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“Faremos uma gestão da advocacia para a advocacia”, diz Simonetti em discurso de posse

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Beto Simonetti, conselheiro federal da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) pelo Amazonas, tomou posse nesta terça-feira (1º/2) como novo presidente nacional da instituição. Ele foi eleito na noite de segunda-feira com 77 votos dos 80 válidos. Fechada por causa da pandemia de Covid-19, a cerimônia foi transmitida ao vivo pelo Youtube. O mandato do novo presidente vai de 1º de fevereiro de 2022 a 31 de janeiro de 2025.

Veja aqui a transmissão completa da posse da nova diretoria da OAB Nacional 

No discurso de posse, Simonetti reafirmou seu compromisso de campanha, que é olhar para todas as advogadas e os advogados, independentemente de onde esses estejam atuando.

“Faremos uma gestão da Advocacia para a Advocacia. Isso implica olhar para todo o território, inclusive para as localidades mais distantes. Trabalharemos para levar às localidades remotas ações relacionadas a temas como prerrogativas, jovem advocacia, mulher advogada, direitos humanos, honora´rios, defesa da democracia e outras ações e estruturas que beneficiem diretamente os colegas”.

O novo presidente também ressaltou o maior avanço que a OAB conquistou para a profissão, que é a criminalização das violações das prerrogativas da Advocacia.

“Esse é um esforço de várias gestões. E, por isso, agradeço também aos presidentes Marcus Vinicius Furtado Coêlho, Claudio Lamachia e, mais uma vez, Felipe Santa Cruz. Todos se empenharam diuturnamente para que essa conquista fosse nossa”.

Na abertura da sessão, o presidente que encerra o mandato nesta terça-feira, Felipe Santa Cruz, exaltou a democracia interna da Ordem e cumprimentou a nova diretoria eleita e as autoridades presentes. “Esse é mais um feliz dia para a democracia, da democracia da Ordem dos Advogados, a posse da nova diretoria eleita por estrondosa maioria. Hoje é um dia feliz para mim também, pois entrego a presidência da OAB em boas mãos.”

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Diversidade

No discurso, Simonetti destacou as novas regras de inclusão racial e de gênero na Ordem. “Pela primeira vez, aplicamos a regra que intensifica e acelera a participação feminina nos nossos quadros dirigentes. O resultado é uma Ordem mais diversa, e, portanto, mais apta a confrontar os desafios que o século 21 coloca diante de nós. O efeito prático é a tomada de melhores decisões dentro da OAB, por meio da participação de nossa diversidade nos processos decisórios. Somos quase 1 milhão e 300 mil. Temos que usar nossa diversidade em nosso favor”, disse.

“Cinco seccionais serão comandadas por mulheres nos próximos anos. Da mesma forma, as subseções terão ainda mais lideranças femininas. E as seccionais e as subseções, que são o contato mais imediato da Ordem com a realidade da profissão, ponto de encontro direto com a massa de advogados brasileiros. E não será diferente no pleno do Conselho Federal da OAB onde teremos novas lideranças femininas definindo os rumos da Advocacia”, completou o novo presidente.

Independência

Beto Simonetti afirmou que a nova gestão não atuará como base nem como oposição a governos e a partidos, e que seu maior propósito é unir a classe novamente em torno da Advocacia e da Constituição Federal.

“A OAB terá as portas abertas e a manutenção de suas pontes construídas para defender os interesses de nossa profissão junto a qualquer autoridade legítima. A OAB terá diálogo com todos os Poderes, com todas as instituições da República. Por causa de nossa história, de nossa participação ativa na construção da democracia, somos sempre chamados a participar das grandes questões do país. Neste ano eleitoral, certamente, não será diferente”.

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Simonetti ainda ressaltou que o partido da OAB é a própria OAB, e sua ideologia é a Constituição.

O novo presidente finalizou o discurso clamando pela união da classe. “A nova ordem é união. Porque a união constrói, a união salva, a união educa e a união é o único modo de que nós possamos trazer a Ordem dos Advogados do Brasil à pacificação social”.

