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POLITÍCA NACIONAL

Governo e sociedade civil avaliam implementação de decisões da COP30 em relação aos povos tradicionais

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Em audiência pública na Comissão da Amazônia e dos Povos Originários nesta terça-feira (24), a assessora do Ministério do Meio Ambiente para a COP30, Flávia Bellaguarda, apontou conquistas para as comunidades tradicionais nas negociações da Conferência da ONU sobre Mudança do Clima, realizada em Belém (PA) no ano passado. Flávia lembrou que a cúpula climática foi apelidada de “COP dos povos” diante da elevada participação social e da representatividade das comunidades tradicionais nas negociações, com reflexo direto nos textos que tratam de mitigação, adaptação, transição justa e mercado de carbono.

“Isso foi algo inédito acontecendo numa COP, colocando povos indígenas e comunidades tradicionais na centralidade de temas importantíssimos do Acordo de Paris. E quando, no multilateralismo, isso acontece, a gente tem a oportunidade de ter uma força maior para o cascateamento de ações no nível local”, comemorou.

Representante da ONG Climate Emergency Fund, com foco em financiamento de ações climáticas, Isabela Rahal citou outros avanços obtidos fora das negociações oficiais.

“A gente teve um novo pledge [garantia] para financiamento de demarcação de território de 1,8 bilhão de dólares. A gente teve um compromisso de demarcação de terras de 14 governos nacionais. E o próprio fundo TFFF com 20% do financiamento vindo para povos indígenas e comunidades tradicionais. São conquistas muito grandes”, afirmou.

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TFFF é a sigla em inglês para o Fundo Florestas Tropicais para Sempre, proposto pelo Brasil na COP30 e já com adesão de vários países dispostos a investir em proteção florestal, numa combinação de recursos públicos e privados. O foco agora está na implementação do chamado Pacote de Belém.

Ferramenta digital
O coordenador do MapBiomas, Tasso Azevedo, citou a ferramenta “Conexão Povos da Floresta” que, por meio digital, tenta ajudar as comunidades nessa tarefa.

“O objetivo aqui é fazer com que as políticas públicas encontrem as pessoas que estão lá na floresta e que as pessoas encontrem as políticas públicas. E assim, esse encontro possa multiplicar os benefícios. A gente já chegou a 2.306 comunidades conectadas, e o objetivo é chegar, até 2030, a todas as 9 mil comunidades. Isso viabiliza vários tipos de arranjo que podem ser feitos localmente e regionalmente”, disse.

Mobilização continua
Integrante do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) no Pará, Beatriz Moreira foi secretária de operação da Cúpula dos Povos, evento paralelo à COP30, organizado por cerca de 1.100 entidades da sociedade civil do mundo inteiro. A avaliação, segundo ela, é de continuidade da mobilização.

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“Esse saldo organizativo deve permanecer na luta concreta em cada um dos territórios, entendendo os territórios como essa trincheira da luta internacional.”

A audiência foi organizada pela presidente da comissão, deputada Juliana Cardoso (PT-SP), preocupada com a implementação do Pacote de Belém em um cenário de crises climática e geopolítica.

“Os passos a serem dados precisam ser feitos antes da entrega para a COP31. E vamos ver como vai ficar essa questão da guerra: isso também é um ponto em que a gente precisa de atenção”, ponderou.

O debate também contou com a participação de representantes do Observatório do Clima e do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), que apresentaram recomendações em várias áreas socioambientais.

Reportagem –  José Carlos Oliveira
Edição – Ana Chalub

Fonte: Câmara dos Deputados

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POLITÍCA NACIONAL

Centrais sindicais temem vulnerabilidade de categorias não contempladas pelas regras da PEC 6×1

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Em reunião com os parlamentares da comissão especial que analisa o fim da escala de trabalho 6×1, representantes de centrais sindicais mostraram preocupação com os trabalhadores que ficarem de fora da redução de jornada para 40 horas semanais. De acordo com o coordenador do Fórum das Centrais Sindicais, Lúcio Clemente, o problema está na restrição ao benefício de acordo com o salário do trabalhador.

O texto apresentado pelo relator prevê que as regras não se aplicam aos profissionais com curso universitário que ganhem mais de duas vezes e meia o teto de remuneração da Previdência Social, o equivalente hoje a R$ 21.188. Os trabalhadores poderão negociar as jornadas individualmente com os patrões. Para Lúcio Clemente, essa norma reduz a proteção desses trabalhadores.

“Isso é uma preocupação grande, porque os efeitos do ponto de vista do impacto sobre o conjunto das categorias podem não ser pequenos. É difícil de mensurar agora, mas nós estamos falando de parte da força de trabalho que, em geral, poderá ficar fora da proteção sindical dos acordos e convenções coletivas”, alertou.

Lúcio Clemente afirmou ainda que as centrais de trabalhadores discordam do prazo concedido para a adequação dos contratos de trabalhadores terceirizados do setor público. A proposta prevê que as empresas, nesse caso, terão até um ano para promover a mudança de jornada. Para o sindicalista, a transição deveria ser a mesma dos demais empregados.

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Relatório
O relator, deputado Leo Prates (Republicanos-BA), apresentou o texto na segunda-feira (25). A proposta assegura a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem diminuição do salário, e garante duas folgas semanais, uma preferencialmente aos domingos.

No caso das folgas, o direito será assegurado assim que a emenda constitucional entrar em vigor. Já a jornada será reduzida para 42 horas por semana 60 dias depois da vigência da norma e para 40 horas, 12 meses depois desse período.

Integrantes da comissão afirmaram que a votação da proposta pode ocorrer nesta quarta-feira na Câmara dos Deputados. O presidente do colegiado, deputado Alencar Santana (PT-SP), adiantou que vai reabrir a sessão de debate sobre o texto às 10 horas da manhã para tentar concluir a votação até as 17 horas.

Segundo o parlamentar, se a comissão aprovar a proposta nesse período, o presidente da Câmara, Hugo Motta, se comprometeu a votar o texto no plenário no mesmo dia.

“Se a gente conseguir isso, o presidente Hugo Mota vai levar essa matéria amanhã à noite ainda para o plenário. Se a gente não conseguir, vai ficar na feira, mas vamos trabalhar amanhã, tentando ali garantir a votação em comissão a tempo de levar o plenário amanhã à noite – até porque é quarta-feira, é um dia em que aqui é a Casa tem forte presença, o que é bom”, disse.

Bruno Spada/Câmara dos Deputados
Audiência Pública - Escuta de representantes de entidades sindicais e movimentos sociais. Dep. Daiana Santos (PCdoB - RS). Dep. Erika Hilton (PSOL - SP)
Erika Hilton (D): “Teremos que permanecer vigilantes”

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Mobilização
Os deputados presentes à audiência pública foram unânimes em pedir mobilização para garantir que o texto seja aprovado. A deputada Erika Hilton (Psol-SP), autora de uma das propostas que deu origem à mudança, pediu atenção total à votação.

“Nós teremos que permanecer vigilantes, lutando contra os inimigos da classe trabalhadora, que irão fazer todas as manobras possíveis para tentar destruir o texto. Depois de votado aqui na Câmara dos Deputados, nós vamos ter que continuar nossa articulação e nossa mobilização, porque no Senado não tem nada dado. O Senado já está tentando fazer algumas manobras. Eles estão pensando: ‘vamos então deixar passar aqui, o pessoal vai dar uma esquecidinha, e depois a gente massacra o texto no Senado’”,, disse ela.

Reportagem – Maria Neves
Edição – Ana Chalub

Fonte: Câmara dos Deputados

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