SAÚDE
Curso internacional de epidemiologia molecular em doenças infecciosas e parasitárias emergentes reúne especialistas em saúde
SAÚDE
Profissionais e especialistas do Ministério da Saúde (MS) participaram, dos dias 9 a 14 de agosto, do XXIV Curso Internacional de Epidemiologia Molecular em Doenças Infecciosas e Parasitárias Emergentes (Epimol), em Salvador (BA). A iniciativa, promovida pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Bahia desde 2001, é uma das principais formações da América Latina voltadas à integração entre epidemiologia, biologia molecular e vigilância em saúde.
A programação reúne profissionais do Brasil e de outros países em 48 horas de atividades teóricas e práticas intensivas, com foco no uso de ferramentas moleculares para a investigação de surtos, o monitoramento de doenças infecciosas e a resposta a emergências em saúde pública. A formação favorece o intercâmbio de conhecimentos e experiências entre profissionais e instituições nacionais e internacionais, contribuindo para fortalecer a capacidade do Sistema Único de Saúde (SUS) de produzir e utilizar informações qualificadas para a tomada de decisão.
O diretor do Departamento de Emergências em Saúde Pública (DEMSP), da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente (SVSA), Edenilo Barreira, esteve presente no evento. Segundo ele, a integração entre diferentes áreas do conhecimento e entre os serviços de vigilância e os laboratórios é fundamental. “Trata-se de uma forma de ampliar a capacidade de identificar e responder de forma oportuna às ameaças à saúde pública. A epidemiologia molecular agrega informações importantes à investigação e contribui para uma atuação cada vez mais qualificada do SUS”, declarou.
A SVSA apoia a formação de profissionais do SUS por meio da participação de técnicos e profissionais do Programa de Treinamento em Epidemiologia Aplicada aos Serviços do SUS (EpiSUS), nível avançado, além de contribuir para a realização do curso em parceria com a Fiocruz.
Formação e integração
O principal objetivo do Epimol é apresentar princípios de epidemiologia e biologia molecular a profissionais de laboratório e epidemiologistas que atuam com doenças infecciosas e parasitárias de importância para a saúde pública. A proposta é ampliar a capacidade dos participantes de identificar e aplicar diferentes métodos epidemiológicos, compreender técnicas moleculares e interpretar resultados associados à dinâmica de transmissão das doenças.
Entre os temas abordados estão vigilância molecular, investigação de surtos, doenças infecciosas emergentes e reemergentes, resistência aos antimicrobianos e impactos das mudanças climáticas sobre a ocorrência e a disseminação de doenças. A programação também destaca a integração entre laboratórios e serviços de vigilância, estratégia fundamental para qualificar a produção e o uso de informações na saúde pública.
A epidemiologia molecular permite analisar características genéticas dos agentes infecciosos e acompanhar alterações ao longo do tempo, contribuindo para a compreensão do perfil e da dinâmica de transmissão em períodos epidêmicos e da persistência de doenças endêmicas. As ferramentas também podem apoiar estudos sobre resistência aos medicamentos, mecanismos de transmissão, patogênese e desenvolvimento e validação de métodos diagnósticos.
Atividades teóricas e práticas
A programação do XXIV Epimol incluiu pré-cursos voltados à introdução do programa RStudio e à bioinformática, utilizados em pesquisa e processamento de dados, e à demonstração de técnicas laboratoriais. Foram realizadas, ao longo da semana, 29 aulas distribuídas em cinco grandes eixos temáticos: conceitos básicos de epidemiologia, princípios e práticas em epidemiologia molecular, investigação de surtos, vigilância e doenças parasitárias.
A parte prática envolveu módulos de exercícios, atividades em laboratório e apresentações orais de pesquisas ou investigações de campo desenvolvidas pelos participantes. As atividades laboratoriais abordaram métodos que podem ser aplicados em laboratórios que realizam ensaios baseados em PCR e análises de fragmentos de DNA e RNA. Também foram apresentados recursos computacionais para análise de padrões de eletroforese (para separação e análise de moléculas) e de sequências de ácidos nucleicos.
Participaram das atividades professores de instituições brasileiras e internacionais de referência, incluindo Fiocruz Bahia, Universidade de Brasília, Universidade Federal da Bahia, Instituto Nacional do Câncer, Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, Universidade do Estado da Bahia, Universidade Salvador, Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, Universidade Federal Fluminense, Instituto Couto Maia, Instituto Leônidas e Maria Deane (Fiocruz Amazônia); além das universidades de Ohio, Yale, da Califórnia em Berkeley, Johns Hopkins, Tulane e Utah.
Participe da formação internacional em epidemiologia molecular
Suellen Siqueira
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
SAÚDE
Dia D mobiliza crianças e adolescentes para atualizar a caderneta de vacinação
O Dia D de Multivacinação acontece neste sábado (22) e mobiliza pais, mães, responsáveis e equipes de saúde de estados e municípios para intensificar a vacinação de crianças e adolescentes menores de 15 anos. Ao longo do dia, Unidades Básicas de Saúde, pontos móveis e ações em locais públicos, como parques e espaços de lazer, estão abertos para receber as famílias. São mais de 20 doenças que podem ser prevenidas com as vacinas do calendário do SUS. A iniciativa faz parte da Campanha Nacional de Multivacinação, que segue até 1º de setembro.
