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Barroso discursa em despedida do Plenário e destaca combate à desinformação

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“E assim se passaram quase dois anos intensos e felizes porque a gente deve cumprir com alegria as missões que a vida nos dá. Poder agradecer é uma benção. Por isso mesmo, minhas palavras são de reconhecimento e gratidão”. Com essa afirmação, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Luís Roberto Barroso, fez o pronunciamento de despedida do Plenário nesta quinta-feira (17).

Leia a íntegra do discurso.

Barroso agradeceu especialmente a equipe de servidores e colaboradores do TSE e também enalteceu o trabalho realizado pelos Tribunais Regionais Eleitorais distribuídos pelo país, responsáveis pelo atendimento ao eleitorado e pela coordenação local dos serviços prestados pela Justiça Eleitoral.

“A primeira e a principal missão do TSE e da Justiça Eleitoral é organizar as eleições. Apesar de a atenção maior recair sobre o dia da votação, há uma imensa gama de preparativos que a antecedem”, disse o ministro, ao listar as atribuições da JE, que vão desde o cadastro das eleitoras e eleitores até a elaboração dos sistemas eleitorais e distribuição das urnas por todo o país.

Desinformação e eleições na pandemia

O presidente do TSE também lembrou passagens significativas da gestão, como a realização das Eleições Municipais de 2020 durante o primeiro ano da pandemia de Covid-19. Segundo o ministro, o episódio representou um grande desafio para a Justiça Eleitoral.

“Em primeiro lugar conseguimos neutralizar a inaceitável proposta que começava a ganhar corpo de cancelamento das eleições que pretendia fazê-las coincidir com as Eleições Gerais de 2022. Em seguida, constituímos uma comissão altamente qualificada composta por médicos infectologistas, sanitaristas e epidemiologistas; um biólogo e um físico especializado em modelagem de epidemias para monitorar a evolução da pandemia”, rememorou Barroso.

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Os acordos firmados com agências de checagem, provedores de internet e plataformas digitais no âmbito do Programa de Enfrentamento à Desinformação; as lives da sérieDiálogos Democráticos, promovida pelo Tribunal para estreitar os laços com o eleitorado; e as medidas adotadas pelo Tribunal para promover a máxima transparência e dar mais publicidade às etapas de auditoria do voto eletrônico também foram alguns dos pontos destacados pelo presidente durante o discurso de despedida do TSE.

O ministro explicou ainda que mesmo que as parcerias feitas com as empresas tivessem o combate às fake news envolvendo o processo eleitoral brasileiro como objetivo em comum, as estratégias firmadas entre o TSE e as plataformas foram traçadas individualmente, de forma a se ter um melhor aproveitamento das ferramentas oferecidas por cada uma delas.

“O foco principal da nossa atuação foi não o controle de conteúdo, mas, sobretudo, dos comportamentos coordenados inautênticos, como o uso de perfis falsos ou duplicados, robôs e trolls, gente contratada para amplificar as notícias falsas”, esclareceu Barroso, que teve o último ano de mandato como presidente do TSE marcado pela defesa contínua do processo eleitoral brasileiro e da integridade do voto eletrônico.

A história no rumo certo

Por fim, Barroso fez referência aos tempos difíceis que atualmente o país enfrenta e reiterou: “a história é uma marcha contínua na direção do bem, da justiça e do avanço civilizatório. Mas nem sempre ela é linear. Por isso mesmo, é preciso interpretar, sem amargura, seus avanços e recuos”.

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Segundo ele, mesmo quando não se percebe da superfície, a história flui como um rio subterrâneo na direção que deve seguir. “Nosso papel, como intelectuais, trabalhadores, estudantes e cidadãos é empurrar a história na direção certa. Mesmo diante de momentos de desalento com as fraquezas humanas e com os desvios de rota, procuro manter uma visão construtiva da vida e dos acontecimentos”, afirmou o ministro, e finalizou: “não importa o que esteja acontecendo à sua volta: faça o melhor papel que puder. E seja bom e correto, mesmo quando ninguém estiver olhando”.

Perfil

Ministro do STF desde 26 de junho de 2013, Luís Roberto Barroso passou a integrar o TSE como ministro substituto em setembro de 2014. O primeiro biênio como membro efetivo da Corte Eleitoral começou em 27 de fevereiro de 2018. Naquele mesmo ano, em agosto, foi eleito vice-presidente do TSE, sendo empossado presidente do Tribunal no dia 25 de maio de 2020.

Barroso é natural da cidade de Vassouras (RJ). É doutor em Direito Público pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e professor titular de Direito Constitucional na mesma instituição. É autor de diversos livros sobre Direito Constitucional e de inúmeros artigos publicados em revistas especializadas no Brasil e no exterior. Ele também foi procurador do estado do Rio de Janeiro.

BA/CM

Fonte: TSE

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Renato Nery: sua morte exige voz, justiça e memória

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A morte brutal do advogado e ex-presidente da OAB-MT, Dr. Renato Gomes Nery, não pode ser tratada com indiferença. Trata-se de um crime que atinge diretamente a advocacia e a democracia. Renato foi um homem honrado, combativo e comprometido com a justiça — sua memória exige respeito e posicionamento firme por parte da sociedade e das instituições.

É inaceitável que um colega de trajetória tão marcante seja silenciado sem uma reação proporcional à gravidade do que ocorreu. Tive a honra de iniciar minha vida institucional na OAB-MT como conselheiro estadual em sua gestão. Conheci de perto o homem e o advogado.

Como ex-presidente da OAB-MT, tenho a obrigação de falar de Renato Nery. Não posso me calar diante da execução de um colega que também ocupou essa honrosa função. A presidência da Ordem não é apenas um cargo: é um compromisso com a defesa intransigente da advocacia e da democracia. Renato honrou essa missão com coragem, combatividade e senso de justiça.

A execução do colega, agora apontada pelas investigações como motivada por disputas fundiárias, exige não apenas uma rigorosa apuração policial, mas também uma profunda reflexão sobre os riscos enfrentados pelos que exercem a advocacia com independência e compromisso. O advogado precisa ter, acima de tudo, segurança para atuar. Sem isso, toda a estrutura democrática se fragiliza.

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É essencial que todos os desdobramentos do crime sejam investigados com máxima seriedade, inclusive aqueles de natureza patrimonial – para afastar oportunistas. Nada pode ser omitido ou minimizado. Só assim evitaremos injustiças irreparáveis e honraremos verdadeiramente a memória de Renato.

Neste momento em que prisões foram realizadas, inclusive de pessoas apontados como mandantes, é justo reconhecer o trabalho diligente dos órgãos de segurança pública, especialmente da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa. A atuação firme e técnica tem sido crucial para elucidar os fatos e oferecer respostas à sociedade.

À família de Renato, deixo minha solidariedade mais sincera. Que o legado de integridade, coragem e compromisso deixado por ele sirva como farol para todos os que ainda acreditam no poder transformador da advocacia e na força da verdade.

Renato Nery merece ser lembrado, respeitado e defendido — em vida e na memória. Seu nome não pode ser esquecido, nem a sua luta ignorada.

Por Ussiel Tavares, advogado e ex-presidente da OAB-MT

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