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Luís Roberto Barroso despede-se do Plenário do TSE nesta quinta-feira (17)

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A sessão plenária do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) desta quinta-feira (17), às 10h, será a última presidida pelo ministro Luís Roberto Barroso, que encerra o segundo biênio como ministro efetivo e a gestão à frente da Presidência da Corte Eleitoral. Na próxima terça-feira (22), os ministros Edson Fachin e Alexandre de Moraes serão empossados, respectivamente, presidente e vice-presidente da Corte Eleitoral.

Defesa da verdade e transparência

A gestão do ministro Barroso foi marcada pela organização e realização, com segurança e transparência, das Eleições Municipais de 2020, em plena pandemia de covid-19, bem como pelo combate à desinformação acerca da Justiça Eleitoral e do sistema eletrônico de votação, que é adotado no Brasil, sem qualquer registro de fraude, desde 1996.

Para isso, na gestão do ministro Luís Roberto Barroso, o TSE firmou acordos de cooperação com agências de checagem de fatos e com plataformas digitais e redes sociais (WhatsApp, Instagram, FacebookTwitterGoogleTikTok), para promover a divulgação de conteúdo genuíno e conter a disseminação de notícias falsas que possam colocar em risco a legitimidade e a estabilidade do processo eleitoral brasileiro.

Nesta terça-feira (15), o Tribunal firmou novos memorando de entendimento com plataformas digitais para a coordenação de esforços no combate à disseminação de desinformação nas Eleições Gerais de 2022. Os acordos foram celebrados com o WhatsApp, Facebook, Google, TwitterTikTok e Kwai. O objetivo é estabelecer uma parceria até o dia 31 de dezembro deste ano para o enfrentamento das notícias falsas divulgadas contra o processo eleitoral, principalmente para garantir a legitimidade e a integridade do pleito.

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Na gestão de Barroso, o TSE implementou o modelo 2020 da urna eletrônica, que traz diversas inovações frente aos modelos anteriores que ainda estarão em uso nas eleições de outubro deste ano. Também o aplicativo e-Título passou a ter a empregabilidade ampliada, passando a possibilitar, por exemplo, que a eleitora ou o eleitor pudessem justificar a ausência às urnas em novembro de 2020.

O ministro Barroso se empenhou de forma especial para garantir a ampla transparência do processo eleitoral de 2022, instituindo a Comissão de Transparência nas Eleições e o Observatório da Transparência nas Eleições, com a incumbência de acompanhar cada etapa da preparação e da realização do pleito deste ano.

Além disso, a gestão de Barroso promoveu a antecipação em seis meses da abertura dos códigos-fonte do sistema eletrônico de votação e da urna eletrônica, além de ter ampliado o número previsto de urnas que serão auditadas nos Testes de Integridade que serão realizados nos dias de votação.

Reconhecimento do sucessor

A atuação destemida e entusiasmada de Luís Roberto Barroso à frente do TSE foi marcante também para seus pares. Para o colega de bancada no Supremo Tribunal Federal (STF) e sucessor na Corte Eleitoral, ministro Edson Fachin, “à Presidência do TSE acorreram a mente e o coração do ministro Luís Roberto Barroso”. Segundo ele, ao fim do mandato do antecessor, a Justiça Eleitoral terá conhecido “a ousadia, a firmeza e a serenidade de um magistrado pleno e um gestor exemplar. Bem haja à Presidência do ministro Barroso no TSE, um indelével serviço à Justiça e à democracia”, saúda.

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Para Fachin, o ministro Barroso atuou ao enfatizar o papel histórico e constitucional da Justiça Eleitoral, como árbitro seguro das questões da democracia. Citando o juiz presidente da Suprema Corte dos Estados Unidos, John Roberts, que afirmou que “os juízes são como árbitros, e árbitros não fazem as regras, simplesmente as aplicam”, Fachin traça um paralelo com a Justiça Eleitoral: “Engana-se quem pensa que, em assim sendo, o papel é passivo, porquanto são os juízes e as juízas eleitorais que garantem que todos joguem de acordo com as regras”.

Perfil

Ministro do STF desde 26 de junho de 2013, Luís Roberto Barroso passou a integrar o TSE como ministro substituto em setembro de 2014. O primeiro biênio como membro efetivo da Corte Eleitoral começou em 27 de fevereiro de 2018. Naquele mesmo ano, em agosto, foi eleito vice-presidente do TSE, sendo empossado presidente do Tribunal no dia 25 de maio de 2020.

Barroso é natural da cidade de Vassouras (RJ). É doutor em Direito Público pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e professor titular de Direito Constitucional na mesma instituição. É autor de diversos livros sobre Direito Constitucional e de inúmeros artigos publicados em revistas especializadas no Brasil e no exterior. Ele também foi procurador do estado do Rio de Janeiro.

RG/LC, DM

Fonte: TSE

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Renato Nery: sua morte exige voz, justiça e memória

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A morte brutal do advogado e ex-presidente da OAB-MT, Dr. Renato Gomes Nery, não pode ser tratada com indiferença. Trata-se de um crime que atinge diretamente a advocacia e a democracia. Renato foi um homem honrado, combativo e comprometido com a justiça — sua memória exige respeito e posicionamento firme por parte da sociedade e das instituições.

É inaceitável que um colega de trajetória tão marcante seja silenciado sem uma reação proporcional à gravidade do que ocorreu. Tive a honra de iniciar minha vida institucional na OAB-MT como conselheiro estadual em sua gestão. Conheci de perto o homem e o advogado.

Como ex-presidente da OAB-MT, tenho a obrigação de falar de Renato Nery. Não posso me calar diante da execução de um colega que também ocupou essa honrosa função. A presidência da Ordem não é apenas um cargo: é um compromisso com a defesa intransigente da advocacia e da democracia. Renato honrou essa missão com coragem, combatividade e senso de justiça.

A execução do colega, agora apontada pelas investigações como motivada por disputas fundiárias, exige não apenas uma rigorosa apuração policial, mas também uma profunda reflexão sobre os riscos enfrentados pelos que exercem a advocacia com independência e compromisso. O advogado precisa ter, acima de tudo, segurança para atuar. Sem isso, toda a estrutura democrática se fragiliza.

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É essencial que todos os desdobramentos do crime sejam investigados com máxima seriedade, inclusive aqueles de natureza patrimonial – para afastar oportunistas. Nada pode ser omitido ou minimizado. Só assim evitaremos injustiças irreparáveis e honraremos verdadeiramente a memória de Renato.

Neste momento em que prisões foram realizadas, inclusive de pessoas apontados como mandantes, é justo reconhecer o trabalho diligente dos órgãos de segurança pública, especialmente da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa. A atuação firme e técnica tem sido crucial para elucidar os fatos e oferecer respostas à sociedade.

À família de Renato, deixo minha solidariedade mais sincera. Que o legado de integridade, coragem e compromisso deixado por ele sirva como farol para todos os que ainda acreditam no poder transformador da advocacia e na força da verdade.

Renato Nery merece ser lembrado, respeitado e defendido — em vida e na memória. Seu nome não pode ser esquecido, nem a sua luta ignorada.

Por Ussiel Tavares, advogado e ex-presidente da OAB-MT

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