MARCELO NEVES
“Craque” Neto detona Arena Pantanal em seu programa na Band
MARCELO NEVES
O apresentador do programa Os Donos da Bola da Band, o ex-jogador Neto, com sua indignação pela derrota do time do coração para o Cuiabá na noite de terça-feira(07), tratou de criticar a diretoria corintiana, técnico, jogadores e também o centroavante Jô que estava em um pagode na hora da partida.
Porém, ao querer defender o torcedor corintiano e criticar o valor do ingresso, mal soube dizer onde foi realizada a partida e ao ser informado pelo seu colega Veloso que o jogo era em Cuiabá, disse que a cidade tem uma Arena que não serve para nada.
Hoje a Arena Pantanal abriga a Escola Arena (Escola Estadual Governador José Fragelli, para cerca de 400 alunos do 7º ano Fundamental até o 1º ano Médio), a Secretaria Adjunta de Esporte e Lazer do Estado, uma unidade do Detran (Departamento Estadual de Trânsito) e o centro de arrecadação de alimentos do programa Vem Ser Mais Solidário. Serviu como centro de Triagem da Covid-19 no maior pico da pandemia, e além disso serve de área de lazer em seu entorno para o cidadão cuiabano.
Cuiabá tem um time que atualmente joga a Série A do Brasileiro, sediou a final da Supercopa do Brasil este ano entre Atlético-MG x Flamengo, foi palco da Copa América no ano passado e vários times mandaram jogos por aqui, inclusive o time de coração do “craque” Neto.
A Arena Pantanal não é apenas um estádio de futebol, é um complexo que é composto pelo ginásio Aecim Tocantins, que já recebeu Mundial de vôlei, Copa América de Basquete, Copa América de Futsal e vários outros eventos, também compõe o complexo a primeira piscina olímpica do estado de Mato Grosso, que obedece as medidas olímpicas de 50m x 25m e o Palácio das Artes Marciais Lusso Sinohara. Para assegurar a infraestrutura necessária à realização de eventos dos mais variados portes, o complexo conta também com estacionamento, alojamento e auditório.
Portanto “craque”, a Arena Pantanal serve para muita coisa além do futebol, uma pena que você, apresentador de um programa de ampla audiência seja tão pouco informado, e desta forma fala uma enormidade de besteiras para desmerecer um time que venceu o seu e desdenhar de um local que tão bem recebeu seu time de coração.
Espero que após esse pequeno texto você saiba que a Arena Pantanal não é apenas um estádio de futebol e que serve para diversos outros exemplos, entre eles, uma escola, pois com certeza os alunos que passam por ali são mais informados que você.
MARCELO NEVES
Uma Copa do Mundo de contradições
A Copa do Mundo de Clubes entra na última rodada da fase de grupos, e assim como na Copa do Mundo de seleções, surpresas e favoritos mostram sua cara em vários jogos, assim como algumas zebras. E isso tem sido evidente até aqui. Exemplos como empate de um Al-Hilal contra o Real Madrid, vitória do Inter Miami diante do Porto e atuações de equipes periféricas que chamam a atenção.
Com as vitórias de Botafogo diante do PSG, a vitória do Flamengo diante do Chelsea e os empates de Fluminense e Palmeiras frente à Borussia Dortmund e Porto respectivamente, aqueles vira-latas da imprensa brasileira sempre puxam as famosas cartas do “europeu joga sem interesse”, “eles não ligam para o torneio”, “é uma pré-temporada de luxo”, e coisas assim.
Agora esse mesmo vira-latismo (termo muito utilizado por Nélson Rodrigues) começou a usar a desculpa do cansaço e do calor enfrentado pelos times europeus. Mas será mesmo que esses aspectos afetam apenas os times europeus? Em um balanço feito pelo site Sofascore em partidas realizadas nos últimos 12 meses, nenhum time europeu jogou mais de 60 jogos no período, vejam na imagem abaixo:

Ou seja, antes da Copa do Mundo iniciar, o Flamengo foi quem mais atuou no período com 77 jogos disputados, enquanto o time europeu com mais jogos disputados foi o Real Madrid com 62 jogos. Mas aí você pode dizer que os times brasileiros tiveram férias no período enquanto os europeus continuaram atuando.
Então vamos fazer um balanço de fevereiro até o início da Copa do Mundo (entre 1º/02 até 31/05), lembrando que em janeiro as equipes brasileiras já estavam jogando os estaduais em pleno verão. Neste período entre fevereiro e maio quem mais jogou foram Fluminense e Palmeiras, 30 jogos cada um. A equipe europeia que mais atuou no período foi o PSG com 28 jogos.
Ainda em comparação, o Flamengo também fez 28 jogos enquanto o Chelsea entrou em campo 23 vezes. O Botafogo entrou em campo 26 vezes, o Real Madrid jogou 27 jogos, assim como a Inter de Milão. Já o Bayern entrou em campo 21 vezes e o Porto apenas 17 jogos.
É óbvio que são momentos distintos, enquanto as partidas dos europeus é na fase final da temporada, os times brasileiros estão na fase inicial. E ainda assim, o número de lesões musculares nos times brasileiros foi superior ao dos times europeus no mesmo período.
Quando a disputa é do Mundial de Clubes, realizado em dezembro, os europeus estão no meio da temporada, enquanto os brasileiros estão realizando mais de 70 partidas, e não vemos as desculpas de cansaço por aqui. O Botafogo no ano passado, venceu a Libertadores, três dias depois entrava em campo contra o Palmeiras pelo título brasileiro e no dia seguinte viajou para encarar o Pachuca do México dois dias depois e foi derrotado. Mas a nossa imprensa vira-lata preferiu diminuir o futebol brasileiro o relegando como uma força periférica e enfraquecida diante de continentes como asiático, africano e da América do Norte.
Mas diante dos desempenhos das equipes europeias na Copa do Mundo de Clubes, onde os brasileiros estão fazendo frente e colocando dificuldades nos times de lá, os especialistas brasileiros preferem alegar cansaço, forte calor e desinteresse por parte dos jogadores europeus.
Vamos lembrar que a Copa do Mundo de seleções no ano que vem será disputada no mesmo período de agora e no mesmo país, ou seja, forte calor e final de temporada europeia, será que em caso de fracasso europeu, nossos vira-latas irão alegar as mesmas desculpas atuais?
A verdade é que o futebol brasileiro, especificamente de clubes, tem evoluído muito dentro de campo. Temos visto variações táticas, intensidade alta, aplicação tática dos jogadores, e em várias partidas do campeonato brasileiro o que se vê quando elogiam as partidas é: “parece um jogo da Premier League”.
Vejo nessa Copa do Mundo alguns times da elite mundial, e sim, eles são europeus. Bayer, Real Madrid, PSG, Manchester City, Juventus e Inter continuam sendo favoritos ao título, mas não irei me surpreender caso um time brasileiro vença a competição. A distância não é tão grande assim como querem fazer você pensar.
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