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Núcleo Ambiental e de Desenvolvimento Econômico analisou mais de 300 matérias no primeiro semestre

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O Núcleo Ambiental e de Desenvolvimento Econômico da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (Nade) analisou 317 proposições nos primeiros seis meses de 2023. As matérias foram analisadas pelas cinco comissões, sendo elas Comissão de Infraestrutura Urbana e de Transporte; Comissão de Meio Ambiente, Recursos Hídricos e Recursos Minerais; Comissão de Indústria, Comércio e Turismo; Comissão de Revisão Territorial dos Municípios e das Cidades e Comissão de Agropecuária, Desenvolvimento Florestal e Agrário e de Regularização Fundiária, além das análises de processos com relação à regularização fundiária em tramitação no Instituto de Terras do Estado de Mato Grosso (Intermat).

O Nade é responsável pela análise técnica, organização das reuniões das comissões, além de participar de Conselhos de Acompanhamento de Programas e Projetos do Estado de Mato Grosso, estabelecendo parcerias com instituições governamentais e não governamentais comprometidas com a participação e o bem-estar da população. 

Neste primeiro semestre, a Comissão de Meio Ambiente, Recursos Hídricos e Recursos Minerais foi responsável pela análise de 108 proposições, dentre elas a proposta que deu origem à Lei 12.112/2023, que institui a campanha permanente de conscientização sobre o uso da água em Mato Grosso. 

Outra iniciativa que passou pela Comissão de Meio Ambiente foi a Lei 12.197/2023, que acrescentou e alterou dispositivos à Lei nº 9.096, de 16 de janeiro de 2009, que dispõe sobre a política da pesca no estado de Mato Grosso. Conhecida como Transporte Zero, a nova regra restringe o transporte, o armazenamento, a distribuição e a comercialização de pescados dos rios mato-grossenses por um período de cinco anos.

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Antes de ser apreciada em plenário, a proposta original enviada pelo Poder Executivo foi discutida em audiências públicas e sofreu alterações apresentadas pelos deputados estaduais. O dispositivo foi aprovados e sancionado pelo Governo do Estado com vetos, o que ainda deverá ser analisado na Casa de Leis.

A Comissão de Infraestrutura Urbana e de Transporte também registrou trabalho intenso ao longo do primeiro semestre com a análise de cem propostas em tramitação. Os projetos dispõem sobre infraestrutura urbana ao sistema viário estadual e em toda matéria referente a transportes de modo geral.

Entre as pautas analisadas e aprovadas estão textos que delimitam e ordenam o uso das faixas de domínio das rodovias estaduais e rodovias federais delegadas ao estado de Mato Grosso, que foram encaminhadas pelo Poder Executivo e viraram leis.

A Comissão de Indústria, Comércio e Turismo analisou, neste ano, 34 matérias apresentadas no Poder Legislativo que disciplina sobre temas relacionados ao desenvolvimento destes três setores econômicos, além de apoiar micro e pequenas empresas, acompanhar resultados de políticas de incentivos fiscais, promover o ecoturismo e viabilizar centros e locais de interesse turístico. 

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O Projeto de lei (PL) 175/2023, apresentado este ano no Parlamento, estabelece critérios e requisitos para a classificação de municípios em estâncias, municípios de interesse turístico e municípios com potencial turístico. A proposta foi analisada pela Comissão e aprovada em primeira votação em Plenário, aguardando agora passar pela Comissão de Constituição, Justiça e Redação antes de ser votada em 2ª votação.

Ainda desenvolveram análises de projetos e acompanharam trabalhos referentes às suas áreas de atuação a Comissão de Revisão Territorial dos Municípios e das Cidades e a Comissão de Agropecuária, Desenvolvimento Florestal e Agrário e de Regularização Fundiária, sendo que esta última emitiu parecer a 53 proposições.  Com destaque para aprovação do PL 1156/2023, que autoriza o Poder Executivo a criar o Programa de Incentivo ao Melhoramento Genético do Rebanho Bovino e dá outras providências. Esta proposta aguarda sanção do governador do Estado.

