POLITÍCA NACIONAL
Especialistas cobram mudanças na legislação sobre terrorismo para enfrentamento do crime organizado
POLITÍCA NACIONAL
Especialistas cobraram mudanças na Lei Antiterrorismo visando o enfrentamento do crime organizado. Eles participaram de debate na Comissão de Segurança Pública nesta quarta-feira (13) a pedido do deputado Coronel Meira (PL-PE).
“A lei sobre terrorismo é fundamentada na intolerância e no preconceito como elemento subjetivo, e isto é insuficiente para fazer frente aos atos que estamos vendo”, disse o procurador de Justiça Artur Pinto de Lemos Júnior, de São Paulo.
“Negar essa realidade é perpetuar a impunidade”, afirmou Coronel Meira. “Tratar terroristas como criminosos comuns é fechar os olhos para o avanço da estrutura que alicia jovens, domina territórios, corrompe instituições e exporta violência.”
Avanço das facções
Os participantes foram unânimes em apontar a gravidade do avanço das facções criminosas. Elas já atuam como grupos organizados que desafiam a soberania do Estado por meio do controle de comunidades, táticas de guerrilha e poder bélico.
A principal crítica à legislação atual refere-se à exigência de motivação ideológica, religiosa ou xenofóbica para definir um ato como terrorista. Para os especialistas, a regra ajuda as facções, cujas motivações são econômicas e de domínio territorial.
“[Na Lei Antiterrorismo] foram colocadas essas motivações [xenofobia, religião etc.]. Por consequência, isso não blindou só os movimentos sociais, blindou todas as facções, porque em tudo que elas fazem não tem nenhuma dessas motivações”, criticou o juiz e professor Carlos Eduardo Ribeiro de Lemos, do Espírito Santo.
Asfixia financeira
Os debatedores pediram mecanismos legais para proteger agentes de segurança pública em operações e urgência em asfixiar financeiramente as facções, atacando práticas ilegais que as financiam, como pirataria, contrabando e roubo de cargas.
“Qualquer ação de segurança pública que não esteja calcada em perseguir o dinheiro, prender e manter o faccionado preso, recuperar e manter os territórios e apreender armas vai ser pouco efetiva”, alertou Rodrigo Pimentel, ex-capitão do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar do Rio de Janeiro.
Participantes
Também participaram da audiência pública os deputados José Medeiros (PL-MT) e Evair Vieira de Melo (PP-ES); a juíza Elma Mendonça Tourinho, de Rondônia; o delegado Ferdinando Frederico Murta, de Mato Grosso do Sul; o ex-capitão do Bope do Rio Paulo Estorani; o presidente da Associação Nacional da Guarda Portuária do Brasil, Dejaci da Conceição; o presidente do Fórum Nacional contra Pirataria e Ilegalidade, Edson Vismona; o representante da Confederação Nacional do Transporte Daniel Bertolini; o tenente Daniel Gonçalves Conde, da Polícia Militar do Paraná; e os advogados Jeffre Chiquini e Nerleu Caus.
Reportagem – Ralph Machado
Edição – Natalia Doederlein
Fonte: Câmara dos Deputados
POLITÍCA NACIONAL
Comissão aprova regras de acessibilidade para jovens empreendedores
A Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência da Câmara dos Deputados aprovou proposta que torna obrigatória a acessibilidade em espaços físicos e plataformas digitais de apoio ao empreendedorismo para garantir condições plenas de participação a jovens com deficiência.
O texto altera o Estatuto da Pessoa com Deficiência para incluir regras específicas para incubadoras de empresas, aceleradoras, ambientes de coworking, centros de inovação e demais espaços destinados ao apoio de empreendedores.
Espaços físicos
Segundo o projeto, esses locais deverão assegurar plena acessibilidade às pessoas com deficiência, com participação segura, autônoma e independente em atividades de desenvolvimento de negócios, capacitação e mentoria. A adequação observará as normas técnicas de acessibilidade vigentes, como acessos, circulação interna e tecnologias de apoio.
Os espaços deverão disponibilizar, sempre que necessário, recursos de tecnologia assistiva ou meios de acessibilidade comunicacional, inclusive intérprete de Libras (presencial ou remoto, em tempo real ou não), legendagem, audiodescrição ou outras ferramentas compatíveis com as necessidades dos atendidos. Entre as diretrizes para esse espaço está a sustentabilidade financeira das instituições, evitando impor ônus desproporcionais.
O texto aprovado é um substitutivo do deputado Duarte Jr. (Avante-MA) ao Projeto de Lei 7075/25, do deputado Amom Mandel (Republicanos-AM). Duarte Jr incluiu, por exemplo, a possibilidade de plataforma de interpretação remota de Libras, não necessariamente em tempo real.
“O projeto contribui de maneira significativa para a promoção da cidadania e da acessibilidade das pessoas com deficiência, assegurando maior efetividade na promoção de seus direitos e na inclusão social”, disse Duarte Jr.
Plataformas digitais
A proposta também estabelece que plataformas digitais de apoio ao empreendedorismo, incluindo marketplaces, sistemas de gestão, ambientes de incubação digital e plataformas de prestação de serviços, deverão cumprir padrões de acessibilidade digital compatíveis com as normas e diretrizes nacionais.
A acessibilidade digital abrangerá, no mínimo, a conformidade com diretrizes de acessibilidade para conteúdo web, ferramentas de navegação, módulos de contratação, gerenciamento de produtos ou serviços, comunicação com consumidores e interação entre empreendedores e plataformas.
Duarte Jr. retirou a obrigação de as plataformas assegurarem que todas as etapas essenciais ao empreendimento possam ser realizadas de forma autônoma pela pessoa com deficiência.
Incentivos
O projeto prevê que o Poder Público poderá estabelecer programas de incentivo, apoio técnico e certificação de boas práticas de acessibilidade para espaços físicos e plataformas digitais que cumprirem os requisitos previstos. A proposta estabelece prazo mínimo de dois anos para a implementação das medidas de acessibilidade.
Próximos passos
A proposta ainda será analisada, em caráter conclusivo, pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para virar lei, precisa ser aprovada na Câmara e no Senado.
Reportagem – Tiago Miranda
Edição – Roberto Seabra
Fonte: Câmara dos Deputados
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