JURÍDICO
19ª edição do Enja reuniu 3,8 mil jovens advogados em Salvador
JURÍDICO
Após três dias de aprendizados e troca de experiências, chegou ao fim, nesta sexta-feira (2/12), o 19º Encontro Nacional da Jovem Advocacia (Enja), realizado em Salvador. Ao todo, 3,8 mil pessoas participaram das atividades, que contaram com palestras, workshops, debates, talk shows, todos abordando os principais assuntos de interesse dos profissionais de direito, além da realização da 4ª edição da Feira Baiana de Empreendedorismo Jurídico.
“Foi o maior encontro de toda a história do Conselho Federal, de 92 anos. Retomamos com força total após dois anos em razão da pandemia, o que já é um preparativo para a nossa conferência nacional, que será a Conferência das Liberdades, em Minas Gerais, em novembro de 2023. Desse encontro saem muitas perspectivas, muitas prospecções que certamente serão levadas para lá. A Bahia fecha com chave de ouro este evento, com a cara da Bahia e no Dia do Samba. Parabéns à jovem advocacia brasileira”, registrou o diretor-tesoureiro da OAB Nacional, Leonardo Campos.
O encerramento do evento contou com a conferência magna da ministra do Supremo Tribunal Federal Cármen Lúcia. Em sua manifestação, a magistrada parabenizou os jovens advogados pelo evento e desejou que a ética seja o princípio a reger todos os profissionais que estão chegando ao mercado de trabalho. Ela ainda conclamou os presentes a defenderem a democracia como forma de buscar a redução das desigualdades no país e a justiça.
“A democracia no Estado é tanto mais legítima, forte e, principalmente, dada à permanência, à medida em que ela tenha respaldo no caldo da cultura da sociedade. Uma sociedade democrática produz o direito justo e o Estado igualmente democrático. A ideia básica que se tem e você só pode viver achando que está em situação de justiça quando você é respeitado na sua dignidade, principalmente quando você sabe que tem o direito respeitado de ser igual a todos no que é sua dignidade humana e único na sua identidade humana”, defendeu a ministra.
O entusiasmo dos participantes foi destacado pela presidente da OAB-BA, Daniela Borges. “Todos os dias eu aprendi muito e agradeço a troca e oportunidade de ver o brilho nos olhos de cada um de vocês”. A presidente do Conselho Consultivo da Jovem Advocacia da OAB-BA, Sarah Barros, classificou o evento como “a realização de um sonho”.
Também se manifestaram o presidente da Comissão Nacional da Jovem Advocacia, Nil Ferreira, e o coordenador-geral do 19º Enja e diretor-tesoureiro da OAB-BA, Hermes Hilarião. O encontro foi realizado no Centro de Convenções de Salvador. A próxima edição do Enja será realizada no Pará.
Fonte: OAB Nacional
ARTIGOS
Renato Nery: sua morte exige voz, justiça e memória
A morte brutal do advogado e ex-presidente da OAB-MT, Dr. Renato Gomes Nery, não pode ser tratada com indiferença. Trata-se de um crime que atinge diretamente a advocacia e a democracia. Renato foi um homem honrado, combativo e comprometido com a justiça — sua memória exige respeito e posicionamento firme por parte da sociedade e das instituições.
É inaceitável que um colega de trajetória tão marcante seja silenciado sem uma reação proporcional à gravidade do que ocorreu. Tive a honra de iniciar minha vida institucional na OAB-MT como conselheiro estadual em sua gestão. Conheci de perto o homem e o advogado.
Como ex-presidente da OAB-MT, tenho a obrigação de falar de Renato Nery. Não posso me calar diante da execução de um colega que também ocupou essa honrosa função. A presidência da Ordem não é apenas um cargo: é um compromisso com a defesa intransigente da advocacia e da democracia. Renato honrou essa missão com coragem, combatividade e senso de justiça.
A execução do colega, agora apontada pelas investigações como motivada por disputas fundiárias, exige não apenas uma rigorosa apuração policial, mas também uma profunda reflexão sobre os riscos enfrentados pelos que exercem a advocacia com independência e compromisso. O advogado precisa ter, acima de tudo, segurança para atuar. Sem isso, toda a estrutura democrática se fragiliza.
É essencial que todos os desdobramentos do crime sejam investigados com máxima seriedade, inclusive aqueles de natureza patrimonial – para afastar oportunistas. Nada pode ser omitido ou minimizado. Só assim evitaremos injustiças irreparáveis e honraremos verdadeiramente a memória de Renato.
Neste momento em que prisões foram realizadas, inclusive de pessoas apontados como mandantes, é justo reconhecer o trabalho diligente dos órgãos de segurança pública, especialmente da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa. A atuação firme e técnica tem sido crucial para elucidar os fatos e oferecer respostas à sociedade.
À família de Renato, deixo minha solidariedade mais sincera. Que o legado de integridade, coragem e compromisso deixado por ele sirva como farol para todos os que ainda acreditam no poder transformador da advocacia e na força da verdade.
Renato Nery merece ser lembrado, respeitado e defendido — em vida e na memória. Seu nome não pode ser esquecido, nem a sua luta ignorada.
Por Ussiel Tavares, advogado e ex-presidente da OAB-MT
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