VÁRZEA GRANDE
Siriri, Cururu e a força feminina marcam segundo dia na FIT Pantanal
VÁRZEA GRANDE
Hoje, em Várzea Grande, as mulheres também tocam a viola de cocho que é um instrumento importante para nossa tradição, mas até então, exclusivamente masculina
A segunda noite da FIT Pantanal 2025, ontem (6), foi marcada pelo brilho cultural de Várzea Grande, que conquistou o público com apresentações de cururu e siriri, sabores típicos e uma quebra de paradigmas que chamou à atenção de visitantes de todas as idades.
De acordo com a tradição, o cururu é uma manifestação cultural exclusivamente masculina, onde homens tocam a viola de cocho e cantam em roda, improvisando versos com temáticas religiosas e populares. Já o siriri é mais inclusivo, dançado por homens, mulheres e crianças. No entanto, em Várzea Grande, essa realidade está mudando.
A AMFMT tem rompido barreiras ao inserir as mulheres também no cururu, tocando a viola de cocho, cantando e se expressando nessa tradição ancestral. “É muito importante estar aqui com o apoio da Prefeitura, pois isso dá visibilidade aos nossos cururueiros e cururueiras. Hoje, em Várzea Grande, as mulheres também tocam a viola de cocho que é um instrumento importante para nossa tradição e participam ativamente das rodas de cururu, siriri e das rezas cantadas. São 15 mulheres entre mais de 30 mestres da cultura popular do nosso Município”, afirmou a presidente da associação.
Entre essas mulheres está Dona Sinhá de 78 anos, símbolo vivo da cultura várzea-grandense. Ela canta, dança, costura, faz doces e mantém viva uma festa tradicional criada por ela, que completa 60 anos em novembro. “A minha vida é a cultura. Já toquei, já cantei, já costurei muita roupa de festa. Enquanto eu estiver viva, essa tradição vai continuar”.
Os grupos “Primos e Primas”, do bairro Capão do Pequi, e “Cururu e Siriri Estrela Divina”, do Jardim Glória I, fizeram história ao subir pela primeira vez no palco principal da feira. Os membros da Associação de Manifestações Folclóricas de Mato Grosso (AMFMT), também circularam pelos corredores levando alegria e tradição com as danças, os cantos e a força das raízes várzea-grandenses.
BEM-VINDO A VÁRZEA GRANDE – No estande, o público se encantou com a hospitalidade e as delícias típicas. A pinga com mel e o caldo de peixe — ofertados em degustações por empresas locais — aqueceram os corações. “Eu não conhecia essa cachaça com mel… é maravilhosa! E o caldo de peixe, então? Uma delícia! Estou conhecendo mais da minha terra e amando cada descoberta”, disse Jucileia Campos, moradora de Várzea Grande.
A cuiabana Sâmia Castro elogiou o visual do estande: “As roupas de chita estão lindas. Vi mulheres de todas as idades dançando. Descobri que a rede que tenho em casa é feita em Várzea Grande e aprendi como ela é tecida. Foi uma surpresa linda”.
Andrei Nunes, levou a mãe que é do interior para visitar a FIT e ficou tocado com a presença feminina na viola de cocho. “Minha mãe ficou encantada. Sabíamos que era tradição dos homens, então ver mulheres tocando e cantando foi um momento de força e beleza”.
O superintendente de Desenvolvimento Econômico e Turismo, Edu Sá, destacou a importância do momento: “É a primeira vez que os grupos de dança tradicional de Várzea Grande se apresentam no palco principal da FIT Pantanal. Eles estão orgulhosos e nós também. Sabemos que fizemos certo ao trazê-los como parceiros”.
O secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Tecnologia e Turismo, Mário Quidá, reforçou o compromisso da gestão municipal. “Nossa prefeita Flávia Moretti, trouxe o que Várzea Grande tem de melhor: cultura, gastronomia, religiosidade e pessoas. O público está encantado e nós estamos mostrando que Várzea Grande é potência cultural e turística”.
Logo na entrada da feira, em um espaço de 36 m² estrategicamente posicionado, o estande de Várzea Grande reúne apresentações culturais, artesanato, degustações gastronômicas e produtos da agricultura familiar em outro pavilhão.
Participam como parceiros institucionais: Cervejaria Dourada, Refrigerantes Marajá, Bebidas Tropical, Mirante das Águas, Subway Couto Magalhães, Grupo Solar Coca-Cola, Várzea Grande Shopping e Hotel Slaviero Slim VG.
