POLÍTICA
Segunda temporada do programa Parlamento estreia neste sábado (29)
POLÍTICA
Neste sábado (29), às 13h, estreia a segunda temporada do programa Parlamento, na TV Assembleia (canais 30.1 em Cuiabá e VG e 9.2 no interior). O programa tem 30 minutos de duração e exibe entrevistas com deputados e ex-deputados estaduais, além de servidores que atuaram ou ainda atuam na Casa de Leis, resgatando momentos marcantes dos 190 anos da instituição.
A segunda temporada do programa Parlamento continua com a missão de celebrar e resgatar a história dos 190 anos da ALMT, apresentando novos personagens, relatos inéditos e depoimentos emocionantes que ajudam a compor a memória viva do Parlamento mato-grossense. A apresentação é feita pela jornalista Jana Gahyva.
“Essa nova temporada chega para reafirmar o sucesso da primeira, que emocionou muita gente porque mostrou, de forma simples e verdadeira, as histórias de quem vive e constrói o dia a dia da Assembleia Legislativa. Continuamos seguindo o mesmo critério: escolhemos entrevistados de setores diferentes para garantir diversidade de histórias, opiniões e experiências. Cada episódio traz uma memória, um relato e também fatos marcantes da história do Parlamento”, adianta o secretário de Comunicação da Assembleia Legislativa, coronel Henrique Santos.
Segundo ele, a ideia do programa nasceu a partir de uma conversa com o presidente da ALMT, Max Russi (PSB). “O projeto surgiu quando discutíamos como renovar a grade da TV Assembleia para marcar os 190 anos da ALMT. Queríamos um conteúdo que fosse além das autoridades, que valorizasse os servidores e ex-servidores que ajudaram a transformar a Assembleia no que ela é hoje. E funcionou. O público se conectou com essa narrativa mais humana, mais próxima, que revela os bastidores e a alma da Assembleia Legislativa”, diz.
O episódio de estreia traz como convidado o deputado Wilson Santos, que revisita momentos marcantes da política estadual e sua trajetória no Legislativo. Ao longo da temporada, o programa também recebe os deputados Eduardo Botelho, Paulo Araújo, Ondanir Bortolini (Nininho) e Diego Guimarães, trazendo diferentes olhares sobre o presente e o futuro da Casa de Leis.
Entre os destaques desta edição, está a participação do ex-deputado Ubiratan Spinelli, que relembra passagens importantes de sua atuação parlamentar, e do ex-deputado Allan Kardec, que encerra sua presença no programa declamando um poema de sua autoria sobre suas origens e identidade, em um dos momentos mais sensíveis da temporada.
“O Parlamento é isso: é gente, é história, é serviço público com dedicação. E essa nova temporada vem para reforçar justamente isso: que a Assembleia não é feita só de sessões e debates, mas de pessoas que, juntas, constroem a instituição todos os dias”, ressalta o secretário de Comunicação.
A nova temporada também amplia a visão sobre os bastidores do Parlamento, dando voz aos procuradores da ALMT Ricardo Riva e Bruno Cardoso, que comentam desafios, avanços institucionais e o papel técnico da Procuradoria ao longo desses 190 anos de história. Apresenta ainda depoimentos especiais de servidores da Qualivida. A temporada vai resgatar ainda a memória institucional com o relato da ex-servidora Isis Catarina, uma das idealizadoras do Instituto Memória, reforçando o compromisso da ALMT com a preservação de seu patrimônio histórico.
“Mantendo sua identidade visual, ritmo narrativo e abordagem documental, a nova temporada do programa Parlamento reafirma seu papel como uma das principais iniciativas de valorização da história política de Mato Grosso, aproximando o cidadão da ALMT e fortalecendo o sentimento de pertencimento à trajetória democrática do estado”, disse o diretor artístico, José Augusto Filho.
Acessibilidade – O programa contará com legendas e janela de Libras em todos os episódios para garantir que o conteúdo chegue ao maior número possível de pessoas.
Fonte: ALMT – MT
POLÍTICA
Mulheres na ALMT: trajetória iniciada há quase sete décadas ganha novo capítulo
Vera Lúcia Araújo – Verinha -15ª Legislatura (2003-2017).
Foto: Helder Faria
Teté Bezerra -17ª Legislatura (2011-2015).
Foto: Helder Faria
A participação feminina na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) atravessa quase sete décadas desde a eleição de Oliva Enciso, em 1958. No último domingo (4), essa história ganhou um novo capítulo com a eleição de Samantha do Abilio (PL) e Alessandra Ferreira (Podemos), que ocuparão duas das 24 cadeiras da Casa a partir de 2027.
Oliva foi a primeira mulher eleita deputada estadual em Mato Grosso, 26 anos depois da conquista do direito ao voto feminino no Brasil. Professora, atuou na educação e na assistência social e também foi vereadora de Campo Grande antes de chegar à Assembleia para a 4ª Legislatura, entre 1959 e 1963, quando Mato Grosso ainda não havia sido dividido.
A historiadora Dejenana Keila Oliveira Campos explica que a participação institucional das mulheres na política mato-grossense começou a ganhar espaço ainda nas décadas de 1920 e 1930, influenciada pela luta e conquistas dos direitos sociais e políticos. Em Mato Grosso, organizações de mulheres, a educação e a imprensa contribuíram para ampliar a presença feminina na vida pública.
A conquista do direito ao voto, porém, não significou acesso imediato aos cargos eletivos. Dejenana aponta que a estrutura política estadual foi historicamente marcada pelo coronelismo, pelas relações familiares e por uma organização patriarcal. Enquanto os homens tiveram o acesso à política tratado como algo natural, as mulheres precisaram construir reconhecimento público por outros caminhos, como a educação, a escrita e a atuação social.