Conheça a composição e os trabalhos nas comissões aqui.

Fonte: ALMT – MT

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Mulheres na ALMT: trajetória iniciada há quase sete décadas ganha novo capítulo

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Vera Lúcia Araújo - Verinha -15ª Legislatura (2003-2017).

Vera Lúcia Araújo – Verinha -15ª Legislatura (2003-2017).

Foto: Helder Faria

Teté Bezerra -17ª Legislatura (2011-2015).

Teté Bezerra -17ª Legislatura (2011-2015).

Foto: Helder Faria

A participação feminina na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) atravessa quase sete décadas desde a eleição de Oliva Enciso, em 1958. No último domingo (4), essa história ganhou um novo capítulo com a eleição de Samantha do Abilio (PL) e Alessandra Ferreira (Podemos), que ocuparão duas das 24 cadeiras da Casa a partir de 2027.

Oliva foi a primeira mulher eleita deputada estadual em Mato Grosso, 26 anos depois da conquista do direito ao voto feminino no Brasil. Professora, atuou na educação e na assistência social e também foi vereadora de Campo Grande antes de chegar à Assembleia para a 4ª Legislatura, entre 1959 e 1963, quando Mato Grosso ainda não havia sido dividido.

A historiadora Dejenana Keila Oliveira Campos explica que a participação institucional das mulheres na política mato-grossense começou a ganhar espaço ainda nas décadas de 1920 e 1930, influenciada pela luta e conquistas dos direitos sociais e políticos. Em Mato Grosso, organizações de mulheres, a educação e a imprensa contribuíram para ampliar a presença feminina na vida pública.

A conquista do direito ao voto, porém, não significou acesso imediato aos cargos eletivos. Dejenana aponta que a estrutura política estadual foi historicamente marcada pelo coronelismo, pelas relações familiares e por uma organização patriarcal. Enquanto os homens tiveram o acesso à política tratado como algo natural, as mulheres precisaram construir reconhecimento público por outros caminhos, como a educação, a escrita e a atuação social.

A coordenadora do Núcleo de Estudos sobre a Mulher e as Relações de Gênero da Universidade Federal de Mato Grosso (Nuepom-UFMT), Madalena Rodrigues, também relaciona a baixa representação feminina às estruturas sociais construídas historicamente. “A política de Mato Grosso é uma política patriarcal, cercada pelos homens”, afirma. Segundo ela, as barreiras estão relacionadas não apenas ao gênero, mas também à classe e à raça.

Diferentes caminhos — Ao longo das décadas, as mulheres chegaram à política por diferentes trajetórias. Dejenana aponta que, em Mato Grosso, uma delas foi o capital político familiar, com candidaturas construídas a partir da trajetória de pais, maridos ou outros homens da família. Educação, movimentos sociais e sindicais, atuação profissional e mandatos municipais também se consolidaram como portas de entrada.

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A ex-deputada estadual Vera Araújo, a Verinha, percorreu uma trajetória ligada à educação e ao movimento sindical. Professora e dirigente do Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (Sintep-MT), foi eleita vereadora de Cuiabá em 2000 e, dois anos depois, conquistou uma cadeira na ALMT, sendo a única mulher entre os 24 deputados estaduais eleitos.

Verinha relata que ocupar um espaço predominantemente masculino significava conviver com cobranças sobre sua capacidade. “Se você faz essa opção, essa decisão de disputar o poder, você tem que provar que você dá conta, que você é competente. Senão eles vêm, dizem: ‘Ah, não deu conta porque é mulher’”, afirma.

Mãe de três filhos, ela também se preocupava que algum problema familiar fosse relacionado à decisão de estar na política. “Eu sempre me preocupei muito com isso, porque eu percebo que, quando a mulher faz essa disputa de poder, ela acaba carregando com ela essa culpa de que nada dê errado com seus filhos, com a sua casa, com a sua família. Porque, se alguma coisa dá errado, ela vai ser culpada porque saiu para o espaço público”, relata.