A FIT Pantanal segue neste sábado (7) e domingo (8), com visitação das 15h às 22h. Todos os dias o estande de Várzea Grande contará com a presença de artistas locais, mestres da cultura popular, apresentações no palco principal e muito mais para encantar os visitantes.
VÁRZEA GRANDE
“Nenhum gestor teve a coragem de resolver o problema de água de Várzea Grande”, afirma Flávia Moretti na abertura de audiência pública”
Prefeita defendeu legado para o abastecimento de água no município, convocou moradores e órgãos de controle a fiscalizarem a construção novo PMSB que precisa se tornar lei para embasar o novo modelo de gestão dos serviços de água e esgoto
Durante a abertura da audiência pública que discutiu o Plano Municipal de Saneamento Básico (PMSB), a prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti, declarou que o enfrentamento dos problemas históricos de abastecimento de água e esgotamento sanitário é o compromisso central de sua gestão. Em tom combativo, a gestora afirmou que administrações anteriores evitaram aplicar a legislação do setor.
“Vocês vão conhecer tudo o que foi estudado em um ano e quatro meses. Nenhum gestor teve a coragem de fazer isso que pede a Lei do Saneamento Básico. Daqui em diante, fazendo a parte técnica, estamos enfrentando o desafio que outros não tiveram coragem de encarar”, disse.
Ao discursar diante de moradores, a prefeita destacou a pressão dos órgãos de fiscalização e reafirmou a responsabilidade assumida com a cidade. “A água é vida e dignidade. Quando assinei o termo de posse, me comprometi com a população a resolver esse problema. Eu sei o problema de cada bairro”, pontuou.
A secretária de Assuntos Estratégicos, Ina de Maria, reforçou a centralidade dos moradores no debate. “Essa noite é um marco porque sabemos que o maior problema de Várzea Grande é a falta de água. A pessoa mais importante nesta audiência é a população, que sente na pele essa falta”, disse.
Flávia Moretti defendeu o PMSB como um legado permanente. “Não sei se vou estar aqui amanhã, mas nossa equipe quer deixar o legado de ter levado água na torneira das pessoas”, disse.
A prefeita ainda destacou a legalidade de todas as etapas do Plano Municipal de Saneamento Básico e convocou a população e órgãos de controle a atuar diretamente na fiscalização das metas do plano.
“Após essa audiência e de levantarmos todas as demandas apresentadas aqui vamos encaminhar para Câmara de Vereadores para que ser torne lei”, destacou.
A audiência reuniu autoridades que reforçaram a gravidade do cenário e os próximos passos para o município. O vereador Raul Curvo, presidente da Comissão de Água e Esgoto da Câmara e servidor do DAE, declarou apoio à concessão do departamento. “Sei da importância do resultado desse processo para 300 mil habitantes. A Câmara precisa ajudar a aprovar esse plano, pois vamos entregar um recurso natural importante nas mãos da iniciativa privada para resolver o problema”, pontuou.
O presidente do Tribunal de Contas do Estado, Sérgio Ricardo, citou os dados do estudo feito pela FIPE para a cidade, classificando a situação como reflexo de décadas de abandono. “O estudo aponta um cenário de caos. Várzea Grande ficou abandonada por séculos sem planejamento, e isso não é culpa da atual gestão. Precisamos tratar de investimentos na casa dos bilhões e buscar ações emergenciais”, declarou.
Luciane Vilela, promotora representante do Ministério Público, defendeu que a cidade precisa de planejamento contínuo. “Não podemos fazer do município uma colcha de retalhos. Precisamos de metas claras e recursos previstos para que os órgãos de controle possam cobrar a execução”, destacou.
Rogério Nascimento, representante da Agência Reguladora, enfatizou o caráter inédito da fiscalização no estado. “Várzea Grande é o único município acompanhado de perto pela Ager atualmente neste processo de novos serviços de água e esgoto”.
SERVIÇOS JÁ EXECUTADOS – Flávia Moretti também informou que sua gestão foi atrás de recursos, de recuperar estruturas, fizer obras, consertar vazamentos, ampliar redes e construir novos reservatórios.
“Já investimos R$ 7,99 milhões em equipamentos, concluímos a adutora entre a Estação Pari e o Morro do Urubu, com R$ 11,98 milhões, e estamos construindo cinco novos reservatórios, com investimento de R$ 16,39 milhões”, disse
Também citou avanços no esgoto, instalação de hidrômetros, regularização de ligações, e conserto de mais de 2.200 vazamentos.
E citou o TAC Aliança pela Água, com previsão de R$ 60 milhões para ações emergenciais e investimentos na recuperação do sistema que já estão sendo executados, lembrando que esse valor é executado pelo próprio Governo do Estado.
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