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Sessões das Câmaras e Órgão Especial abrem trabalhos do novo triênio

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Primeira, Segunda e Terceira Câmaras do Conselho Federal da OAB, assim como o Órgão Especial da entidade, deram início às atividades da nova gestão (2022-2025) nesta terça-feira (1º), com a realização das sessões para instalação dos trabalhos dos colegiados. Logo após a posse, os três conselheiros federais de cada delegação são distribuídos pelas três Câmaras especializadas, mediante deliberação das próprias delegações das seccionais. O Órgão Especial também é composto por um conselheiro de cada bancada.

A primeira Câmara é responsável por analisar recursos sobre a atividade de advocacia, direitos e prerrogativas dos advogados e estagiários, inscrição nos quadros da OAB, além de incompatibilidades e impedimentos. A presidência dos trabalhos é feita pela secretária-geral da Ordem, Sayury Otoni. “Vamos trabalhar nessa gestão dois aspectos importantes para o andamento dos trabalhos no sistema OAB: a uniformização da jurisprudência da casa e a digitalização dos processos para as seccionais que enfrentam dificuldades ou que ainda não iniciaram esse processo”, afirmou.

Já a Segunda Câmara julga e analisa recursos sobre ética e deveres dos advogados, infrações e sanções disciplinares, editando resoluções regulamentares ao Código de Ética e Disciplina. A responsabilidade pela condução do colegiado é da secretária-geral adjunta, Milena Gama. “A perspectiva é que possamos dar maior celeridade para os processos éticos. Temos recebido uma quantidade de processos que não está fora do que seria razoável, porém, a tendência é que possamos acelerar um pouco mais o julgamento dos processos que chegam ao Conselho Federal”, avaliou.

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A Terceira Câmara, por sua vez, verifica os recursos relativos à estrutura, aos órgãos e ao processo eleitoral da OAB, além de ficar responsável pela análise de relatórios anuais das contas e do balanço da diretoria do Conselho Federal e dos Conselhos Seccionais. O diretor-tesoureiro, Leonardo Campos, será o presidente do colegiado. “A sessão foi fundamental para apresentarmos um roteiro de como se dará o funcionamento e a forma de trabalho da Terceira Câmara nessa gestão. O objetivo do primeiro encontro também foi ouvir os conselheiros, mostrar que estaremos sempre de portas abertas para atender às demandas da advocacia”, ressaltou.

Por fim, o Órgão Especial, encarregado de analisar recursos contra as decisões das Câmaras e resolver conflitos ou divergências entre os órgãos da OAB, também se reuniu para dar início às atividades da gestão. O colegiado é comandado pelo vice-presidente nacional, Rafael Horn. “O principal é a uniformização de jurisprudência e dar segurança jurídica aos julgados no âmbito da OAB. Vamos trazer celeridade, tanto na pacificação das matérias, como também nas respostas às seccionais. Não tenho dúvida de que ao lado dos nossos membros do Órgão Especial nós conseguiremos dar conta do recado e fazer uma excelente gestão”, disse.

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Renato Nery: sua morte exige voz, justiça e memória

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A morte brutal do advogado e ex-presidente da OAB-MT, Dr. Renato Gomes Nery, não pode ser tratada com indiferença. Trata-se de um crime que atinge diretamente a advocacia e a democracia. Renato foi um homem honrado, combativo e comprometido com a justiça — sua memória exige respeito e posicionamento firme por parte da sociedade e das instituições.

É inaceitável que um colega de trajetória tão marcante seja silenciado sem uma reação proporcional à gravidade do que ocorreu. Tive a honra de iniciar minha vida institucional na OAB-MT como conselheiro estadual em sua gestão. Conheci de perto o homem e o advogado.

Como ex-presidente da OAB-MT, tenho a obrigação de falar de Renato Nery. Não posso me calar diante da execução de um colega que também ocupou essa honrosa função. A presidência da Ordem não é apenas um cargo: é um compromisso com a defesa intransigente da advocacia e da democracia. Renato honrou essa missão com coragem, combatividade e senso de justiça.

A execução do colega, agora apontada pelas investigações como motivada por disputas fundiárias, exige não apenas uma rigorosa apuração policial, mas também uma profunda reflexão sobre os riscos enfrentados pelos que exercem a advocacia com independência e compromisso. O advogado precisa ter, acima de tudo, segurança para atuar. Sem isso, toda a estrutura democrática se fragiliza.

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É essencial que todos os desdobramentos do crime sejam investigados com máxima seriedade, inclusive aqueles de natureza patrimonial – para afastar oportunistas. Nada pode ser omitido ou minimizado. Só assim evitaremos injustiças irreparáveis e honraremos verdadeiramente a memória de Renato.

Neste momento em que prisões foram realizadas, inclusive de pessoas apontados como mandantes, é justo reconhecer o trabalho diligente dos órgãos de segurança pública, especialmente da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa. A atuação firme e técnica tem sido crucial para elucidar os fatos e oferecer respostas à sociedade.

À família de Renato, deixo minha solidariedade mais sincera. Que o legado de integridade, coragem e compromisso deixado por ele sirva como farol para todos os que ainda acreditam no poder transformador da advocacia e na força da verdade.

Renato Nery merece ser lembrado, respeitado e defendido — em vida e na memória. Seu nome não pode ser esquecido, nem a sua luta ignorada.

Por Ussiel Tavares, advogado e ex-presidente da OAB-MT

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