Mesmo dividindo os cuidados com os filhos e as tarefas domésticas com o companheiro, Verinha afirma que a preocupação permanecia. “Quando a mulher faz essa opção de sair para disputa do espaço de poder, ela acaba sendo responsabilizada duplamente”, acrescenta.

Registros produzidos durante o mandato mostram iniciativas em áreas como educação, saúde e fiscalização do poder público. Entre elas estão a legislação relacionada ao tempo de espera em filas de bancos, uma proposta de combate ao nepotismo e a lei que instituiu o Dia Estadual de Controle à Anemia Falciforme. Outra proposta que se tornou lei instituiu a meia-entrada para professores da rede pública estadual em estabelecimentos de lazer, entretenimento e difusão cultural.

Da candidatura à permanência — A cientista política Christiany Fonseca avalia que a maioria feminina no eleitorado não se transforma automaticamente em presença equivalente nos espaços de representação. O caminho até o mandato envolve acesso aos partidos, recursos de campanha, redes políticas, apoio e condições efetivas de competição. “É preciso conseguir entrar, competir, vencer e depois permanecer na política”, resume.

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Para Christiany, analisar apenas o número de candidaturas não é suficiente, pois estar registrada na disputa não significa necessariamente ser tratada pelo partido como uma candidatura prioritária e competitiva. A divisão das responsabilidades de cuidado, a disponibilidade de tempo e as redes construídas ao longo da trajetória também interferem nesse processo.

Nas eleições gerais de 2026, as mulheres corresponderam a 34% das candidaturas registradas em Mato Grosso, mesmo percentual de 2022. Entre as 24 cadeiras da próxima legislatura estadual, duas serão ocupadas por mulheres.

A eleição de Samantha do Abilio e Alessandra Ferreira ocorre 16 anos depois do último pleito em que duas mulheres foram eleitas simultaneamente para mandatos titulares na ALMT. Em 2010, Luciane Bezerra e Teté Bezerra foram escolhidas para a 17ª Legislatura, entre 2011 e 2015.

Quase sete décadas depois da eleição de Oliva Enciso, a chegada de Samantha e Alessandra acrescenta um novo capítulo a uma trajetória marcada pela ampliação das formas de participação feminina e pela permanência do debate sobre acesso, condições de disputa e presença das mulheres nos espaços de poder.

Mulheres que ocuparam cadeiras na ALMT

4ª Legislatura (1959–1963)
Oliva Enciso

9ª Legislatura (1979–1983)
Sarita Baracat

11ª Legislatura (1987–1991)
Thaís Bérgo Duarte Barbosa

12ª, 13ª e 14ª Legislaturas (1991–2003)
Serys Slhessarenko

12ª Legislatura (1991–1995)
Malba Varjão — suplente

13ª Legislatura (1995–1999)
Zilda Pereira Leite — suplente

15ª Legislatura (2003–2007)
Vera Lúcia Araújo
Ana Carla Muniz

16ª Legislatura (2007–2011)
Chica Nunes
Vilma Moreira — suplente

17ª Legislatura (2011–2015)
Luciane Bezerra
Teté Bezerra

18ª, 19ª e 20ª Legislaturas (2015-2027)

Janaina Riva

20ª Legislatura (2023–2027)
Marildes Ferreira — suplente
Profa. Graciele (Graciele Marques dos Santos) — suplente
Valdeníria Dutra — suplente
Sheila Klener — suplente
Sandy de Paula — suplente
Priscila Dourado — suplente

Edna Sampaio — suplente
Eliane Xunakalo — suplente e primeira mulher indígena a assumir temporariamente uma cadeira na história da ALMT.

*Os períodos indicados correspondem às legislaturas, não necessariamente ao tempo de exercício de cada parlamentar.

Fonte: ALMT – MT

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