Também tomaram posse para a diretoria nacional da OAB os seguintes conselheiros e conselheiras federais:

• Rafael Horn (Santa Catarina), vice-presidente;

• Sayury Otoni (Espírito Santo), secretária-geral;

• Milena Gama (Rio Grande do Norte), secretária-geral-adjunta;

• Leonardo Campos (Mato Grosso), diretor-tesoureiro.

Perfil – Beto Simonetti

José Alberto Simonetti

43 anos

Formado em Direito pela Universidade Nilton Lins

Pós-graduado em direito penal e processo penal pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM)

Principais funções que já desempenhou no Conselho Federal da OAB:

De 2019 a 2022

Conselheiro Federal titular pela OAB-AM

Integrante da Diretoria, como Secretário-Geral

Coordenador Nacional do Exame de Ordem

Coordenador-Geral das Comissões e Procuradorias do Conselho Federal da OAB

De 2016 a 2019

Conselheiro Federal titular pela OAB-AM

Diretor-Geral da Escola Nacional de Advocacia

De 2013 a 2016

Conselheiro Federal titular pela OAB-AM

Ouvidor-Geral da OAB

Presidente da Comissão Eleitoral Nacional

De 2010 a 2013

Conselheiro Federal titular pela OAB-AM

Corregedor do Processo Disciplinar da OAB

Vice-Presidente da Comissão Nacional de Acesso à Justiça

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ARTIGOS

Renato Nery: sua morte exige voz, justiça e memória

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A morte brutal do advogado e ex-presidente da OAB-MT, Dr. Renato Gomes Nery, não pode ser tratada com indiferença. Trata-se de um crime que atinge diretamente a advocacia e a democracia. Renato foi um homem honrado, combativo e comprometido com a justiça — sua memória exige respeito e posicionamento firme por parte da sociedade e das instituições.

É inaceitável que um colega de trajetória tão marcante seja silenciado sem uma reação proporcional à gravidade do que ocorreu. Tive a honra de iniciar minha vida institucional na OAB-MT como conselheiro estadual em sua gestão. Conheci de perto o homem e o advogado.

Como ex-presidente da OAB-MT, tenho a obrigação de falar de Renato Nery. Não posso me calar diante da execução de um colega que também ocupou essa honrosa função. A presidência da Ordem não é apenas um cargo: é um compromisso com a defesa intransigente da advocacia e da democracia. Renato honrou essa missão com coragem, combatividade e senso de justiça.

A execução do colega, agora apontada pelas investigações como motivada por disputas fundiárias, exige não apenas uma rigorosa apuração policial, mas também uma profunda reflexão sobre os riscos enfrentados pelos que exercem a advocacia com independência e compromisso. O advogado precisa ter, acima de tudo, segurança para atuar. Sem isso, toda a estrutura democrática se fragiliza.

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É essencial que todos os desdobramentos do crime sejam investigados com máxima seriedade, inclusive aqueles de natureza patrimonial – para afastar oportunistas. Nada pode ser omitido ou minimizado. Só assim evitaremos injustiças irreparáveis e honraremos verdadeiramente a memória de Renato.

Neste momento em que prisões foram realizadas, inclusive de pessoas apontados como mandantes, é justo reconhecer o trabalho diligente dos órgãos de segurança pública, especialmente da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa. A atuação firme e técnica tem sido crucial para elucidar os fatos e oferecer respostas à sociedade.

À família de Renato, deixo minha solidariedade mais sincera. Que o legado de integridade, coragem e compromisso deixado por ele sirva como farol para todos os que ainda acreditam no poder transformador da advocacia e na força da verdade.

Renato Nery merece ser lembrado, respeitado e defendido — em vida e na memória. Seu nome não pode ser esquecido, nem a sua luta ignorada.

Por Ussiel Tavares, advogado e ex-presidente da OAB-MT

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