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STF repudia agressão à ministra Cármen Lúcia e ataques à democracia

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A presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Rosa Weber, abriu a sessão plenária desta quarta-feira (26) reiterando a nota divulgada no sábado 22) em repúdio a agressões sofridas pela ministra Cármen Lúcia em razão de sua atuação no Tribunal Superior Eleitoral e reafirmando que o STF continuará na defesa intransigente do Estado Democrático de Direito, tarefa que lhe foi atribuída pela Constituição Federal.

As ofensas foram proferidas pelo ex-deputado federal Roberto Jefferson, em vídeo divulgado nas redes sociais na sexta-feira (21).

Na nota, Rosa Weber classifica como inadmissíveis condutas covardes em uma democracia, que tem como um de seus pilares a independência da magistratura. “Vossa excelência, ministra Cármen Lúcia, é um expoente dessa Suprema Corte, uma estrela de primeira grandeza, não só da magistratura constitucional como do magistério jurídico. Conta com o nosso incondicional apoio, nosso respeito, admiração e carinho”, declarou.

Estratégias de ódio

Manifestando-se em seguida, o decano do STF, ministro Gilmar Mendes, enfatizou que estratégias de ódio e discursos de radicalização política, amplificados por uma máquina de desinformação, têm comprometido o debate público nas democracias contemporâneas e no Brasil, colocando em risco garantias individuais.

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Mendes pontuou que, nos últimos anos, diversos fatores políticos, econômicos e sociais têm motivado o recrudescimento do discurso populista. A seu ver, uma das causas da decadência democrática no país é a omissão e a conivência de autoridades e instituições que têm o dever de agir para proteger o Estado Democrático de Direito, mas cobiçam papéis que não lhes foram dados.

A muitos desses agentes, disse o ministro, interessa um Supremo Tribunal Federal fraco. “Ameaçar a vida de ministros e de seus familiares, financiar quadrilhas que acampam na Esplanada dos Ministérios, bem como incitar seus comparsas a destruir o Tribunal, tudo isso é política”.

O decano assinalou que, mesmo diante dos mais impensáveis ataques sofridos nos últimos anos e do cenário atual de erosão constitucional, o Estado brasileiro se revelou portador das virtudes republicanas clássicas: a tenacidade, a dignidade e a autoridade. “E por isso lanço o vaticínio: a República sobreviverá. Porque a República é mulher”, concluiu.

Paz social

Em nome do Ministério Público Federal, a vice-procuradora-geral da República, Lindôra Araújo, também lamentou o episódio e ressaltou as qualidades jurídicas e pessoais da ministra Cármen Lúcia. “A Constituição é o único caminho para a ordem e a paz social”, afirmou.

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Pela classe dos advogados, Fernando Neves endossou as manifestações. “Cumprir a Constituição não é favor, é direito, é dever, é uma obrigação de todos e, principalmente, daqueles que compõem este Tribunal”, disse.

Unidade

A ministra agradeceu às manifestações de apoio e reafirmou que, diferentemente do que se diz, o Supremo é um só tribunal, de um país, de um povo, que luta para se fazer cumprir a Constituição. “Não é tarefa simples, menos ainda em horas de tentativa de subversão ou de erosão democrática. Dificuldades fazem parte, mas o Brasil vale a pena, o Estado de Direito vale a pena, a democracia vale o que cada um de nós faz”.

Leia a íntegra do discurso do ministro Gilmar Mendes.

SP//CF

Fonte: STF

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Quem financia a campanha? A prestação de contas também interessa ao eleitor

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Quem financia a campanha? A prestação de contas também interessa ao eleitor

Prazo para a prestação de contas parcial das Eleições 2026 termina neste domingo, 13 de setembro, e mostra por que acompanhar o dinheiro da campanha também faz parte do voto consciente.

Durante uma eleição, o eleitor acompanha pesquisas, propostas, debates, alianças e propaganda. Mas há outro aspecto que também merece atenção: d e onde vem o dinheiro que financia uma campanha e como ele está sendo utilizado.

Neste domingo, 13 de setembro, termina o prazo para que partidos, candidatas e candidatos apresentem à Justiça Eleitoral a prestação de contas parcial das Eleições 2026 . Nela devem constar as movimentações financeiras e os recursos estimáveis em dinheiro registrados desde o início da campanha até 8 de setembro.

A prestação parcial funciona como uma espécie de fotografia financeira da campanha naquele momento. Ela permite verificar quanto foi arrecadado, quem contribuiu, quais despesas foram realizadas e como os recursos estão sendo empregados.

Mas é importante fazer uma distinção: informações financeiras da campanha podem aparecer antes da prestação parcial , porque os recursos recebidos devem ser informados à Justiça Eleitoral durante a própria campanha e os relatórios financeiros podem ser disponibilizados na internet em até 48 horas.

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O dia 15 de setembro representa outro marco. Nessa data, a Justiça Eleitoral divulgará oficialmente, na internet, a prestação de contas parcial consolidada, com indicação dos doadores e dos respectivos valores declarados, observadas as regras de proteção de dados pessoais.

Para o eleitor, essas informações ajudam a enxergar a campanha por outro ângulo. Conhecer propostas é essencial, mas compreender quem financia uma candidatura e para onde o dinheiro está sendo direcionado também contribui para uma escolha mais consciente.

Para candidatos e partidos, a atenção deve ser redobrada. A prestação parcial precisa refletir a movimentação real da campanha. Omissões, inconsistências ou informações incorretas podem repercutir posteriormente na análise das contas eleitorais.

Também é importante lembrar que essa é apenas uma etapa. Após as eleições, haverá a prestação de contas final, quando toda a movimentação financeira da campanha será submetida à análise da Justiça Eleitoral.

A transparência eleitoral não está apenas no discurso do candidato. Ela também está na origem dos recursos, nos gastos realizados e na possibilidade de fiscalização pela sociedade.

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Em uma democracia, saber quem pede o voto é fundamental. Saber quem financia a campanha também.

André Pozeti
Advogado, especialista em Direito Eleitoral, ex-juiz membro do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) e membro da Comissão Eleitoral da OAB/MT.

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