Turismo
Torre de Pisa resiste a terremoto mas segue inclinando ano a ano
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Um dos pontos turísticos mais visitados da Europa, a Torre de Pisa, localizada na região da Toscana, na Itália, possui hoje uma inclinação de aproximadamente 4,0 graus e tendência de entortar meio milímetro por ano.
Mas a torre de 57 metros de altura já foi mais torta e, por segurança, teve que passar por correções.
É, no mínimo, uma construção curiosa, cercada de história e engenhosidades, que nem terremoto é capaz de derrubar, segundo o arquiteto Edison Hitoshi Hiroyama, professor do curso de Arquitetura da Faculdade Anhanguera Osasco.
Em entrevista ao Portal iG, Hiroyama conta que a conclusão da obra da torre, entre interrupções e avanços, demorou quase 200 anos.
O início se deu em 1.173 e, 5 anos depois, ela já apresentava problema, o que revela a opção dos construtores, na época, de continuar fazendo a torre inclinada.

“Suas fundações com apenas 3 metros de profundidade não asseguraram estabilidade no subsolo em que estava sendo erguida. Este é o primeiro elemento que explica a sua configuração torta, e que pode ser apontado como um ‘erro’. Mas derrubar e construir outra não foi opção”, afirma.
A construção atingiu o terceiro piso em 1.178; ao todo ela possui oito. Depois disso, devido a um período de grandes conflitos que acometeram aquela região da Itália, as obras ficaram paralisadas por cerca de 100 anos, sendo retomadas somente no ano de 1.272.
Última fase da construção
Atribui-se ao arquiteto Giovanni di Simone o levantamento do quarto ao sétimo andar, utilizando-se de técnicas de compensação para que a inclinação da torre não fosse um impedimento para finalizá-la. Esse segundo ciclo de construção durou até 1.284.
A última fase da construção da Torre de Pisa começou em 1.350 e foi até 1.372, sob a responsabilidade do arquiteto Tommaso Pisano.
Ao final desse processo, os sete sinos foram instalados, cumprindo o seu propósito inicial.

“A construção da Torre de Pisa demorou quase 200 anos e foi marcada pela inclinação que somente aumentou com o passar do tempo ”, ressalta ele.
E por que não cai?
Na opinião do arquiteto, a Torre de Pisa é um claro exemplo da engenhosidade e conhecimento técnico da civilização ocidental da Idade Média.
“Os arquitetos e mestres de obras envolvidos em seus 177 anos de construção, entre pausas e retomadas, utilizaram-se das técnicas construtivas de que dispunham, e que foram embasadas em conhecimentos empíricos”, enfatiza.
Cada um, segundo ele, adotou soluções inventivas para contrabalançar as cargas e preservar o centro de gravidade.
“É no centro de gravidade que se concentra o peso de um objeto, e conhecer a sua localização é importante. No monumento de Pisa, ele fica localizado pouco abaixo do teto do quarto andar, e a sua inclinação atual ainda tem garantido equilíbrio para a torre a partir da posição do centro de gravidade”, explica.

Ainda segundo o arquiteto, a Torre de Pisa pode resistir a terremotos, por não transmitir ressonância como as estruturas comuns.
“Uma das causas de desabamento por terremotos é a chamada ressonância, que ocorre quando a frequência das ondas no terreno é próxima à frequência natural da edificação, e isso intensifica o movimento da estrutura, tendendo à possibilidade de queda. Por ser uma estrutura alta, pesada e sólida, feita sobre um solo argiloso, a Torre de Pisa não transmite ressonância como as edificações comuns”, esclarece ele.
Mas o fato de não ser abalada por terremotos não descarta o risco de ruir por conta do grau de inclinação.

“Ela continua se inclinando e, se atingir um grau de inclinação de 7,6, seu centro de gravidade se projetará para fora do raio de estabilidade estrutural. Neste caso, certamente ela ruiria”, adverte o arquiteto.
A reconstrução a partir de 1990
Hiroyama conta que o maior valor de inclinação da torre registrado até hoje foi o de 5,5 graus, em 1990, o que desencadeou uma força-tarefa, com engenheiros, matemáticos e historiadores, que se reuniram para discutir os métodos viáveis de estabilização.
Várias ideias foram propostas, incluindo a adição de 800 toneladas de contrapesos.
A torre foi fechada ao público naquele ano e a solução para evitar o colapso da torre foi endireitá-la ligeiramente para um ângulo mais seguro, removendo 38 metros cúbicos do solo abaixo.

“Em uma década de reconstrução, a torre foi tracionada até 18 polegadas, ou 45 centímetros, retornando para a posição exata que ocupava em 1.838 ”, revela.
A torre foi reaberta ao público somente em 15 de dezembro de 2001.
Em maio de 2008, após a remoção de mais 70 toneladas de terra, os engenheiros anunciaram que a torre tinha sido estabilizada em tal ordem que havia parado de se mover pela primeira vez em sua história. Eles declararam que seria estável durante pelo menos 200 anos.
Mas, nem por isso, ela deixou de ser monitorada. Isso é feito hoje com tecnologias de ponta e extremamente sofisticadas.
Em 2013, pesquisadores da agência científica nacional da Austrália, a CSIRO, também mapearam todos os cantos da torre usando scanners 3D, criando algumas reconstruções digitais da torre que poderiam ser usadas caso o edifício precisasse de reparos.

