AGRONEGÓCIO
Greening ameaça produção de 15,6 milhões de toneladas de laranja
AGRONEGÓCIO
O avanço do greening, doença sem cura que já atingiu quase 100 milhões de laranjeiras no principal cinturão citrícola brasileiro, aumenta a pressão sobre produtores e órgãos de defesa agropecuária. Em São Paulo, citricultores têm até quarta-feira, 15 de julho, para informar as inspeções realizadas no primeiro semestre de 2026.
O relatório deve apresentar os resultados das vistorias trimestrais para cancro cítrico e Huanglongbing (HLB), nome técnico do greening, feitas entre 1º de janeiro e 30 de junho em todas as plantas cítricas da propriedade. As informações precisam ser lançadas no sistema de Gestão de Defesa Animal e Vegetal (Gedave).
A exigência alcança todos os produtores paulistas, independentemente da idade do pomar. O atraso ou a falta de entrega pode resultar nas sanções previstas na legislação estadual. O monitoramento e o controle do psilídeo, inseto responsável pela transmissão da bactéria, também são obrigatórios em pomares novos e adultos.
Os relatórios permitem à Defesa Agropecuária da Secretaria de Agricultura e Abastecimento identificar onde a doença está avançando e direcionar as fiscalizações e outras medidas sanitárias. Para o produtor, a inspeção frequente ajuda a localizar rapidamente as plantas doentes e reduzir o risco de contaminação do restante do pomar.
A dimensão do problema aparece no levantamento mais recente do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus). Em 2025, o greening estava presente em 47,63% das laranjeiras do cinturão formado por São Paulo e pelo Triângulo e sudoeste de Minas Gerais. Um ano antes, o índice era de 44,35%.
A alta foi de 7,4% em um ano. Embora a velocidade de crescimento tenha diminuído, a doença continuou se espalhando. O Fundecitrus calcula que quase 100 milhões das 209 milhões de árvores existentes no cinturão apresentavam contaminação.
A situação é mais grave nos pomares antigos. O greening atingiu 58,43% das árvores com mais de dez anos e 57,79% daquelas com idade entre seis e dez anos. Entre as plantas de três a cinco anos, a incidência foi de 39,18%. Nos pomares de até dois anos, o índice ficou em 2,72%.
Não existe produto capaz de curar uma planta contaminada. Depois da infecção, a bactéria permanece na laranjeira, reduz a produção e prejudica a qualidade dos frutos. A árvore também se transforma em fonte de contaminação para o próprio pomar e para propriedades vizinhas.
O controle depende da combinação de inspeções frequentes, retirada das plantas com sintomas, uso de mudas sadias e manejo do psilídeo. A eliminação rápida é considerada essencial porque o inseto pode adquirir a bactéria em uma árvore doente e levá-la para plantas ainda saudáveis.
A preocupação vai além de São Paulo. Desde julho de 2025, o Brasil possui novas regras nacionais para prevenção e controle do HLB. A Portaria 1.326 do Ministério da Agricultura e Pecuária estabeleceu um padrão mínimo para todo o País, mas autorizou cada órgão estadual de defesa vegetal a adotar procedimentos complementares.
Por isso, não há um único prazo nacional para a entrega de relatórios pelos produtores. A obrigação varia conforme a situação sanitária de cada Estado e as normas locais.
Nos municípios onde o greening está presente e naqueles que fazem divisa com áreas contaminadas dentro do mesmo Estado, a regra federal determina vistorias trimestrais nos pomares comerciais. O objetivo é localizar e eliminar plantas com sintomas.
São Paulo adotou a entrega semestral pelo Gedave, com informações de todas as propriedades citrícolas. Minas Gerais também exige vistorias trimestrais e relatórios semestrais nas áreas alcançadas pela norma. Tradicionalmente, o documento referente ao primeiro semestre deve ser apresentado ao Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) até 15 de julho; o do segundo semestre, até 15 de janeiro do ano seguinte.
No Paraná, onde também há registro da doença, os produtores localizados em municípios com ocorrência e nas cidades vizinhas devem vistoriar os pomares e retirar as plantas com sintomas. A fiscalização é conduzida pela Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), de acordo com a situação de cada região.
Nos Estados sem ocorrência reconhecida, a estratégia é impedir a entrada da bactéria. A norma federal exige levantamento anual para detectar possíveis focos, cadastro georreferenciado das propriedades, monitoramento do psilídeo em áreas consideradas de risco e fiscalização do trânsito de mudas e outros materiais de propagação.
Estados como Sergipe, Bahia e Pernambuco, importantes para a produção do Nordeste, mantêm planos de prevenção ou contingência. Nesses locais, a suspeita de greening deve ser informada imediatamente ao órgão estadual. Também há fiscalização sobre viveiros, mudas e cargas capazes de transportar a praga.
A diferença entre os procedimentos estaduais decorre do modelo adotado pelo programa nacional. O Ministério da Agricultura estabelece as medidas mínimas, mas cabe a cada Estado definir sistemas, formulários, prazos e operações de fiscalização. Dessa forma, o vencimento de 15 de julho informado em São Paulo não deve ser tomado como calendário automático para todos os citricultores brasileiros.
O risco sanitário atinge uma cadeia que deverá produzir 15,62 milhões de toneladas de laranja em 2026, segundo estimativa de maio do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). São Paulo responde por 11,46 milhões de toneladas, ou 73,4% do total nacional.
Minas Gerais aparece na segunda posição, com 1,09 milhão de toneladas, seguido pelo Paraná, com 804 mil toneladas; Bahia, com 633,1 mil; Sergipe, com 386,7 mil; e Rio Grande do Sul, com 378 mil toneladas. Juntos, São Paulo, Minas Gerais e Paraná concentram 85,5% da produção brasileira.
