VIVALDO LOPES
ESTABILIDADE DO EMPREGO EM MATO GROSSO
VIVALDO LOPES
ESTABILIDADE DO EMPREGO EM MATO GROSSO
Vivaldo Lopes
Na última sexta feira (14), IBGE e FGV, duas das mais respeitadas instituições brasileiras, publicaram pesquisas sobre emprego que, mesmo realizadas de forma independente, mostram um cenário de estabilidade do emprego no Brasil, na região Centro Oeste e em Mato Grosso.
A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua (Pnad-C), do trimestre móvel findo em junho (IBGE), mostra que a taxa de desemprego no país está em 5,4%, a menor da série histórica iniciada em 2012, mostrando estabilidade e até redução em relação ao trimestre anterior e ao mesmo trimestre de 2025. A Região Sul apresenta a menor taxa de desemprego, de 3,2%, mas o Centro Oeste se aproxima do mesmo nível, com taxa de 3,8%.
Os estados com as menores taxas de desemprego são Santa Catarina (2,1%), Mato Grosso (2,2%) e Espírito Santo (2,3%).
A pesquisa Sondagem do Mercado de Trabalho, da FGV, realizada durante o mês de julho, é feita ouvindo diretamente trabalhadores de todos os segmentos e regiões e busca levantar o nível de confiança dos empregados sobre a perspectiva de manter ou perder o emprego nos próximos meses.
Dos trabalhadores ouvidos, 59,3% responderam ser muito improvável ou improvável perder o seu emprego ou sua principal fonte de renda nos próximos meses.
Mesmo em um ambiente de desaceleração da atividade econômica e retração do setor de serviços, responsável por mais de 60% dos empregos do país, os responsáveis pela pesquisa da FGV respondem que, apesar dos dados do IBGE demonstrarem retração, é provável que as empresas do setor não tenham ainda decidido por demissões em massa, salvo algumas exceções de casos já conhecidos de empresas que já enfrentam há anos problemas de gestão, excesso de endividamento e passam por processos de reestruturação.
O comércio do varejo restrito, setor que emprega muito, além de apresentar leve crescimento no volume de vendas em junho e julho, é favorecido pela contratação de vagas temporárias no segundo semestre. Dessa forma, a expectativa do trabalhador é de uma economia mais aquecida no segundo semestre do ano aumentando a demanda por mais postos de trabalho, o que historicamente sempre ocorreu, especialmente no comércio varejista. Além de datas tradicionais como Dia da Criança e Natal, este ano teremos eleições gerais. O conjunto desses fatores pode ter contribuído para a visão mais confiante por parte dos trabalhadores.
A acelerada expansão da agropecuária e da agroindústria explica parte do aumento do emprego na região Centro Oeste e em Mato Grosso. Não significa que o agronegócio responde diretamente pela maior parte dos empregos. Segundo pesquisa do IBGE, no Brasil, o setor agropecuário é responsável por 8% dos empregos formais. Todavia, com a expansão da produção e industrialização o setor impulsiona postos de trabalho em outros segmentos como comércio, agroindústria, logística e inovação tecnológica.
A elevada taxa de juros, instabilidade fiscal doméstica e as incertezas internacionais causadas por insanas guerras e sobretaxas no comércio global atuam como vetores inibidores do aumento da atividade econômica geral e, mais especificamente, no setor de serviços que é o que mais gera empregos.
As duas pesquisas demonstram que, mesmo nesse ambiente hostil, o mercado de trabalho brasileiro prossegue resistente e aquecido.
VIVALDO LOPES
REFORMA TRIBUTÁRIA, DESAFIOS E OPORTUNIDADES
REFORMA TRIBUTÁRIA, DESAFIOS E OPORTUNIDADES
Vivaldo Lopes
A reforma tributária é a mais importante transformação no sistema tributário do Brasil desde 1966 quando foi criado o Código Tributário Nacional, cuja implantação se inicia em 2027 e será concluída em 2033.
O novo sistema de tributação terá alto impacto para estados e municípios.
A principal alteração instituída pela Emenda Constitucional n.132 (2023) e Lei complementar n. 214 (2025) foi a definição de que a tributação do consumo de bens e serviços se dará no local onde são consumidos e não onde são produzidos.
