MARCELO NEVES
Está na hora da garotada ganhar espaço no Dourado
MARCELO NEVES
O Cuiabá sofreu mais uma derrota no Campeonato Brasileiro, desta vez para o Fluminense no Rio de Janeiro, resultado normal pelo momento atual das equipes. Um jogo onde mostrou as carências da equipe, a falta de um meia de qualidade, de centroavante, de um meio mais habilidoso e técnico. Aliado à isso, houve equívocos na escalação e nas escolhas do técnico António Oliveira.
Se por um lado a diretoria do Dourado enfrenta dificuldades na contratação, exemplo disso foi a negociação com o meia Guilherme Castilho, que já tinha base e tudo acertado, mas que no último instante mudou de ideia e acertou sua transferência para o Ceará.
Por outro lado o Cuiabá tem a melhor campanha no Brasileiro de Aspirante com 13 pontos ganhos em cinco jogos disputados. Porém o mais importante são os jogadores que estão se destacando no time de aspirantes e que poderiam fazer parte do time principal como opção e até mesmo figurando como titulares.
Se o Joaquim entrou na zaga e ganhou espaço, se tornando o principal jogador da defesa do Dourado, por que jogadores como Denilson, Lucas Cardoso, Vinicius Boff, Rikelme, Gustavo Nescau e outros poderiam sim fazer parte do time principal. Denilson entrou na partida contra o Fluminense e mostrou qualidade na marcação e na saída de bola.
Lucas Cardoso foi artilheiro do Mato-grossense de 2021 atuando pelo Operário-VG e chamou a atenção do Cuiabá, foi emprestado pelo Dourado para o Santo André onde atuou no Campeonato Paulista deste ano. O garoto de 21 anos tem mostrado muita qualidade técnica e seria uma ótima opção para a criação no meio campo, ao lado do Rikelme o time marcou 10 gols até o momento, a média de gols do time de aspirantes é quase três vezes mais do que a do time principal.
Outro jogador que tem demonstrado evolução é o centroavante Gustavo Nescau, artilheiro da equipe ao lado do meia Lucas Cardoso com três gols, mostra presença de área, velocidade, saída para tabela com os meias e em um momento onde o time principal conta apenas com André Felipe e Deyverson na posição, Gustavo precisa ter mais espaço no time de cima.
Se o clube não consegue trazer jogadores para assumir a titularidade, que comecem a utilizar os garotos.
MARCELO NEVES
Uma Copa do Mundo de contradições
A Copa do Mundo de Clubes entra na última rodada da fase de grupos, e assim como na Copa do Mundo de seleções, surpresas e favoritos mostram sua cara em vários jogos, assim como algumas zebras. E isso tem sido evidente até aqui. Exemplos como empate de um Al-Hilal contra o Real Madrid, vitória do Inter Miami diante do Porto e atuações de equipes periféricas que chamam a atenção.
Com as vitórias de Botafogo diante do PSG, a vitória do Flamengo diante do Chelsea e os empates de Fluminense e Palmeiras frente à Borussia Dortmund e Porto respectivamente, aqueles vira-latas da imprensa brasileira sempre puxam as famosas cartas do “europeu joga sem interesse”, “eles não ligam para o torneio”, “é uma pré-temporada de luxo”, e coisas assim.
Agora esse mesmo vira-latismo (termo muito utilizado por Nélson Rodrigues) começou a usar a desculpa do cansaço e do calor enfrentado pelos times europeus. Mas será mesmo que esses aspectos afetam apenas os times europeus? Em um balanço feito pelo site Sofascore em partidas realizadas nos últimos 12 meses, nenhum time europeu jogou mais de 60 jogos no período, vejam na imagem abaixo:

Ou seja, antes da Copa do Mundo iniciar, o Flamengo foi quem mais atuou no período com 77 jogos disputados, enquanto o time europeu com mais jogos disputados foi o Real Madrid com 62 jogos. Mas aí você pode dizer que os times brasileiros tiveram férias no período enquanto os europeus continuaram atuando.
Então vamos fazer um balanço de fevereiro até o início da Copa do Mundo (entre 1º/02 até 31/05), lembrando que em janeiro as equipes brasileiras já estavam jogando os estaduais em pleno verão. Neste período entre fevereiro e maio quem mais jogou foram Fluminense e Palmeiras, 30 jogos cada um. A equipe europeia que mais atuou no período foi o PSG com 28 jogos.
Ainda em comparação, o Flamengo também fez 28 jogos enquanto o Chelsea entrou em campo 23 vezes. O Botafogo entrou em campo 26 vezes, o Real Madrid jogou 27 jogos, assim como a Inter de Milão. Já o Bayern entrou em campo 21 vezes e o Porto apenas 17 jogos.
É óbvio que são momentos distintos, enquanto as partidas dos europeus é na fase final da temporada, os times brasileiros estão na fase inicial. E ainda assim, o número de lesões musculares nos times brasileiros foi superior ao dos times europeus no mesmo período.
Quando a disputa é do Mundial de Clubes, realizado em dezembro, os europeus estão no meio da temporada, enquanto os brasileiros estão realizando mais de 70 partidas, e não vemos as desculpas de cansaço por aqui. O Botafogo no ano passado, venceu a Libertadores, três dias depois entrava em campo contra o Palmeiras pelo título brasileiro e no dia seguinte viajou para encarar o Pachuca do México dois dias depois e foi derrotado. Mas a nossa imprensa vira-lata preferiu diminuir o futebol brasileiro o relegando como uma força periférica e enfraquecida diante de continentes como asiático, africano e da América do Norte.
Mas diante dos desempenhos das equipes europeias na Copa do Mundo de Clubes, onde os brasileiros estão fazendo frente e colocando dificuldades nos times de lá, os especialistas brasileiros preferem alegar cansaço, forte calor e desinteresse por parte dos jogadores europeus.
Vamos lembrar que a Copa do Mundo de seleções no ano que vem será disputada no mesmo período de agora e no mesmo país, ou seja, forte calor e final de temporada europeia, será que em caso de fracasso europeu, nossos vira-latas irão alegar as mesmas desculpas atuais?
A verdade é que o futebol brasileiro, especificamente de clubes, tem evoluído muito dentro de campo. Temos visto variações táticas, intensidade alta, aplicação tática dos jogadores, e em várias partidas do campeonato brasileiro o que se vê quando elogiam as partidas é: “parece um jogo da Premier League”.
Vejo nessa Copa do Mundo alguns times da elite mundial, e sim, eles são europeus. Bayer, Real Madrid, PSG, Manchester City, Juventus e Inter continuam sendo favoritos ao título, mas não irei me surpreender caso um time brasileiro vença a competição. A distância não é tão grande assim como querem fazer você pensar.
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