fevereiro até o início da Copa do Mundo (entre 1º/02 até 31/05), lembrando que em janeiro as equipes brasileiras já estavam jogando os estaduais em pleno verão. Neste período entre fevereiro e maio quem mais jogou foram Fluminense e Palmeiras, 30 jogos cada um. A equipe europeia que mais atuou no período foi o PSG com 28 jogos.
Ainda em comparação, o Flamengo também fez 28 jogos enquanto o Chelsea entrou em campo 23 vezes. O Botafogo entrou em campo 26 vezes, o Real Madrid jogou 27 jogos, assim como a Inter de Milão. Já o Bayern entrou em campo 21 vezes e o Porto apenas 17 jogos.
É óbvio que são momentos distintos, enquanto as partidas dos europeus é na fase final da temporada, os times brasileiros estão na fase inicial. E ainda assim, o número de lesões musculares nos times brasileiros foi superior ao dos times europeus no mesmo período.
Quando a disputa é do Mundial de Clubes, realizado em dezembro, os europeus estão no meio da temporada, enquanto os brasileiros estão realizando mais de 70 partidas, e não vemos as desculpas de cansaço por aqui. O Botafogo no ano passado, venceu a Libertadores, três dias depois entrava em campo contra o Palmeiras pelo título brasileiro e no dia seguinte viajou para encarar o Pachuca do México dois dias depois e foi derrotado. Mas a nossa imprensa vira-lata preferiu diminuir o futebol brasileiro o relegando como uma força periférica e enfraquecida diante de continentes como asiático, africano e da América do Norte.
Mas diante dos desempenhos das equipes europeias na Copa do Mundo de Clubes, onde os brasileiros estão fazendo frente e colocando dificuldades nos times de lá, os especialistas brasileiros preferem alegar cansaço, forte calor e desinteresse por parte dos jogadores europeus.
Vamos lembrar que a Copa do Mundo de seleções no ano que vem será disputada no mesmo período de agora e no mesmo país, ou seja, forte calor e final de temporada europeia, será que em caso de fracasso europeu, nossos vira-latas irão alegar as mesmas desculpas atuais?
A verdade é que o futebol brasileiro, especificamente de clubes, tem evoluído muito dentro de campo. Temos visto variações táticas, intensidade alta, aplicação tática dos jogadores, e em várias partidas do campeonato brasileiro o que se vê quando elogiam as partidas é: “parece um jogo da Premier League”.
Vejo nessa Copa do Mundo alguns times da elite mundial, e sim, eles são europeus. Bayer, Real Madrid, PSG, Manchester City, Juventus e Inter continuam sendo favoritos ao título, mas não irei me surpreender caso um time brasileiro vença a competição. A distância não é tão grande assim como querem fazer você pensar.
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