MARCELO NEVES
Mais um vexame. A culpa é de quem?
MARCELO NEVES
Antes do baile aplicado para a Argentina em Buenos Aires, o futebol brasileiro levou um baile ainda maior no dia anterior. A reeleição do senhor Ednaldo Rodrigues para presidente da CBF por aclamação. Cargo que irá ocupar até o ano de 2030.
O futebol brasileiro está falido em todas as suas esferas, as conquistas recentes dos clubes é algo totalmente antagônico ao que acontece no prédio da CBF, onde todas as seleções de base colecionam fracassos atrás de fracassos, com uma estrutura reduzida, com um Ramon Menezes que até hoje não sabemos se foi demitido ou não e continua à frente das seleções de base.
Estamos próximos de mais uma Copa do Mundo e a seleção brasileira irá para o seu quarto treinador neste ciclo, e falo com toda a certeza que iremos para mais uma troca porque o Dorival está apenas cumprindo o seu aviso prévio após a goleada sofrida.
Mas antes de falarmos sobre Dorival, vamos antes saber quem manda na CBF atualmente. Para quem não conhece o senhor Ednaldo Rodrigues, ele é contador de formação e comandou a Federação Baiana de Futebol por 18 anos, fez alianças com ligas do interior e sempre teve uma relação conturbada com os clubes, principalmente Bahia e Vitória.
Foi por muito tempo um forte aliado de Ricardo Teixeira, sempre fez alianças políticas e pouco trabalhou pelo futebol, apesar de ter dado mais atenção ao futebol de base e feminino enquanto esteve na Federação Baiana. Mas sempre foi mais político do que um gestor de futebol.
E com esse perfil chegou ao comando da CBF, primeiro de forma interina e depois em definitivo, alterou estatuto da entidade para poder se perpetuar no poder, algo que conseguiu com a eleição da última segunda-feira (24) quando foi reeleito e com a possibilidade de mais uma reeleição onde irá permanecer até 2030.
O futebol brasileiro passa por problemas de calendário, problemas de arbitragem, problemas de formação de jogadores e técnicos, um futebol feminino que fingem dar atenção, e ainda iremos sediar a Copa do Mundo Feminina.
A CBF encaminha duas mesadas para as federações, uma para que paguem seus custos e a outra para o presidente usar como bem entender. Uma verdadeira relação de compra de apoio escancarada, tanto que nenhum presidente de federação faz algum tipo de críticas ou oposição ao senhor Ednaldo. Alguém já viu o senhor Aron Dresch reclamar do calendário do futebol brasileiro? Eu nunca vi.
Há 11 anos sofremos a maior humilhação em uma Copa do Mundo, e dentro de casa, após a derrota por 7×1. Prometeram mudanças, prometeram profissionalismo, prometeram reestruturação do futebol brasileiro e o que vimos até então é um ambiente e um cenário ainda pior que aquele vivido em 2014.
O ciclo atual começou com um técnico interino e um devaneio do senhor Ednaldo esperando o Carlo Ancelotti que todos sabiam que não aceitaria assumir a seleção brasileira com essa estrutura atual. Após a saída do Ramon, Ednaldo colocou o Fernando Diniz que acumulava a seleção com o Fluminense, onde se dizia ser apenas um interino à espera do Ancelotti, que renovou com o Real Madrid e ao ver que não teria o italiano no cargo, apelou para o técnico do momento Dorival Júnior.
E sobre o trabalho de Dorival Júnior é algo que não se tira nenhum proveito neste tempo em que comanda a seleção. Até o momento, Dorival já convocou 57 jogadores em pouco mais de um ano de trabalho. Como comparação, Scaloni convocou 52 desde que assumiu a seleção em 2018. Isso só mostra que até hoje o Dorival não tem um time base, não tem uma cara e não tem uma identidade coletiva.
Não há convicção, não há coerência nas convocações e muito menos em suas escalações. Não existe respeito pelo momento dos jogadores em seus clubes e muito menos naquilo que mostram na seleção. Se o jogador vai mal, ele não é convocado novamente ou é substituído sem nenhuma explicação ou mesmo coerência ao escalar o substituto.
O Dorival que comanda a seleção é totalmente diferente daquele Dorival que fez bons trabalhos no Flamengo em 22 e São Paulo em 23 conquistando três títulos. Mas volto a repetir, ele não é o único culpado. Ele sofre do mal que todo treinador irá sofrer ao assumir a seleção: a estrutura atual da Confederação Brasileira de Futebol comandada pelo senhor Ednaldo Rodrigues.