É possível corrigir totalmente a inclinação na torre?
O professor Hiroyama diz que é possível, sim, corrigir e eliminar a inclinação da Torre de Pisa.
“Mas isso não faz sentido, visto que o grande foco de interesse está justamente nesta particularidade dela. Além disso, a Torre de Pisa é um bem tombado pela Unesco, na condição de patrimônio cultural da humanidade. Isto lhe confere prestígio internacional e demanda rígidos regramentos no que concerne às práticas de manutenção e preservação de suas características originais”, destaca.
Na sua avaliação, a Torre de Pisa é um fenômeno cultural. Do ponto de vista arquitetônico, é um arremedo de estilos, do romântico ao neoclássico.

“Ela é um elemento ‘menor’ dentro da tríade formada pelos edifícios da Catedralle de Pisa e do Battistero de San Giovanni. É um campanário, cuja função inicial é acomodar os sinos para convocação das cerimônias litúrgicas. Mesmo assim, ela se destaca por suas características peculiares e história fascinante”, conclui o arquiteto Edison Hitoshi Hiroyama, se referindo à composição da Piazza dei Miracoli, ponto turístico de Pisa que atrai 2 milhões de turistas por ano para conferir de perto a torre torta mais popular do mundo.
Fonte: Turismo
Turismo
Mais de 500 mil fiéis são aguardados no Santuário Nacional de Aparecida para a festa da Padroeira
O mês de outubro transforma o interior paulista no principal destino de fé do país. Com a proximidade do Dia de Nossa Senhora Aparecida, celebrado em 12 de outubro, a cidade se prepara para receber uma multidão de devotos. A expectativa para este ano é superar o patamar de 500 mil fiéis, registrado na festividade do ano passado. A movimentação intensa de romeiros, turistas e moradores ocorre de forma concentrada, entre os dias 3 e 12 de outubro, período que engloba a tradicional novena e as principais celebrações no maior templo católico do Brasil.
De acordo com os dados do Centro de Inteligência da Economia do Turismo (CIET), o feriado prolongado deve movimentar cerca de R$ 3,59 bilhões no turismo paulista. A rede hoteleira também sente o impacto desse aquecimento, com uma ocupação média projetada em 75%, em todo o estado.
Para quem planeja viajar para a região do Vale do Paraíba, a principal recomendação é garantir a hospedagem com antecedência. Buscar por reservas em cidades vizinhas e integradas à região turística costuma ser uma excelente alternativa para encontrar disponibilidade e tarifas mais acessíveis, aproveitando a infraestrutura de apoio do entorno para realizar o bate-volta até o Santuário.
Planejamento
Chegar a Aparecida durante os dias de festividade exige organização prévia e atenção redobrada, independentemente do meio de transporte escolhido. Para milhares de devotos, a jornada ganha um significado ainda maior quando feita a pé ou de bicicleta, tradicionalmente pelas rotas de peregrinação, como o famoso Caminho da Fé, que guia os fiéis em um misto de superação física, contato com a natureza e espiritualidade.
Como as estradas de acesso e os acostamentos das rodovias recebem um grande volume de romeiros caminhando em direção à Basílica, os motoristas devem reduzir a velocidade e redobrar a atenção ao longo de todo o trajeto.
Para quem vai de carro, é fundamental realizar a revisão preventiva e estruturar o roteiro para evitar os horários de maior pico de trânsito.
Já os peregrinos devem manter a hidratação em dia e usar roupas claras ou faixas refletivas. Acompanhar os horários oficiais do Santuário, que concentra missas solenes e procissões, ajuda os viajantes a escolherem o melhor momento para a visitação, garantindo uma experiência de devoção mais tranquila.
Caminho da Fé
A jornada rumo a Aparecida ganhou um importante reconhecimento institucional neste ano. O ramal principal do Caminho da Fé, que termina exatamente no Santuário Nacional de Aparecida do Norte, foi oficialmente reconhecido e transformado em rota turística nacional pela Lei 15.449/2026, sancionada em julho de 2026.
A nova legislação tem o objetivo de estimular o desenvolvimento do turismo religioso, cultural e rural em todos os municípios que integram os ramais da peregrinação. O trecho principal conecta o município de Águas da Prata a Aparecida do Norte, formando um roteiro que passa por mais de 70 cidades entre os estados de São Paulo e Minas Gerais.
Esse traçado contempla atrativos, cultura e belezas naturais em municípios mineiros, como Andradas, Ouro Fino e Paraisópolis, e em destinos paulistas já consagrados pelo turismo, como Campos do Jordão, Guaratinguetá e Pindamonhangaba.
Por Victor Mayrink
Assessoria de Comunicação Social do Ministério do Turismo
Fonte: Ministério do Turismo
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