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Homenagem às doulas e defesa do parto humanizado marcam sessão solene na CLDF

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Nesta segunda-feira (3), a Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) promoveu sessão solene em homenagem às doulas, profissionais que prestam apoio físico, emocional e informacional durante o ciclo de gestação, parto e puerpério. O evento ocorreu por iniciativa da deputada distrital Doutora Jane (Republicanos), em reconhecimento à contribuição das doulas para a promoção da saúde, da dignidade e dos direitos das mulheres.

Segundo a parlamentar, é necessário “garantir o cumprimento das leis, valorizar essas profissionais, ampliar as oportunidades de formação e assegurar que nenhuma gestante tenha o direito à presença de uma doula impedido injustificadamente”.

Ao longo da sessão solene, participantes citaram avanços na legislação local e nacional, como o Estatuto do Parto Humanizado no DF (Lei Distrital 5.534/2015, considerada uma das pioneiras no tema) e a recente regulamentação da profissão de doula (Lei Federal 15.381/2026). Também foram apresentadas sugestões para valorizar o trabalho das doulas e ampliar a humanização do parto.

Cerimônia incluiu homenagens a doulas (David Calaça/Agência CLDF)​​​​​

A presidente da Associação de Doulas da Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal e Entorno (ASDOULASRIDE), Marilda Castro, sugeriu a criação da Semana Distrital da Doula — no fim de março, para coincidir com a Semana Mundial da Doula — e do Dia Distrital da Doula — em 18 de dezembro, mesma data de outras unidades da federação.

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Entre muitos outros atendimentos, Marilda foi doula de Marília Lídia de Assis em duas gestações, da filha Jade e do filho Lohan. A mãe deu um breve depoimento sobre a importância de ser acompanhada pela profissional. “A doula é uma figura necessária porque nos auxilia a ter conhecimento do nosso corpo e a sermos respeitadas nas nossas decisões”, opinou Marília. Ela contou que a atuação da doula beneficiou toda a família e aumentou a participação do pai no processo de nascimento. “A doula vem como uma importante semente para fortalecer a família”, definiu.
 

Marília Lídia de Assis, com o filho Lohan: atendimento por doula em duas gestações (Foto: David Calaça / Agência CLDF)

Do ponto de vista das profissionais, a doula Ludmila Suaid falou sobre a sua experiência: “Eu amo ser doula. É incrível ver um bebê nascendo de forma respeitosa. Eu também percebo que a equipe de saúde fica mais calma quando nós estamos acompanhando”.

Representando a Secretaria de Saúde do DF, a enfermeira obstetra Gabrielle Mendonça ressaltou que vários estudos demonstram a contribuição positiva da doula, em especial na redução da ansiedade materna e na adesão ao aleitamento materno. Ela avalia que a doula contribui para o sentimento de segurança da mulher, tornando-se uma pessoa de referência em todo o processo, principalmente quando a equipe do parto é diferente da equipe do pré-natal. “A doula vem justamente para ser o elo entre a atenção primária e o hospital”, disse a enfermeira.

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Para a presidente da Rede pela Humanização do Parto e Nascimento (ReHuNa), Daphne Rattner, o Brasil precisa de uma reforma obstétrica, aumentando a participação de enfermeiras obstetras, doulas e psicólogos. “Queremos um modelo que seja centrado no bem-estar da mulher, do bebê, da família e da pessoa que gesta, não nas conveniências de profissionais e instituições. Precisamos mudar o modelo, reduzir intervenções desnecessárias e diminuir a mortalidade neonatal e materna”, defendeu Daphne.

Ela destacou que a mortalidade materna brasileira tem resistido a mudanças e permanecido estável, em patamares acima de 50 mortes por 100 mil nascidos vivos. A meta do Brasil é diminuir a taxa para 30 mortes maternas a cada 100 mil nascidos vivos até 2030, conforme compromisso assumido com a Organização das Nações Unidas (ONU).

A sessão solene completa está disponível no YouTube da TV Câmara Distrital.

Fonte: Câmara Legislativa – DF

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Marco legal da IA deve proteger jornalismo e direitos autorais, aponta debate

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Para especialistas e representantes do governo, a regulamentação da inteligência artificial (IA) deve proteger o jornalismo e os direitos autorais, mas sem impedir as inovações tecnológicas do setor.

Eles participaram do debate promovido nesta segunda (3) pelo Conselho de Comunicação Social do Congresso. O objetivo foi discutir o PL 2.338/2023, projeto que cria um marco legal para a IA no país.

A proposta é de autoria do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG). O texto já foi aprovado no Senado e atualmente está em revisão na Câmara dos Deputados.

Na abertura do debate, a presidente do conselho, Patrícia Blanco, destacou que o colegiado aguarda o relatório a ser apresentado pela comissão especial da Câmara que analisa o projeto.

— O que pretendemos é olhar para o lado pelo qual o conselho é responsável, que trata da comunicação social, da cultura, da questão de direitos autorais e do impacto sobre o jornalismo profissional — declarou ela.

Transparência 

Cofundador e diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro, Sérgio Branco ressaltou que a regulamentação precisa buscar o equilíbrio entre a inovação e a proteção de direitos.

Segundo ele, a transparência sobre as bases de dados usadas no “treinamento” dos sistemas de inteligência artificial é essencial para fortalecer a confiança nessas tecnologias. 

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— A transparência tem de ser vista como instrumento de governança da comunicação, e não apenas como direito dos titulares — argumentou.

Branco também frisou que é necessário preservar a competitividade brasileira e evitar que exigências regulatórias desestimulem o desenvolvimento de modelos de IA no país.

Mediação do conhecimento

Já Silvana Bahia, pesquisadora associada do grupo de arte e inteligência artificial da Universidade de São Paulo (USP), afirmou que o debate precisa ir além dos aspectos técnicos.

De acordo com ela, a IA passou a desempenhar um papel de mediação do conhecimento antes exercido principalmente pelo jornalismo, pela educação e pela pesquisa.

— Hoje a gente precisa discutir também quem controla as respostas, porque quem controla as respostas também passa a disputar a construção da realidade — advertiu a pesquisadora.

Para Silvana, a educação midiática deve ocupar um lugar central na implementação do novo marco legal. 

Direitos autorais 

Representante do governo federal, Marcos Alves de Souza disse que a ausência de regulamentação amplia a insegurança jurídica e favorece disputas judiciais sobre o uso de conteúdos protegidos por direitos autorais. Ele é secretário de direitos autorais e intelectuais do Ministério da Cultura.

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— O impacto do projeto de lei na comunicação social vai ocorrer se ele não for aprovado. Aí a gente tem um impacto muito grande — alertou. 

Assim como ele, Marina Pita cobrou rapidez para a aprovação da proposta. Ela é secretária-adjunta da Secretaria de Políticas Digitais da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República.

— E o jornalismo, que já vem sofrendo há muitos anos, precisa de celeridade na aprovação de um projeto que estimule a rápida organização do mercado — reiterou ela.

Diferenciação

Especialista em regulação e governança do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict), Luca Schirru defendeu um modelo que concilie remuneração para os criadores de conteúdo com estímulos à pesquisa e à inovação.

O Ibict é vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

Na avaliação de Schirru, a legislação deve diferenciar atividades de pesquisa e jornalismo do treinamento comercial de sistemas de inteligência artificial — com a preservação do desenvolvimento científico e tecnológico. 

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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