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Resolução regulamenta Missões de Observação Eleitoral no Brasil

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A partir deste ano, todos os procedimentos para a atuação das Missões de Observação Eleitoral (MOEs) estão regulamentados em resolução específica editada pela Justiça Eleitoral. Trata-se da Resolução nº 23.678, aprovada pelo Plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em dezembro de 2021.

Até então, as atividades de observação eleitoral eram realizadas por meio de acordos de cooperação firmados pelo TSE. Foi assim nas eleições gerais de 2018, com a Organização dos Estados Americanos (OEA), e no pleito municipal de 2020, com a Transparência Eleitoral Brasil.

“Esta é a primeira regulamentação da Justiça Eleitoral sobre o tema, novidade que atesta o compromisso institucional de garantia da integridade das eleições brasileiras e os contínuos esforços para estimular a participação da sociedade em todas as fases do processo eleitoral”, ressalta o presidente do TSE, ministro Luís Roberto Barroso.

O processo de participação das missões é diferente das outras formas de fiscalização e de acompanhamento por partidos políticos, coligações, candidatas e candidatos, pela Ordem dos Advogados do Brasil, pelo Ministério Público e por programas para convidados internacionais. “O que caracteriza as missões de observação eleitoral é o fato de que elas são metodologicamente estruturadas e que cumprem procedimento sistemático de acompanhamento e de avaliação do processo eleitoral”, explica o presidente.

Diretrizes

A norma regulamenta as MOEs nacionais e internacionais e define as diretrizes e procedimentos para o acompanhamento e a avaliação das eleições periódicas, das eleições suplementares, e das consultas populares de caráter nacional, estadual e municipal, com destaque para os critérios de credenciamento das missões, garantia de acesso às seções eleitorais e imparcialidade das entidades participantes.

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As Missões têm a finalidade de contribuir para o aperfeiçoamento do processo eleitoral brasileiro, ampliar a transparência e a integridade, bem como fortalecer a confiança pública nas eleições. Dentre os objetivos estão observar o cumprimento das normas eleitorais nacionais; colaborar para o controle social nas diferentes etapas do processo eleitoral; e verificar a imparcialidade e a efetividade da organização, direção, supervisão, administração e execução do processo eleitoral.

Assim, as atividades de Observação Eleitoral poderão ocorrer desde o início das fases de especificação e desenvolvimento dos sistemas eleitorais até a diplomação das pessoas eleitas. Para tanto, o TSE garantirá os acessos e as informações necessárias ao cumprimento adequado das atividades.

Credenciamento

O texto trata também dos prazos para credenciamento das missões, que será de até um ano antes das eleições, com lançamento de edital público de chamamento, para que os interessados possam acompanhar o Teste Público de Segurança (TPS) das urnas eletrônicas. Especialmente para as Eleições 2022, o edital será publicado até 5 de março e ficará aberto até 15 antes do início das convenções partidárias.

Durante o credenciamento, os interessados deverão apresentar plano metodológico consistente de coleta e análise dos dados, compatível com a ética, a transparência e o profissionalismo, comprovar capacidade técnica e demonstrar a pertinência da missão com o objeto social ou finalidade institucional.

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Além disso, todos devem apresentar declaração de que as pessoas responsáveis pelas missões – bem como as observadoras e os observadores – não ocupam cargo público eletivo, que não são filiadas a partido político ou são dirigentes partidários, que não exercem militância político-eleitoral ou prestam serviço em pré-campanhas ou em campanhas eleitorais. Deve ser apresentada declaração de inexistência de financiamento da MOE com recursos vindos de partidos políticos, pessoas pré-candidatas, candidatas ou ocupantes de cargos públicos eletivos.

Relatórios

Concluído os trabalhos de observação, as missões emitirão relatórios com conclusões e eventuais recomendações. Elas terão até um ano após a eleição da qual participaram, se forem as eleições gerais e municipais ou consulta de âmbito nacional, e seis meses no caso de eleição suplementar ou consulta de âmbito regional/local – para entregar o documento.

O TSE dará ampla publicidade dos resultados aos Órgãos da Justiça Eleitoral e à sociedade em geral; e registrará o relatório em procedimentos internos, para fins de avaliação a respeito da adoção das eventuais recomendações.

As Missões de Observação Eleitoral têm o dever de atuar de forma independente, transparente, imparcial e objetiva. “O Brasil observa o mundo e o mundo observa o Brasil”, conforme explica o vice-presidente do TSE, ministro Edson Fachin.

MC/CM

Fonte: TSE

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Renato Nery: sua morte exige voz, justiça e memória

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A morte brutal do advogado e ex-presidente da OAB-MT, Dr. Renato Gomes Nery, não pode ser tratada com indiferença. Trata-se de um crime que atinge diretamente a advocacia e a democracia. Renato foi um homem honrado, combativo e comprometido com a justiça — sua memória exige respeito e posicionamento firme por parte da sociedade e das instituições.

É inaceitável que um colega de trajetória tão marcante seja silenciado sem uma reação proporcional à gravidade do que ocorreu. Tive a honra de iniciar minha vida institucional na OAB-MT como conselheiro estadual em sua gestão. Conheci de perto o homem e o advogado.

Como ex-presidente da OAB-MT, tenho a obrigação de falar de Renato Nery. Não posso me calar diante da execução de um colega que também ocupou essa honrosa função. A presidência da Ordem não é apenas um cargo: é um compromisso com a defesa intransigente da advocacia e da democracia. Renato honrou essa missão com coragem, combatividade e senso de justiça.

A execução do colega, agora apontada pelas investigações como motivada por disputas fundiárias, exige não apenas uma rigorosa apuração policial, mas também uma profunda reflexão sobre os riscos enfrentados pelos que exercem a advocacia com independência e compromisso. O advogado precisa ter, acima de tudo, segurança para atuar. Sem isso, toda a estrutura democrática se fragiliza.

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É essencial que todos os desdobramentos do crime sejam investigados com máxima seriedade, inclusive aqueles de natureza patrimonial – para afastar oportunistas. Nada pode ser omitido ou minimizado. Só assim evitaremos injustiças irreparáveis e honraremos verdadeiramente a memória de Renato.

Neste momento em que prisões foram realizadas, inclusive de pessoas apontados como mandantes, é justo reconhecer o trabalho diligente dos órgãos de segurança pública, especialmente da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa. A atuação firme e técnica tem sido crucial para elucidar os fatos e oferecer respostas à sociedade.

À família de Renato, deixo minha solidariedade mais sincera. Que o legado de integridade, coragem e compromisso deixado por ele sirva como farol para todos os que ainda acreditam no poder transformador da advocacia e na força da verdade.

Renato Nery merece ser lembrado, respeitado e defendido — em vida e na memória. Seu nome não pode ser esquecido, nem a sua luta ignorada.

Por Ussiel Tavares, advogado e ex-presidente da OAB-MT

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