A alteração constitucional optou pelo IVA (imposto sobre valor adicionado) dual, criando a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) que substituirá os tributos federais PIS, Cofins e IPI e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) que substituirá o ICMS (estadual) e ISS (municipal). O IBS gerará receitas para estados e municípios e os recursos da CBS irão para o governo federal. A emenda constitucional estabelece ainda que a alíquota máxima somada dos dois novos tributos não pode ser superior a 26,5%.
A reforma tributária elimina a guerra fiscal entre os estados ao acabar com os incentivos fiscais. Estados ficam impossibilitados de conceder benefícios fiscais para atrair empresas aos seus territórios.
Para compensar possíveis perdas com a retirada dos incentivos fiscais, que pode levar empresas a alterar a localização de suas plantas, foi criado o Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional (FNDR) com o objetivo de transferir recursos da União a estados para financiar políticas de desenvolvimento regional. O FNDR ajuda a mitigar os efeitos da proibição de concessão de benefícios fiscais, mas a política de atração de negócios por meio de concessões tributárias deixa de ser um instrumento de estímulo ao desenvolvimento regional.
A reforma tributária representa para Mato Grosso desafios e oportunidades, por ter uma economia com características de alta sensibilidade à implantação do novo sistema de cobrança tributária.
Os maiores desafios são como manter ou aumentar a receita fiscal dos principais tributos estaduais (ICMS e ISS) contando com um mercado consumidor de apenas quatro milhões de habitantes e como atrair novos negócios sem oferecer incentivos fiscais.
É muito difícil responder este questionamento antecipadamente, antes da efetiva operacionalização do novo sistema tributário do consumo.
Mas é possível apontar algumas evidências, já constatadas em vários estudos e ensaios sobre a reforma tributária.
A despeito do pequeno mercado consumidor, Mato Grosso é a economia que mais cresceu nos últimos trinta anos entre os estados brasileiros. Tem uma das maiores rendas per capita do país e é consumidor líquido de bens e serviços. Isto é, importamos mais serviços e produtos industriais complexos do que exportamos. A maior parte da nossa produção é de bens agropecuários primários que são isentos de tributos ao serem exportados para outros países.
De outro lado, o estado é grande consumidor de bens e serviços tecnológicos e industriais sofisticados, com alto valor agregado. À guisa de exemplo, Mato Grosso é campeão nacional em aquisição de caminhões, tratores, colheitadeiras, implementos agrícolas, jatos executivos e software de gestão. Os tributos cobrados sobre esses bens são pagos nos estados onde estão suas respectivas fábricas. Com a reforma tributária passarão a recolher o IBS e CBS em Mato Grosso onde se dá o consumo.
A janela de oportunidades surge com a possibilidade de aumentar a arrecadação do estado com a simplificação e redução de custos das empresas com apuração, gestão e recolhimento dos novos tributos.
O ICMS é o tributo de maior complexidade do sistema tributário brasileiro. Cada estado tem legislação complexa e específica do ICMS. A reforma tributária vai padronizar a legislação nacionalmente e a arrecadação será efetuada diariamente pela ferramenta tecnológica chamada “split payment”, por meio da rede bancária nacional.
Segundo estudo e metodologia de Gobetti e Monteiro (GOBETTI, Wulff Sérgio) e (MONTEIRO, Priscila Kaiser), Impactos
Redistributivos da Reforma Tributária: Estimativas Atualizadas (IPEA, 2023),os municípios com menores níveis de desenvolvimento econômico e social serão mais beneficiados com a vigência do IBS. Segundo Gobetti e Monteiro, 78% dos municípios brasileiros de pequeno porte e com baixo desenvolvimento terão aumento de receitas com a implantação da reforma tributária.
As pequenas cidades praticamente não arrecadam ISS e possuem pequena participação na parte do ICMS que cabe aos municípios (25% da arrecadação). Passarão a contar com volume maior de recursos compartilhados (equivalentes à soma dos atuais ICMS e ISS) e contarão com uma parte fixa do IBS (5%) que será distribuída igualitariamente aos 142 municípios de Mato Grosso. Além de outros critérios como população, melhorias na aprendizagem e preservação ambiental.
Os gastos tributários de Mato Grosso em 2025, somente com ICMS, foram de R$ 12 bilhões. Com a extinção dos benefícios fiscais, esses recursos comporão a receita do IBS a partir de 2033, aumentando expressivamente o montante a ser repartido entre o tesouro estadual e municípios.
O bom ambiente de negócios e o acelerado crescimento da atividade econômica também atuarão como fatores positivos para ampliar a arrecadação do IBS em Mato Grosso.
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