O cinturão de São Paulo e do Triângulo e sudoeste mineiro encerrou a safra 2025/26 com 292,94 milhões de caixas de 40,8 quilos, de acordo com o Fundecitrus. A doença está entre os fatores que aumentam a queda prematura dos frutos e reduzem o aproveitamento da produção.
O Brasil ocupa posição central no mercado internacional. O País responde por aproximadamente três quartos do comércio mundial de suco de laranja e exportou cerca de 2,2 milhões de toneladas de laranja e derivados em 2025. As vendas externas movimentaram aproximadamente R$ 16,1 bilhões, pela conversão dos dados oficiais à cotação de R$ 5,12.
Nos cinco primeiros meses de 2026, os embarques chegaram a aproximadamente 900 mil toneladas, com receita próxima de R$ 4,47 bilhões. Países Baixos concentraram 36,8% das vendas, seguidos por Estados Unidos, com 29,1%, e Bélgica, com 20,4%. Os dados reúnem laranja fresca ou seca e suco congelado, conforme classificação do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
Os Estados Unidos, isoladamente, receberam 307,7 mil toneladas de suco brasileiro na safra 2024/25 e responderam por 41,7% dos embarques, atrás apenas do mercado europeu. As vendas ao país movimentaram cerca de R$ 6,71 bilhões, após conversão pela mesma cotação. Os dados são da Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos.
O peso da citricultura paulista e a concentração dos embarques de suco aumentam o alcance econômico do greening. A perda de árvores reduz a oferta de fruta para a indústria, eleva o custo de produção e obriga o citricultor a gastar mais com inspeção, controle do inseto, retirada de plantas e renovação do pomar.
A doença também ameaça propriedades que fazem o manejo correto. Plantas contaminadas mantidas em pomares comerciais, quintais, chácaras ou áreas urbanas podem funcionar como reservatório da bactéria e alimentar novas infestações.
Para o produtor paulista, a obrigação imediata é concluir o levantamento do primeiro semestre e entregar as informações pelo Gedave até 15 de julho. Depois do relatório, o trabalho continua no campo: inspecionar as árvores, controlar o psilídeo e eliminar rapidamente as plantas com sintomas. Sem cura disponível, impedir que uma árvore doente contamine as demais continua sendo a principal defesa da citricultura brasileira.
Fonte: Pensar Agro
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Brasil reforça compromisso com pesca e aquicultura sustentáveis e segurança alimentar na FAO
O Brasil reforçou o compromisso com a pesca sustentável, a aquicultura responsável e a segurança alimentar durante a 37ª Sessão do Comitê de Pesca da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), em Roma, na Itália. A participação ministerial marca o retorno do Brasil ao principal fórum internacional de discussão sobre pesca e aquicultura após 14 anos.
Em seu discurso inaugural, o ministro da Pesca e Aquicultura, Edipo Araujo, destacou a recriação do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), em 2023, e a importância do setor para a segurança alimentar e nutricional. O ministro também ressaltou que o Brasil deixou o Mapa da Fome da FAO em 2025.
“Temos a convicção de que a pesca e a aquicultura são fundamentais para sistemas alimentares mais sustentáveis, resilientes e diversificados”, afirmou.
Ciência e sustentabilidade
Entre os avanços apresentados está a reconstrução da série histórica da pesca marinha brasileira, de 1950 a 2025, e o desenvolvimento de uma plataforma para ampliar o acesso e a transparência dos dados pesqueiros. O Brasil também restabeleceu o Grupo Técnico Interministerial para prevenção e combate à pesca ilegal, não declarada e não regulamentada (INDNR) e vem preparando suas equipes para a implementação do Acordo sobre Medidas do Estado do Porto. Com cerca de 1,7 milhão de pescadores e pescadoras, o país defende uma gestão pesqueira baseada em ciência e evidências, aliada à conservação dos ecossistemas aquáticos.
Aquicultura e mudanças climáticas
Na aquicultura, o Brasil está construindo o Plano Nacional da Aquicultura, com diretrizes para os próximos dez anos e foco em investimentos, inovação, sustentabilidade e agregação de valor. O país também trabalha para ampliar a resiliência das comunidades pesqueiras e aquícolas diante das mudanças climáticas, por meio do Plano Clima, além de fortalecer a assistência técnica, a extensão e o acesso ao crédito. Outra prioridade é ampliar o consumo de pescado e sua presença nos programas de alimentação escolar, contribuindo para a segurança alimentar e fortalecendo a cadeia produtiva.
Valorização da pesca artesanal
O ministro destacou ainda a realização da Cúpula da Pesca de Pequena Escala, realizada em Roma, e reforçou a importância da participação dos pescadores na construção das políticas públicas. No Brasil, esse compromisso está refletido na construção do Plano Nacional da Pesca Artesanal, voltado ao fortalecimento do setor e ao reconhecimento de sua importância para a segurança alimentar, a geração de renda e as economias locais. No cenário internacional, o Brasil também destacou a presença dos alimentos aquáticos nas discussões do G20, dos BRICS e da COP30 e COP15 da CMS.
Ao concluir, o ministro reafirmou que pesca sustentável, aquicultura responsável, segurança alimentar, geração de renda e conservação dos recursos aquáticos são agendas inseparáveis.“O Brasil reafirma seu compromisso com a cooperação internacional e com uma gestão pesqueira baseada na ciência, em dados de qualidade e na participação dos pescadores.”
ASCOM
Ministério da Pesca e Aquicultura
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