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Comissão da Mulher Advogada prepara amplo calendário de atividades para 2023

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A Comissão Nacional da Mulher Advogada (CNMA) debateu, entre quarta-feira e quinta-feira (18/1 e 19/1), os temas que serão prioritários para o trabalho neste ano. O calendário de atividades também foi discutido, para que as mulheres advogadas sejam atendidas em diversas dimensões, ao longo de todo ano. As articulações seguiram pelos dois dias, passando pelas efemérides mais importantes para a pauta das mulheres, definindo ações, organização das tarefas e reflexão sobre as campanhas de comunicação. 

O grupo também mantém conversas sobre atividades e demandas que fortaleçam o trabalho das diretoras das comissões da Mulher Advogada (CMA) nas seccionais ao longo de 2023. A vocação da OAB para a atenção à sociedade se mostra também na CNMA, que pretende promover ações em escolas e outras instituições, além de cursos de formação.

Um dos planos em elaboração é um curso direcionado às lideranças femininas do Sistema OAB, que envolverá tanto desenvolvimento profissional quanto pessoal, com intuito de investir no desenvolvimento das mulheres. O piloto do projeto de autodesenvolvimento foi em Sergipe e, diante da repercussão positiva nas redes sociais e nas seccionais, a ideia é ampliar e levar para todas as regiões do país. 

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Há a elaboração de cursos de formação para atuação em casos que se enquadram na Lei Maria da Penha, mas também debate com a rede básica de ensino, em conversas sobre o cumprimento da legislação. Desde o ano passado é lei a instituição da “Política de Divulgação da Lei Maria da Penha nas Escolas”, com o objetivo de sensibilizar a comunidade escolar sobre a violência doméstica e familiar contra a mulher. 

Cristiane Damasceno, presidente da CNMA, coordenou os trabalhos. “Começamos este ano com a diretoria da Comissão Nacional da Mulher Advogada preparando os melhores projetos para 2023, visando você, mulher advogada. Discutimos aqui pautas que são de alta relevância para a advocacia feminina. Ainda com a nossa campanha de combate ao assédio, e também apresentação de projetos de lei, de combate à violência doméstica, também política, institucional e processual.”

Advocacia sem assédio e outras campanhas

A presidente explica que o plano é ter uma bandeira prioritária por ano de gestão. Em 2022, a campanha Advocacia sem Assédio teve destaque. Neste ano, ela segue crescendo. Mas outros temas também ganharão atenção e foram definidos e aprofundados na reunião entre Cristiane Damasceno, a vice-presidente, Rejane da Silva Sánchez, a secretária, Christiane Leitão, e a secretária-adjunta, Sinya Gurgel Juarez.  

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 “Nós não nos esquecemos também dos projetos de desenvolvimento pessoal e profissional. Esse ano de 2023 já começou agitado. Estamos trazendo para o mês de março — e eu vou dar um spoiler — o maior projeto de desenvolvimento pessoal e profissional que a advocacia feminina já viu. Para incentivar, motivar, dar ideias, abrir e te tirar da caixa. Abrindo novas e boas possibilidades”, contou Damasceno.

Fonte: OAB Nacional

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Renato Nery: sua morte exige voz, justiça e memória

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A morte brutal do advogado e ex-presidente da OAB-MT, Dr. Renato Gomes Nery, não pode ser tratada com indiferença. Trata-se de um crime que atinge diretamente a advocacia e a democracia. Renato foi um homem honrado, combativo e comprometido com a justiça — sua memória exige respeito e posicionamento firme por parte da sociedade e das instituições.

É inaceitável que um colega de trajetória tão marcante seja silenciado sem uma reação proporcional à gravidade do que ocorreu. Tive a honra de iniciar minha vida institucional na OAB-MT como conselheiro estadual em sua gestão. Conheci de perto o homem e o advogado.

Como ex-presidente da OAB-MT, tenho a obrigação de falar de Renato Nery. Não posso me calar diante da execução de um colega que também ocupou essa honrosa função. A presidência da Ordem não é apenas um cargo: é um compromisso com a defesa intransigente da advocacia e da democracia. Renato honrou essa missão com coragem, combatividade e senso de justiça.

A execução do colega, agora apontada pelas investigações como motivada por disputas fundiárias, exige não apenas uma rigorosa apuração policial, mas também uma profunda reflexão sobre os riscos enfrentados pelos que exercem a advocacia com independência e compromisso. O advogado precisa ter, acima de tudo, segurança para atuar. Sem isso, toda a estrutura democrática se fragiliza.

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É essencial que todos os desdobramentos do crime sejam investigados com máxima seriedade, inclusive aqueles de natureza patrimonial – para afastar oportunistas. Nada pode ser omitido ou minimizado. Só assim evitaremos injustiças irreparáveis e honraremos verdadeiramente a memória de Renato.

Neste momento em que prisões foram realizadas, inclusive de pessoas apontados como mandantes, é justo reconhecer o trabalho diligente dos órgãos de segurança pública, especialmente da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa. A atuação firme e técnica tem sido crucial para elucidar os fatos e oferecer respostas à sociedade.

À família de Renato, deixo minha solidariedade mais sincera. Que o legado de integridade, coragem e compromisso deixado por ele sirva como farol para todos os que ainda acreditam no poder transformador da advocacia e na força da verdade.

Renato Nery merece ser lembrado, respeitado e defendido — em vida e na memória. Seu nome não pode ser esquecido, nem a sua luta ignorada.

Por Ussiel Tavares, advogado e ex-presidente da OAB-MT

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