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Conselho Federal celebra aniversário de 89 anos da OAB-CE

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Em 30 de março de 1933, era instalada a seccional do Ceará da OAB. Nesta quarta-feira (30/3), a entidade completa 89 anos. De acordo com trechos da ata de fundação: “No dia 7 de janeiro, o relógio da Coluna da Hora da Praça do Ferreira assinalava catorze horas, e o presidente da época, Edgar de Arruda, juntamente, com os advogados, José Martins Rodrigues e Clodoaldo Pinto, reuniram-se pela primeira vez para o início da instalação da OAB, no Solar do Pachecão, prédio antigo que ficava no lado norte da Praça do Ferreira”.

“Saudamos a história de lutas e de valorosas contribuições que a OAB do Ceará construiu nesses 89 anos. Celebramos também o presente da seccional, que participa ativamente das ações pelo fortalecimento da profissão e das prerrogativas e do combate permanente ao abuso de autoridade. Trabalhamos juntos para levar à advocacia as soluções para os desafios do dia a dia”, diz o presidente nacional da Ordem, Beto Simonetti.

O presidente da OAB-CE e coordenador do Colégio de Presidentes Seccionais, Erinaldo Dantas, se diz honrado por estar à frente da OAB neste momento. “Há 89 anos, no Solar do Pachecão, que era onde funcionava o Fórum aqui de Fortaleza na época, no centro da cidade, a advocacia se reunia e decidia pela criação da OAB”, afirma Dantas. 

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Dantas afirma que a advocacia já existia antes da Ordem, criada para servir à profissão e, por conseguinte, garantir a completude do Estado de Direito. “Neste momento em que a OAB aniversaria, é o tempo de a gente renovar os votos de uma instituição que tem como compromisso primeiro servir à advocacia, garantir o exercício profissional, facilitar o acesso à Justiça e, por consequência, garantir que a cidadania seja atingida na sua plenitude.”

O livro histórico que contém a ata de criação reúne cerca de 150 páginas escritas à mão, com os primeiros registros da Ordem cearense, de 7 de janeiro de 1933 a 15 de setembro de 1941. Pensando na importância de manter a história preservada e no zelo pela manutenção de documentos e outros objetos antigos, a diretoria da OAB-CE, na gestão 2022-2025, instituiu um grupo de trabalho de resgate da memória da instituição, encabeçado pelo membro honorário vitalício Hélio Leitão. 

A celebração ficou marcada para o dia 30 de março, por ter sido a data em que foi reunida a primeira assembleia para compor a diretoria da OAB-CE. A formação era a seguinte: Edgar de Arruda na presidência; Dolor Uchoa Barreira na vice-presidência; Francisco Sabóia na primeira-secretaria; Clodoaldo Pinto na segunda-secretaria; e José Martins Rodrigues na tesouraria. Essa foi a efetiva instalação da Ordem dos Advogados do Brasil no Ceará.

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Pioneira

Desde aquele primeiro ano, a OAB-CE teve uma mulher advogada inscrita: a primeira foi Lucrécia Pinho, com inscrição de número 140, efetivada em 1933, ano de fundação da seccional cearense. Anos mais tarde, Lucrécia foi homenageada postumamente na entrega de carteiras especiais do Dia da Mulher, representada pela sua irmã Maria Pinho e pela sobrinha Aline Pinho, como forma de destacar e ampliar a discussão sobre representatividade, ocupação dos espaços e garantia dos direitos das mulheres.

A entidade teve outros nomes de destaque, como o de Wanda Sidou, advogada atuante na defesa de presos políticos. Na época da ditadura militar, enfrentou adversidades, perseguição e ameaças. Teve coragem de defender, em nome dos direitos humanos, pessoas que não tinham condições de pagar pelos honorários. Wanda Sidou inspirou a Comissão de Direitos Humanos da OAB-CE. Hoje, segue como referência, dando nome à comenda criada em 2019, aprovada pelo conselho seccional, destinada às mulheres cearenses que dedicam suas vidas à advocacia, à OAB e às causas sociais.

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Renato Nery: sua morte exige voz, justiça e memória

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A morte brutal do advogado e ex-presidente da OAB-MT, Dr. Renato Gomes Nery, não pode ser tratada com indiferença. Trata-se de um crime que atinge diretamente a advocacia e a democracia. Renato foi um homem honrado, combativo e comprometido com a justiça — sua memória exige respeito e posicionamento firme por parte da sociedade e das instituições.

É inaceitável que um colega de trajetória tão marcante seja silenciado sem uma reação proporcional à gravidade do que ocorreu. Tive a honra de iniciar minha vida institucional na OAB-MT como conselheiro estadual em sua gestão. Conheci de perto o homem e o advogado.

Como ex-presidente da OAB-MT, tenho a obrigação de falar de Renato Nery. Não posso me calar diante da execução de um colega que também ocupou essa honrosa função. A presidência da Ordem não é apenas um cargo: é um compromisso com a defesa intransigente da advocacia e da democracia. Renato honrou essa missão com coragem, combatividade e senso de justiça.

A execução do colega, agora apontada pelas investigações como motivada por disputas fundiárias, exige não apenas uma rigorosa apuração policial, mas também uma profunda reflexão sobre os riscos enfrentados pelos que exercem a advocacia com independência e compromisso. O advogado precisa ter, acima de tudo, segurança para atuar. Sem isso, toda a estrutura democrática se fragiliza.

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É essencial que todos os desdobramentos do crime sejam investigados com máxima seriedade, inclusive aqueles de natureza patrimonial – para afastar oportunistas. Nada pode ser omitido ou minimizado. Só assim evitaremos injustiças irreparáveis e honraremos verdadeiramente a memória de Renato.

Neste momento em que prisões foram realizadas, inclusive de pessoas apontados como mandantes, é justo reconhecer o trabalho diligente dos órgãos de segurança pública, especialmente da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa. A atuação firme e técnica tem sido crucial para elucidar os fatos e oferecer respostas à sociedade.

À família de Renato, deixo minha solidariedade mais sincera. Que o legado de integridade, coragem e compromisso deixado por ele sirva como farol para todos os que ainda acreditam no poder transformador da advocacia e na força da verdade.

Renato Nery merece ser lembrado, respeitado e defendido — em vida e na memória. Seu nome não pode ser esquecido, nem a sua luta ignorada.

Por Ussiel Tavares, advogado e ex-presidente da OAB-MT

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