AGRONEGÓCIO
MMA e Ibama pedem para entrar no processo do Cade
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O Ministério do Meio Ambiente (MMA) e o Ibama pediram para participar como terceiros interessados no processo que tramita no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) sobre a Moratória da Soja (saiba mais aqui). A iniciativa marca a primeira defesa formal do poder público em favor do pacto, que restringe a compra de grãos produzidos em áreas desmatadas da Amazônia.
O pedido foi apresentado pela Advocacia-Geral da União, que argumenta que a participação do MMA é estratégica para integrar a moratória às políticas de combate ao desmatamento, enquanto o Ibama reforça sua atuação fornecendo dados técnicos e apoiando a fiscalização.
A medida surge em meio a uma disputa no Cade, aberta por representantes do setor agropecuário, como associações de produtores e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que acusam grandes exportadoras de grãos de formarem cartel e trocarem informações sensíveis. Em agosto, o Cade havia determinado a suspensão de auditorias e relatórios da moratória, mas a decisão foi temporariamente suspensa pela Justiça Federal.
Criada em 2006, a Moratória da Soja surgiu como resposta à pressão internacional para evitar que a expansão agrícola avançasse sobre áreas de floresta na Amazônia. O acordo se tornou referência global em rastreabilidade ambiental, proibindo a compra de soja cultivada em regiões desmatadas após a data de corte. Apesar disso, muitos produtores consideram que a moratória vai além do necessário, já que o Código Florestal brasileiro já garante a preservação de 80% das propriedades na Amazônia.
O debate atual no Cade combina questões ambientais, regulatórias e de concorrência. Para o setor, a controvérsia aumenta a insegurança jurídica, já que envolve decisões que podem impactar a produção e o comércio de soja no país. O julgamento final ainda não tem data definida, e a expectativa do agro é de que o tema seja analisado com atenção para equilibrar sustentabilidade e produtividade.
Fonte: Pensar Agro
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Nova proposta pode destravar até R$ 800 bilhões em crédito para o agronegócio
A modernização do sistema de financiamento do agronegócio voltou ao centro da agenda política com a apresentação de um novo pacote de medidas que pode ampliar de forma significativa o volume de recursos disponíveis ao setor. Batizado de “Lei do Agro 3”, o conjunto de propostas foi apresentado à Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e prevê mudanças estruturais no crédito rural e no acesso ao mercado de capitais.
A proposta nasce dentro da Câmara Temática de Modernização do Crédito Agropecuário (ModerCred), do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), e reúne ajustes em 11 frentes, incluindo a Cédula de Produto Rural (CPR), os fundos de investimento do agro, garantias, subvenções, títulos privados e acesso a capital estrangeiro.
O impacto potencial é relevante. Pelas estimativas apresentadas ao grupo, as mudanças podem permitir a incorporação de mais de R$ 800 bilhões em operações via CPR, ampliando o peso do mercado privado no financiamento da produção agrícola.
Hoje, o setor ainda depende fortemente do crédito subsidiado do Plano Safra. No mercado de capitais, a participação do agro gira em torno de 3%, segundo dados apresentados no encontro, o que indica amplo espaço para crescimento. A estratégia da proposta é justamente reduzir essa dependência, ampliando fontes alternativas de financiamento.
Entre os pontos centrais está a ampliação do uso de instrumentos privados e a melhoria das garantias, com ajustes legais que buscam dar mais segurança jurídica às operações. Também estão previstas mudanças para facilitar a entrada de capital estrangeiro, visto como uma fonte de recursos mais baratos em comparação às taxas praticadas no mercado doméstico.
Outro eixo relevante é a reorganização do sistema de registro de garantias e a padronização de custos cartoriais, temas que hoje encarecem e dificultam o acesso ao crédito, especialmente para médios produtores.
A proposta também dialoga com um dos principais gargalos atuais do setor: o endividamento rural. A expectativa é que a modernização do crédito ajude a criar novas alternativas de financiamento, reduzindo a pressão sobre os programas oficiais e abrindo espaço para reestruturação financeira de produtores.
Apesar do avanço na agenda de crédito, o ambiente regulatório ainda preocupa. A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) aponta que pontos importantes da reforma tributária seguem sem definição, especialmente em relação ao aproveitamento de créditos fiscais, à lista de insumos beneficiados e às obrigações acessórias do produtor rural.
Na avaliação do setor, a falta de clareza nesses pontos mantém a insegurança jurídica e pode elevar o custo de conformidade, afetando diretamente a competitividade do agro.
No conjunto, a chamada “Lei do Agro 3” sinaliza uma tentativa de mudança estrutural no financiamento do setor. Se avançar, a proposta pode reduzir a dependência de recursos públicos e ampliar o acesso a capital — mas o impacto dependerá da capacidade de transformar as medidas em regras efetivas e acessíveis ao produtor na ponta.
Fonte: Pensar Agro
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