Quem será o próximo? Apenas a cabeça do senhor Ednaldo poderá responder, afinal de contas, não existe uma diretoria de seleção da qual ele converse e com seu perfil centralizador, irá impor sua vontade de acordo com o clamor das redes sociais, as quais ele dá mais ouvidos do que aos profissionais que ele mesmo contratou.
Com isso, um minuto de silêncio para o futebol brasileiro.
MARCELO NEVES
Uma Copa do Mundo de contradições
A Copa do Mundo de Clubes entra na última rodada da fase de grupos, e assim como na Copa do Mundo de seleções, surpresas e favoritos mostram sua cara em vários jogos, assim como algumas zebras. E isso tem sido evidente até aqui. Exemplos como empate de um Al-Hilal contra o Real Madrid, vitória do Inter Miami diante do Porto e atuações de equipes periféricas que chamam a atenção.
Com as vitórias de Botafogo diante do PSG, a vitória do Flamengo diante do Chelsea e os empates de Fluminense e Palmeiras frente à Borussia Dortmund e Porto respectivamente, aqueles vira-latas da imprensa brasileira sempre puxam as famosas cartas do “europeu joga sem interesse”, “eles não ligam para o torneio”, “é uma pré-temporada de luxo”, e coisas assim.
Agora esse mesmo vira-latismo (termo muito utilizado por Nélson Rodrigues) começou a usar a desculpa do cansaço e do calor enfrentado pelos times europeus. Mas será mesmo que esses aspectos afetam apenas os times europeus? Em um balanço feito pelo site Sofascore em partidas realizadas nos últimos 12 meses, nenhum time europeu jogou mais de 60 jogos no período, vejam na imagem abaixo:

Ou seja, antes da Copa do Mundo iniciar, o Flamengo foi quem mais atuou no período com 77 jogos disputados, enquanto o time europeu com mais jogos disputados foi o Real Madrid com 62 jogos. Mas aí você pode dizer que os times brasileiros tiveram férias no período enquanto os europeus continuaram atuando.
Então vamos fazer um balanço de fevereiro até o início da Copa do Mundo (entre 1º/02 até 31/05), lembrando que em janeiro as equipes brasileiras já estavam jogando os estaduais em pleno verão. Neste período entre fevereiro e maio quem mais jogou foram Fluminense e Palmeiras, 30 jogos cada um. A equipe europeia que mais atuou no período foi o PSG com 28 jogos.
Ainda em comparação, o Flamengo também fez 28 jogos enquanto o Chelsea entrou em campo 23 vezes. O Botafogo entrou em campo 26 vezes, o Real Madrid jogou 27 jogos, assim como a Inter de Milão. Já o Bayern entrou em campo 21 vezes e o Porto apenas 17 jogos.
É óbvio que são momentos distintos, enquanto as partidas dos europeus é na fase final da temporada, os times brasileiros estão na fase inicial. E ainda assim, o número de lesões musculares nos times brasileiros foi superior ao dos times europeus no mesmo período.
Quando a disputa é do Mundial de Clubes, realizado em dezembro, os europeus estão no meio da temporada, enquanto os brasileiros estão realizando mais de 70 partidas, e não vemos as desculpas de cansaço por aqui. O Botafogo no ano passado, venceu a Libertadores, três dias depois entrava em campo contra o Palmeiras pelo título brasileiro e no dia seguinte viajou para encarar o Pachuca do México dois dias depois e foi derrotado. Mas a nossa imprensa vira-lata preferiu diminuir o futebol brasileiro o relegando como uma força periférica e enfraquecida diante de continentes como asiático, africano e da América do Norte.
Mas diante dos desempenhos das equipes europeias na Copa do Mundo de Clubes, onde os brasileiros estão fazendo frente e colocando dificuldades nos times de lá, os especialistas brasileiros preferem alegar cansaço, forte calor e desinteresse por parte dos jogadores europeus.
Vamos lembrar que a Copa do Mundo de seleções no ano que vem será disputada no mesmo período de agora e no mesmo país, ou seja, forte calor e final de temporada europeia, será que em caso de fracasso europeu, nossos vira-latas irão alegar as mesmas desculpas atuais?
A verdade é que o futebol brasileiro, especificamente de clubes, tem evoluído muito dentro de campo. Temos visto variações táticas, intensidade alta, aplicação tática dos jogadores, e em várias partidas do campeonato brasileiro o que se vê quando elogiam as partidas é: “parece um jogo da Premier League”.
Vejo nessa Copa do Mundo alguns times da elite mundial, e sim, eles são europeus. Bayer, Real Madrid, PSG, Manchester City, Juventus e Inter continuam sendo favoritos ao título, mas não irei me surpreender caso um time brasileiro vença a competição. A distância não é tão grande assim como querem fazer você pensar.
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