A coordenadora do Núcleo de Estudos sobre a Mulher e as Relações de Gênero da Universidade Federal de Mato Grosso (Nuepom-UFMT), Madalena Rodrigues, também relaciona a baixa representação feminina às estruturas sociais construídas historicamente. “A política de Mato Grosso é uma política patriarcal, cercada pelos homens”, afirma. Segundo ela, as barreiras estão relacionadas não apenas ao gênero, mas também à classe e à raça.
Diferentes caminhos — Ao longo das décadas, as mulheres chegaram à política por diferentes trajetórias. Dejenana aponta que, em Mato Grosso, uma delas foi o capital político familiar, com candidaturas construídas a partir da trajetória de pais, maridos ou outros homens da família. Educação, movimentos sociais e sindicais, atuação profissional e mandatos municipais também se consolidaram como portas de entrada.
A ex-deputada estadual Vera Araújo, a Verinha, percorreu uma trajetória ligada à educação e ao movimento sindical. Professora e dirigente do Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (Sintep-MT), foi eleita vereadora de Cuiabá em 2000 e, dois anos depois, conquistou uma cadeira na ALMT, sendo a única mulher entre os 24 deputados estaduais eleitos.
Verinha relata que ocupar um espaço predominantemente masculino significava conviver com cobranças sobre sua capacidade. “Se você faz essa opção, essa decisão de disputar o poder, você tem que provar que você dá conta, que você é competente. Senão eles vêm, dizem: ‘Ah, não deu conta porque é mulher’”, afirma.
Mãe de três filhos, ela também se preocupava que algum problema familiar fosse relacionado à decisão de estar na política. “Eu sempre me preocupei muito com isso, porque eu percebo que, quando a mulher faz essa disputa de poder, ela acaba carregando com ela essa culpa de que nada dê errado com seus filhos, com a sua casa, com a sua família. Porque, se alguma coisa dá errado, ela vai ser culpada porque saiu para o espaço público”, relata.
Mesmo dividindo os cuidados com os filhos e as tarefas domésticas com o companheiro, Verinha afirma que a preocupação permanecia. “Quando a mulher faz essa opção de sair para disputa do espaço de poder, ela acaba sendo responsabilizada duplamente”, acrescenta.
Registros produzidos durante o mandato mostram iniciativas em áreas como educação, saúde e fiscalização do poder público. Entre elas estão a legislação relacionada ao tempo de espera em filas de bancos, uma proposta de combate ao nepotismo e a lei que instituiu o Dia Estadual de Controle à Anemia Falciforme. Outra proposta que se tornou lei instituiu a meia-entrada para professores da rede pública estadual em estabelecimentos de lazer, entretenimento e difusão cultural.
Da candidatura à permanência — A cientista política Christiany Fonseca avalia que a maioria feminina no eleitorado não se transforma automaticamente em presença equivalente nos espaços de representação. O caminho até o mandato envolve acesso aos partidos, recursos de campanha, redes políticas, apoio e condições efetivas de competição. “É preciso conseguir entrar, competir, vencer e depois permanecer na política”, resume.
Para Christiany, analisar apenas o número de candidaturas não é suficiente, pois estar registrada na disputa não significa necessariamente ser tratada pelo partido como uma candidatura prioritária e competitiva. A divisão das responsabilidades de cuidado, a disponibilidade de tempo e as redes construídas ao longo da trajetória também interferem nesse processo.
Nas eleições gerais de 2026, as mulheres corresponderam a 34% das candidaturas registradas em Mato Grosso, mesmo percentual de 2022. Entre as 24 cadeiras da próxima legislatura estadual, duas serão ocupadas por mulheres.
A eleição de Samantha do Abilio e Alessandra Ferreira ocorre 16 anos depois do último pleito em que duas mulheres foram eleitas simultaneamente para mandatos titulares na ALMT. Em 2010, Luciane Bezerra e Teté Bezerra foram escolhidas para a 17ª Legislatura, entre 2011 e 2015.
Quase sete décadas depois da eleição de Oliva Enciso, a chegada de Samantha e Alessandra acrescenta um novo capítulo a uma trajetória marcada pela ampliação das formas de participação feminina e pela permanência do debate sobre acesso, condições de disputa e presença das mulheres nos espaços de poder.
Mulheres que ocuparam cadeiras na ALMT
4ª Legislatura (1959–1963)
Oliva Enciso
9ª Legislatura (1979–1983)
Sarita Baracat
11ª Legislatura (1987–1991)
Thaís Bérgo Duarte Barbosa
12ª, 13ª e 14ª Legislaturas (1991–2003)
Serys Slhessarenko
12ª Legislatura (1991–1995)
Malba Varjão — suplente
13ª Legislatura (1995–1999)
Zilda Pereira Leite — suplente
15ª Legislatura (2003–2007)
Vera Lúcia Araújo
Ana Carla Muniz
16ª Legislatura (2007–2011)
Chica Nunes
Vilma Moreira — suplente
17ª Legislatura (2011–2015)
Luciane Bezerra
Teté Bezerra
18ª, 19ª e 20ª Legislaturas (2015-2027)
Janaina Riva
20ª Legislatura (2023–2027)
Marildes Ferreira — suplente
Profa. Graciele (Graciele Marques dos Santos) — suplente
Valdeníria Dutra — suplente
Sheila Klener — suplente
Sandy de Paula — suplente
Priscila Dourado — suplente
Edna Sampaio — suplente
Eliane Xunakalo — suplente e primeira mulher indígena a assumir temporariamente uma cadeira na história da ALMT.
*Os períodos indicados correspondem às legislaturas, não necessariamente ao tempo de exercício de cada parlamentar.
Fonte: ALMT – MT
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