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90 anos da Justiça Eleitoral: entenda o que é a função administrativa da JE

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Engana-se quem pensa que a atuação da Justiça Eleitoral (JE) se dá apenas em anos de eleições. A função administrativa da JE, que contempla o gerenciamento de todo o processo eleitoral, ocorre independentemente da existência de um conflito de interesses em busca de solução. É por meio do exercício da função administrativa, que a Justiça Eleitoral sistematiza todas as etapas do processo de eleições: organização do cadastro eleitoral, apuração dos votos, proclamação e diplomação dos eleitos, entre outras.

Por meio do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e dos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs), a JE realiza uma série de atividades, como alistamento eleitoral, transferência de domicílio eleitoral, fixação de locais de funcionamento de zonas eleitorais e adoção de medidas para impedir a prática de propaganda eleitoral irregular.

A advogada Carla Rodrigues, especialista em Direito Eleitoral e membro fundadora da Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político (Abradep), explica a diferença entre as funções administrativa e jurisdicional da Justiça Eleitoral.

“Na função administrativa, inexiste conflito para ser resolvido, e o juiz eleitoral pode agir independentemente de provocação da parte interessada. Na esfera jurisdicional, a Justiça Eleitoral atua na resolução de conflitos sempre que provocada judicialmente”, esclarece.

Dentro da área administrativa, uma das funções exercidas exclusivamente pelo TSE diz respeito à aprovação da divisão dos estados em zonas ou mesmo à criação de novas zonas eleitorais.

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Trabalho contínuo

Em anos não eleitorais, a função administrativa da Justiça Eleitoral é atinente a todo o funcionamento da JE. Um exemplo disso são os trabalhos realizados pelos cartórios eleitorais, responsáveis pela gestão da zona eleitoral e pela escrivania eleitoral, cujas atividades realizadas em anos em que não há pleitos vão da prestação de serviços ao público em geral até o atendimento aos partidos políticos.

Ainda nos anos em que não há eleições, uma série de serviços é oferecida pelos cartórios, como a emissão de certidões para partidos, o recebimento das fichas de apoiamento para a análise de assinaturas de apoiadores de legendas em formação e a recepção das listas de filiados pela Justiça Eleitoral, nos meses de abril e outubro de cada ano.

Para Carla Rodrigues, a função administrativa da JE é parte essencial para a consolidação da democracia nacional. “É a Justiça Eleitoral que prepara, organiza, administra e fiscaliza o processo eleitoral como um todo. Isso garante lisura aos pleitos eleitorais, ao assegurar o respeito às regras eleitorais, sempre com a busca pela normalidade e pela legitimidade das eleições”, ressalta.

Aniversário

Os 90 anos da Justiça Eleitoral serão comemorados no próximo dia 24 de fevereiro, e a contagem regressiva para a data pode ser acompanhada no Portal da JE na internet, onde há um contador localizado no alto da página inicial.

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JM/LC, DM

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Fonte: TSE

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Renato Nery: sua morte exige voz, justiça e memória

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A morte brutal do advogado e ex-presidente da OAB-MT, Dr. Renato Gomes Nery, não pode ser tratada com indiferença. Trata-se de um crime que atinge diretamente a advocacia e a democracia. Renato foi um homem honrado, combativo e comprometido com a justiça — sua memória exige respeito e posicionamento firme por parte da sociedade e das instituições.

É inaceitável que um colega de trajetória tão marcante seja silenciado sem uma reação proporcional à gravidade do que ocorreu. Tive a honra de iniciar minha vida institucional na OAB-MT como conselheiro estadual em sua gestão. Conheci de perto o homem e o advogado.

Como ex-presidente da OAB-MT, tenho a obrigação de falar de Renato Nery. Não posso me calar diante da execução de um colega que também ocupou essa honrosa função. A presidência da Ordem não é apenas um cargo: é um compromisso com a defesa intransigente da advocacia e da democracia. Renato honrou essa missão com coragem, combatividade e senso de justiça.

A execução do colega, agora apontada pelas investigações como motivada por disputas fundiárias, exige não apenas uma rigorosa apuração policial, mas também uma profunda reflexão sobre os riscos enfrentados pelos que exercem a advocacia com independência e compromisso. O advogado precisa ter, acima de tudo, segurança para atuar. Sem isso, toda a estrutura democrática se fragiliza.

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É essencial que todos os desdobramentos do crime sejam investigados com máxima seriedade, inclusive aqueles de natureza patrimonial – para afastar oportunistas. Nada pode ser omitido ou minimizado. Só assim evitaremos injustiças irreparáveis e honraremos verdadeiramente a memória de Renato.

Neste momento em que prisões foram realizadas, inclusive de pessoas apontados como mandantes, é justo reconhecer o trabalho diligente dos órgãos de segurança pública, especialmente da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa. A atuação firme e técnica tem sido crucial para elucidar os fatos e oferecer respostas à sociedade.

À família de Renato, deixo minha solidariedade mais sincera. Que o legado de integridade, coragem e compromisso deixado por ele sirva como farol para todos os que ainda acreditam no poder transformador da advocacia e na força da verdade.

Renato Nery merece ser lembrado, respeitado e defendido — em vida e na memória. Seu nome não pode ser esquecido, nem a sua luta ignorada.

Por Ussiel Tavares, advogado e ex-presidente da OAB-MT

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