JURÍDICO
Ministra Rosa Weber inaugura projeto “Diálogos com o Supremo”
JURÍDICO
A presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Rosa Weber, inaugurou nesta segunda-feira (7), o projeto “Diálogos como o Supremo”, programa de difusão do conhecimento jurídico sobre temas relevantes e atuais, em formato de palestras e exposições. O objetivo é debater temas contemporâneos que provoquem reflexões, aprimorem discussões e fomentem ideias, de modo a contribuir para o fortalecimento do diálogo entre o STF e as demais instituições públicas e privadas e a sociedade civil e acadêmica nacional e internacional.
30 anos de adesão ao Pacto de San José
Na abertura do evento, a presidente da Corte lembrou o aniversário de 30 anos da promulgação do Pacto de San José da Costa Rica no Brasil, em dia 6/11. “Assim como no dia 5 de outubro comemoramos os 34 anos da Constituição Federal de 1988, hoje salientamos a relevância de celebrar os 30 anos da promulgação da Convenção Americana sobre Direitos Humanos, que se fez pelo Decreto 678, de 6 de novembro de 1992, da Presidência da República”, observou.
Segundo ela, em tempos de ataques reiterados à democracia e ao Estado Democrático de Direito, como os atuais, “faz-se imperioso, mais do que nunca, reafirmar a vinculação do Brasil à proteção dos direitos humanos e ao Pacto de San José da Costa Rica, marco significativo do compromisso assumido pelo Estado brasileiro com o respeito, a proteção e a realização de direitos, bem como sua integração ampla e efetiva no sistema interamericano de direitos humanos”.
Exposição
Também foi inaugurada hoje a mostra “Convenção Americana sobre Direitos Humanos – 30 anos da promulgação no Brasil”. Os painéis trazem informações básicas sobre a convenção, infográfico com os países signatários e linha do tempo destacando antecedentes históricos dos direitos humanos na América e a recepção da convenção no Brasil.
De acordo com a ministra Rosa Weber, esse diálogo demonstra a importância da consolidação democrática e humanitária não apenas dentro das fronteiras do Brasil, mas em toda a região, em busca de transformação que proporcione igualdade, inclusão e justiça social. “Almejo que possamos todos refletir, compreender e comungar da identidade interamericana que nos fortalece”, afirmou.
Palestra
A primeira conferência do projeto “Diálogos como o Supremo” foi proferida pelo jurista alemão Armin Von Bogdandy, professor de Direito Público na Alemanha e diretor do Instituto Max Planck de Direito Público Comparado e Direito Internacional Público. O tema foi “O Mandato Transformador do Sistema Interamericano de Direitos Humanos”.
O professor apresentou um conjunto de ideias inovadoras sobre o assunto, desenvolvidas por ele há muitos anos. Ele defende o diálogo entre a Corte Interamericana de Direitos Humanos e as Supremas Cortes da América Latina, a fim de criar uma espécie de direito constitucional comum latino-americano, baseado nos direitos fundamentais.
Durante a palestra, Bogdandy afirmou que as constituições de muitos países passaram por transformações e que o sistema jurídico começou a usar casos concretos de modo a contribuir para uma mudança social profunda e uma inclusão mais democrática. Para o jurista, o constitucionalismo transformador é capaz de enfrentar algumas das grandes mazelas da América Latina em áreas com diversas dificuldades, desde a habitação até circunstâncias complexas como a concretização dos direitos sociais.
No final da conferência, o palestrante respondeu às perguntas enviadas. Estavam presentes os ministros do STF Luís Roberto Barroso e Edson Fachin e a ministra Cármen Lúcia, e, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), a presidente, ministra Maria Thereza, e o ministro Herman Benjamin.
EC//CF
Fonte: STF
ARTIGOS
Renato Nery: sua morte exige voz, justiça e memória
A morte brutal do advogado e ex-presidente da OAB-MT, Dr. Renato Gomes Nery, não pode ser tratada com indiferença. Trata-se de um crime que atinge diretamente a advocacia e a democracia. Renato foi um homem honrado, combativo e comprometido com a justiça — sua memória exige respeito e posicionamento firme por parte da sociedade e das instituições.
É inaceitável que um colega de trajetória tão marcante seja silenciado sem uma reação proporcional à gravidade do que ocorreu. Tive a honra de iniciar minha vida institucional na OAB-MT como conselheiro estadual em sua gestão. Conheci de perto o homem e o advogado.
Como ex-presidente da OAB-MT, tenho a obrigação de falar de Renato Nery. Não posso me calar diante da execução de um colega que também ocupou essa honrosa função. A presidência da Ordem não é apenas um cargo: é um compromisso com a defesa intransigente da advocacia e da democracia. Renato honrou essa missão com coragem, combatividade e senso de justiça.
A execução do colega, agora apontada pelas investigações como motivada por disputas fundiárias, exige não apenas uma rigorosa apuração policial, mas também uma profunda reflexão sobre os riscos enfrentados pelos que exercem a advocacia com independência e compromisso. O advogado precisa ter, acima de tudo, segurança para atuar. Sem isso, toda a estrutura democrática se fragiliza.
É essencial que todos os desdobramentos do crime sejam investigados com máxima seriedade, inclusive aqueles de natureza patrimonial – para afastar oportunistas. Nada pode ser omitido ou minimizado. Só assim evitaremos injustiças irreparáveis e honraremos verdadeiramente a memória de Renato.
Neste momento em que prisões foram realizadas, inclusive de pessoas apontados como mandantes, é justo reconhecer o trabalho diligente dos órgãos de segurança pública, especialmente da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa. A atuação firme e técnica tem sido crucial para elucidar os fatos e oferecer respostas à sociedade.
À família de Renato, deixo minha solidariedade mais sincera. Que o legado de integridade, coragem e compromisso deixado por ele sirva como farol para todos os que ainda acreditam no poder transformador da advocacia e na força da verdade.
Renato Nery merece ser lembrado, respeitado e defendido — em vida e na memória. Seu nome não pode ser esquecido, nem a sua luta ignorada.
Por Ussiel Tavares, advogado e ex-presidente da OAB-MT
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