Durante a ação, pais e responsáveis devem levar a caderneta de vacinação, em papel ou disponível no Meu SUS Digital para que os profissionais verifiquem a situação vacinal e indiquem as doses necessárias.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, acompanhou a ação em Brasília (DF) e reforçou a mobilização em todo o país. “Todos os estados e municípios brasileiros responderam ao chamado do Ministério da Saúde para a atualização da imunização de crianças e dos adolescentes. Essa é uma campanha diferente porque ela não é de uma vacina, mas de todas que estão no calendário infantil. Leve o seu filho, leve a sua filha para se proteger”, ressaltou.

Foto: Rafael Nascimento/MS
Na noite de ontem (21), Padilha também fez um pronunciamento em rede nacional para convocar a população para a vacinação e reforçar a importância de manter a caderneta atualizada, contribuindo para a prevenção e o controle de doenças imunopreveníveis.
Entre as doenças que podem ser evitadas pela vacinação estão formas graves de tuberculose, hepatites A e B, difteria, tétano, coqueluche, poliomielite, infecções por rotavírus, pneumonias e meningites causadas por pneumococos e meningococos, influenza (gripe), covid-19, febre amarela, sarampo, caxumba, rubéola, varicela (catapora), infecções pelo papilomavírus humano (HPV) e dengue.
Esta é a primeira edição da campanha com a vacina pneumocócica 20-valente (Pneumo 20), incorporada neste ano ao Calendário Nacional de Vacinação. O imunizante amplia a proteção contra doenças causadas pelo pneumococo, incluindo pneumonias e meningites, e é indicado para crianças menores de 5 anos, conforme o esquema vacinal.
A verificação da caderneta é especialmente importante para crianças que iniciaram um esquema vacinal, mas não receberam todas as doses previstas ou os reforços. A vacinação é seletiva: os profissionais de saúde conferem a situação de cada pessoa e aplicam somente as doses necessárias para iniciar ou completar o esquema previsto.
Abaixo, as vacinas disponíveis:
- BCG;
- Hepatite B recombinante;
- Penta (DTP/Hib/HB)
- Pólio inativada VIP;
- Rotavírus humano;
- Pneumo 10-v e 20-v;
- Meningo C;
- Influenza;
- Covid-19;
- Febre amarela;
- Meningo ACWY;
- Tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola);
- Varicela;
- DTP;
- Hepatite A;
- Pneumo 23-v;
- dT;
- HPV 4;
- Dengue tetravalente.
Vacinação contra o sarampo
Como parte da estratégia, a vacinação contra o sarampo foi intensificada nos municípios de São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo. Nesses locais, a vacina está sendo ofertada para pessoas de 6 meses a 59 anos, conforme a situação vacinal e as orientações para cada faixa etária.
A medida foi adotada após o registro de casos de sarampo relacionados à importação do vírus. Para crianças de 6 a 11 meses, a chamada dose zero é adicional e não substitui as doses de rotina, previstas aos 12 e aos 15 meses. Para as demais faixas etárias, os profissionais de saúde verificam a idade e o histórico vacinal para indicar as doses necessárias.
Em 2024, o Brasil recebeu a recertificação da eliminação da circulação endêmica do sarampo pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e mantém esse status. Durante o Dia D e até o fim da campanha, a vacinação contra o sarampo estará disponível em todos os estados, conforme a indicação para cada faixa etária e situação vacinal.

Foto: Rafael Nascimento/MS
Abastecimento
Para a Campanha de Multivacinação deste ano, foram distribuídas 1,5 milhão de doses aos estados. No total, mais de 177 milhões de doses foram distribuídas no país para abastecimento da rede de vacinação.
Até o momento, foram registradas mais de 94,8 milhões de doses aplicadas das vacinas previstas no Calendário Nacional de Vacinação.
Novo reforço contra a poliomielite
Desde 3 de agosto de 2026, o esquema de vacinação contra a poliomielite passou a incluir o segundo reforço da vacina poliomielite (VIP) aos 4 anos de idade.
A mudança complementa o esquema exclusivamente com VIP adotado no Brasil desde 2024 e reforça a proteção contra a poliomielite, doença que ainda não foi erradicada mundialmente.
O Brasil não registra casos de poliomielite há décadas e mantém a vacinação como principal medida para evitar a reintrodução do poliovírus. Por isso, é importante que as crianças recebam todas as doses previstas no Calendário Nacional de Vacinação.
Vacinação infantil
Dados divulgados em 14 de julho pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) indicam avanço no cenário da vacinação infantil no Brasil.
Segundo as Estimativas OMS-Unicef de Cobertura Vacinal Nacional (WUENIC), o número de crianças que não receberam a primeira dose da vacina Penta (DTP/Hib/HepB) — as chamadas crianças “zero-dose” — passou de 360 mil em 2023 para 255 mil em 2024 e 50 mil em 2025, uma redução de aproximadamente 86% em relação a 2024 e de quase 90% em relação a 2023.
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
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