JURÍDICO
Conselho Federal prestigia solenidade dos 90 anos seccional do Paraná
JURÍDICO
O Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil participou nesta terça-feira (15) da solenidade que marcou os 90 anos de fundação da OAB Paraná, em evento realizado na sede da entidade paranaense e que contou com a participação virtual do vice-presidente da OAB Nacional, Rafael Horn, representando o presidente da entidade, Beto Simonetti.
Conduzida pela diretoria eleita da entidade, e contando com a presença de advogados e advogadas da secional paranaense, de ex-presidentes da entidade estadual e do membro honorário vitalício do Conselho Federal Roberto Antonio Busato, o evento foi marcado por homenagens e pronunciamentos que destacaram a importância da atividade na efetivação dos objetivos fundamentais da República e na defesa dos direitos do cidadão, além de uma mesa-redonda sobre o tema “90 anos em defesa da democracia, da cidadania e da justiça”.
“É motivo de enorme orgulho e satisfação ver uma seccional completar 90 anos de existência, ainda mais com uma atuação histórica e destacada na defesa dos direitos do cidadão e seu inviolável direito a uma representação digna, livre de constrangimentos à profissional da advocacia. A OAB Nacional celebra esta data e saúda a presidente Marilena Winter e sua diretoria por este momento marcante da advocacia paranaense”, destacou o presidente Beto Simonetti, que estava em viagem a Rondônia.
Presente virtualmente à solenidade, o vice-presidente nacional, Rafael Horn, fez a sua saudação enaltecendo o trabalho da seccional paranaense. Lembrou que tanto a OAB do Paraná como a OAB Santa Catarina são presididas por mulheres. “Mulheres brilhantes, que trabalham por uma ordem mais fraterna e mais justa”, enfatizou. Para Horn, a OAB do Paraná é paradigma para todas as seccionais do Brasil. “É uma honra saudar essa advocacia vitoriosa, que esperamos continue sendo modelo de atuação em prol das nossas prerrogativas e do Estado democrático de direito”, completou.
Num discurso em que lembrou importantes momento da história da OAB Paraná, a presidente Marilena Winter destacou o compromisso permanente da instituição com a democracia e a missão de representar a cidadania. “Os advogados são a voz da sociedade nestes tempos de calamidade. Não falam por si, mas pelo cidadão injustiçado, esquecido, violado em sua dignidade. Deste cidadão não poderá jamais ser retirada a esperança de postular perante os poderes constituídos a efetivação dos objetivos fundamentais da República: uma sociedade livre, justa e solidária, a erradicação da pobreza e da marginalização, a redução das desigualdades sociais e regionais; a promoção do bem comum, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação. Nossa profissão tem múnus público exatamente para que possamos trabalhar para a concretização desses objetivos”, afirmou.
Marilena Winter também mencionou uma das questões atuais vivenciada pela advocacia e que tem sido uma bandeira da OAB neste momento – a reabertura dos fóruns e o retorno do trabalho presencial dos magistrados. “O acesso ao mundo digital ainda não é universal. O sistema de comunicações que tanto nos vale no Judiciário virtual está sujeito a falhas, a quedas de sinal e nada disso pode interferir na prática de atos essenciais para a ampla defesa e o devido processo legal. Além disso, nem todos os nossos colegas dispõem de espaços que podem ser convertidos em salas de audiência. Portanto, neste momento em que tomamos um tempo para olhar para nossa história e para nossas lutas, precisamos unir nossas vozes no clamor pela reabertura das unidades judiciárias”, destacou.
O evento ainda contou com homenagem à José Augusto Araújo de Noronha e uma homenagem póstuma ao professor René Ariel Dotti, além das presenças do presidente da Caixa de Assistência dos Advogados do Paraná, Fabiano Baracat, do presidente do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, desembargador Ricardo Teixeira, da conselheira federal Silvana Cristina de Oliveira Niemczewski, da conselheira estadual Laísa Vieira, da desembargadora do TJ-PR Regina Helena de Oliveira Portes, do desembargador do TRT-9 Aramis de Souza Silveira, da advogada e ex-conselheira do CNJ Maria Tereza Uille Gomes e do presidente do Instituto dos Advogados do Paraná, Tarcísio Kroetz.
Com informações da OAB-PR
ARTIGOS
Renato Nery: sua morte exige voz, justiça e memória
A morte brutal do advogado e ex-presidente da OAB-MT, Dr. Renato Gomes Nery, não pode ser tratada com indiferença. Trata-se de um crime que atinge diretamente a advocacia e a democracia. Renato foi um homem honrado, combativo e comprometido com a justiça — sua memória exige respeito e posicionamento firme por parte da sociedade e das instituições.
É inaceitável que um colega de trajetória tão marcante seja silenciado sem uma reação proporcional à gravidade do que ocorreu. Tive a honra de iniciar minha vida institucional na OAB-MT como conselheiro estadual em sua gestão. Conheci de perto o homem e o advogado.
Como ex-presidente da OAB-MT, tenho a obrigação de falar de Renato Nery. Não posso me calar diante da execução de um colega que também ocupou essa honrosa função. A presidência da Ordem não é apenas um cargo: é um compromisso com a defesa intransigente da advocacia e da democracia. Renato honrou essa missão com coragem, combatividade e senso de justiça.
A execução do colega, agora apontada pelas investigações como motivada por disputas fundiárias, exige não apenas uma rigorosa apuração policial, mas também uma profunda reflexão sobre os riscos enfrentados pelos que exercem a advocacia com independência e compromisso. O advogado precisa ter, acima de tudo, segurança para atuar. Sem isso, toda a estrutura democrática se fragiliza.
É essencial que todos os desdobramentos do crime sejam investigados com máxima seriedade, inclusive aqueles de natureza patrimonial – para afastar oportunistas. Nada pode ser omitido ou minimizado. Só assim evitaremos injustiças irreparáveis e honraremos verdadeiramente a memória de Renato.
Neste momento em que prisões foram realizadas, inclusive de pessoas apontados como mandantes, é justo reconhecer o trabalho diligente dos órgãos de segurança pública, especialmente da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa. A atuação firme e técnica tem sido crucial para elucidar os fatos e oferecer respostas à sociedade.
À família de Renato, deixo minha solidariedade mais sincera. Que o legado de integridade, coragem e compromisso deixado por ele sirva como farol para todos os que ainda acreditam no poder transformador da advocacia e na força da verdade.
Renato Nery merece ser lembrado, respeitado e defendido — em vida e na memória. Seu nome não pode ser esquecido, nem a sua luta ignorada.
Por Ussiel Tavares, advogado e ex-presidente da OAB-MT
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