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Acadêmicos discutem no STF experiência da Assembleia Constituinte de 1923

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Os impactos e as consequências para os dias atuais da instalação da primeira Assembleia Constituinte no Brasil foram foco das palestras dos acadêmicos que participaram de seminário promovido pelo Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quarta-feira (3). “Assembleia Constituinte de 1823: fundamentos do constitucionalismo e da racionalidade jurídica” foi o tema do primeiro painel do evento. Nele, o presidente da mesa, professor Marcos Vinicius Lustosa Queiroz, da Universidade de Brasília (UnB), falou da importância dos debates políticos e jurídicos que foram travados à época.

Segundo ele, a discussão de questões como cidadania, soberania, representação no âmbito da assembleia foi decisiva para definir os rumos que o Brasil tomaria dali por diante. “A luta pela democracia no país não é de hoje, remonta a nossa história”, disse. Ao se referir à iniciativa do STF de organizar o evento, Queiroz disse que as datas comemorativas têm relevante efeito simbólico, pois permitem a retomada de “discussões importantes sobre quem somos e para onde queremos ir”.

A professora e historiadora Andrea Slemian afirmou que a comemoração de datas como o bicentenário da Assembleia Constituinte de 1823 serve para reforçar a importância de refletirmos sobre nosso passado, “que é sempre presente”. Partindo de um caso concreto – a prisão do padre Bernardo José Viegas, em 1823, que escreveu à Assembleia para reclamar de sua prisão sem provas –, a pesquisadora discorreu sobre os avanços e impasses colocados na experiência constitucional do Brasil. Afirmou que a Constituinte “chamou a si a sacralidade de ser um espaço de defesa dos cidadãos” e funcionou como um espaço de recepção de demandas da sociedade.

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O advogado, historiador, professor titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e imortal da Academia Brasileira de Letras Arno Wehling baseou sua apresentação nos seguintes pilares: caracterização do que foi a Assembleia Constituinte de 1823; qual seu grau de ruptura com o passado; como ela se relaciona com o futuro e sua relevância para o constitucionalismo em geral. Para Wehling, a constituinte representou uma ruptura com o passado, na medida em que passou, entre outras conquistas, a enumerar os direitos e dar instrumentos jurídicos para que esses direitos acionassem a máquina constitucional. Para ele, no Brasil, a assembleia funcionou como “uma entrada à cidadania”, com “o direito a ter direito”.

Arno Wehling acrescentou que a constituinte trouxe, ainda, a experiência do embate político parlamentar e de composição política, pois anteriormente, lembra o professor, não havia espaço para “a praça pública, para a imprensa e o parlamento”. Em relação às limitações na experiência brasileira, ele assegura que são as mesmas “de todo o liberalismo”, pois não foram enfrentadas, por exemplo, a questão da escravidão nem dos problemas fundiários.

Desafios e aprendizados

No segundo e último painel do seminário, as palestras repercutiram os desafios enfrentados pelos constituintes na época da elaboração da primeira Carta Magna do país. Sobre esses temas, os palestrantes foram o professor da UnB Menelick de Carvalho Netto e o subprocurador-geral do Trabalho Cristiano Paixão.

Para Menelick, as principais dificuldades enfrentadas pelos constituintes foram a ruptura com o modelo governamental até então vigente e a construção de uma nova identidade nacional. O professor reforçou ainda a opinião dos colegas que compuseram a mesa antes dele sobre a importância da revisão histórica. “Olhar para o passado é sempre necessário e, muitas vezes, urgente, para que possamos reconhecer que já percorremos um bom caminho até aqui, que não foi fácil, e que os retrocessos são sempre possíveis de acontecer.”

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Finalizando as apresentações, o subprocurador-geral do Trabalho Cristiano Paixão tratou de fatos que antecederam a experiência brasileira. “A luta por liberdade já estava acontecendo em diversos locais do mundo”, disse o representante do Ministério Público do Trabalho (MPT).

De acordo com Paixão, a instauração da 1ª Assembleia Constituinte de 1823 mudou os rumos da sociedade brasileira, uma vez que destrinchou paradoxos tanto do discurso iluminista que motivou a revolução francesa quanto dos que foram invocados na independência norte-americana, principalmente sob o aspecto do regime escravocrata. “Aqui, no Brasil, os conceitos de liberdade, igualdade e fraternidade serviriam, naquele momento, para quem?”, questionou Paixão, completando sua ideia: “O estabelecimento do diploma legislativo, seja por meio da Constituição ou de lei específica, é o início de um processo de luta por direitos”.

A mesa de encerramento foi presidida pela professora da UnB Maria Pia Guerra Dalledone, que destacou a importância do aprendizado sobre o bicentenário. “Acredito que a melhor forma de aprender sobre o constitucionalismo no país é pesquisando a história do Brasil. Se a história não nos ensina sobre o futuro, ela nos ensina sobre o momento presente, mostrando desafios, explicando particularidades e a nossa formação.”

WH,PS//VP/AD

Veja imagens do evento aqui.

3/5/2023 – Presidente do STF abre seminário sobre bicentenário da 1ª Assembleia Constituinte

Fonte: STF

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Renato Nery: sua morte exige voz, justiça e memória

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A morte brutal do advogado e ex-presidente da OAB-MT, Dr. Renato Gomes Nery, não pode ser tratada com indiferença. Trata-se de um crime que atinge diretamente a advocacia e a democracia. Renato foi um homem honrado, combativo e comprometido com a justiça — sua memória exige respeito e posicionamento firme por parte da sociedade e das instituições.

É inaceitável que um colega de trajetória tão marcante seja silenciado sem uma reação proporcional à gravidade do que ocorreu. Tive a honra de iniciar minha vida institucional na OAB-MT como conselheiro estadual em sua gestão. Conheci de perto o homem e o advogado.

Como ex-presidente da OAB-MT, tenho a obrigação de falar de Renato Nery. Não posso me calar diante da execução de um colega que também ocupou essa honrosa função. A presidência da Ordem não é apenas um cargo: é um compromisso com a defesa intransigente da advocacia e da democracia. Renato honrou essa missão com coragem, combatividade e senso de justiça.

A execução do colega, agora apontada pelas investigações como motivada por disputas fundiárias, exige não apenas uma rigorosa apuração policial, mas também uma profunda reflexão sobre os riscos enfrentados pelos que exercem a advocacia com independência e compromisso. O advogado precisa ter, acima de tudo, segurança para atuar. Sem isso, toda a estrutura democrática se fragiliza.

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É essencial que todos os desdobramentos do crime sejam investigados com máxima seriedade, inclusive aqueles de natureza patrimonial – para afastar oportunistas. Nada pode ser omitido ou minimizado. Só assim evitaremos injustiças irreparáveis e honraremos verdadeiramente a memória de Renato.

Neste momento em que prisões foram realizadas, inclusive de pessoas apontados como mandantes, é justo reconhecer o trabalho diligente dos órgãos de segurança pública, especialmente da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa. A atuação firme e técnica tem sido crucial para elucidar os fatos e oferecer respostas à sociedade.

À família de Renato, deixo minha solidariedade mais sincera. Que o legado de integridade, coragem e compromisso deixado por ele sirva como farol para todos os que ainda acreditam no poder transformador da advocacia e na força da verdade.

Renato Nery merece ser lembrado, respeitado e defendido — em vida e na memória. Seu nome não pode ser esquecido, nem a sua luta ignorada.

Por Ussiel Tavares, advogado e ex-presidente da OAB-MT

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