POLITÍCA NACIONAL
Caixa diz avançar no atendimento digital sem abandonar agências físicas, mas funcionários apontam falhas
POLITÍCA NACIONAL
Em audiência na Comissão do Trabalho da Câmara dos Deputados nesta quinta-feira (10), a Caixa Econômica Federal (CEF) informou sobre avanços no atendimento digital aos clientes, acompanhado de ampliação de postos físicos para as transações presenciais. No entanto, entidades de servidores e de terceirizados reclamaram do fechamento de cerca de 120 agências, de precarização no trabalho e até de demissões.
Por sugestão dos parlamentares, novas reuniões serão marcadas para aparar arestas no processo de reposicionamento de unidades da Caixa, que hoje conta com mais de 150 milhões de clientes; 25.771 pontos físicos de atendimento, incluindo 4.170 agências; além de mais de 24 mil caixas eletrônicos e quase a mesma quantidade de bancos 24 horas.
A superintendente nacional de estratégia de clientes, canais e inovação do banco, Fernanda de Castro, disse que a atual gestão tem consciência do tamanho e da importância da Caixa para a população.
“Em momento nenhum, a Caixa deixa de ter a capilaridade e a força dela como uma premissa estratégica. Nós entendemos a importância de se manter presente fisicamente, espalhado por todo o território. As unidades que foram escolhidas para serem reposicionadas para o digital estão em localidades onde nós temos outras unidades da Caixa em um raio de pelo menos 3 quilômetros”, explicou.
Fernanda lembrou que, nos últimos anos, houve 231% de crescimento no uso de celular para transações bancárias em geral e defendeu a necessidade de presença da Caixa nesses meios digitais e canais remotos. Afirmou ainda que, ao contrário dos bancos que reduziram drasticamente o número de agências físicas diante dos avanços tecnológicos, a Caixa abriu 70 novas unidades físicas, sobretudo nas regiões Nordeste (32), Norte (13) e Sudeste (12). A instituição também conta com parcerias com mais de 13 mil lotéricas e 8 mil correspondentes. Barcos (2) e caminhões (10) ajudam a levar atendimento aos locais mais isolados.
Agências fechadas
Já o presidente da Federação Nacional das Associações de Pessoal da Caixa (Fenae), Sérgio Takemoto, se queixou de que várias sugestões apresentadas pelos servidores foram aparentemente acatadas, mas não implementadas, sobretudo em relação às 120 agências físicas fechadas.
“Dessas 120 agências, mais de 80% estão localizadas em São Paulo, Distrito Federal, Rio de Janeiro e Paraná, que são praças onde o sistema financeiro privado tem grande interesse. Nós queremos uma Caixa Social, mas também nós queremos que a Caixa continue dando lucro para poder investir nos projetos governamentais”, reforçou.
Representante do Sindicato dos Bancários de Brasília (Seeb-DF), Antônio Abdan reclamou do foco da Caixa em atendimento presencial via lotéricas.
“Pode-se dizer até que existem atendimentos precarizados, tanto para o empregado da lotérica, que faz serviço de bancário e não recebe como bancário, como também na própria questão de segurança”, disse.

Em São Paulo, uma ação popular conseguiu reverter o fechamento da agência da Praça do Forró, em área de comércio popular da zona leste. A presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio do Distrito Federal (Sindicom-DF), Geralda de Sales, citou outros impactos do reposicionamento de agências da Caixa para o cotidiano das cidades em geral e questionou os critérios do banco.
“Eu sei que uma empresa fecha quando ela não tem lucro. Mas, se a Caixa teve R$ 12 bilhões [de lucro líquido contábil] no ano passado, para que fechou mais de 100 agências? E por que ainda vai fechar mais agências?”
A Confederação Nacional dos Trabalhadores Vigilantes e Prestadores de Serviços (CNVT) denunciou 23 demissões no Distrito Federal. Outros sindicatos ligados a terceirizados – como telefonistas e pessoal de copa e limpeza – manifestaram preocupação com o fechamento de postos de trabalho. Porém, Fernanda Castro, da Caixa, descartou demissões.
“Não há, hoje, nenhuma diretriz da Caixa de redução de postos de trabalho. Então, a gente precisa pegar os fatos concretos e olhar o que está acontecendo e fazer esse processo de forma conjunta para que não gere receio”.
Partiu da deputada Erika Kokay (PT-DF), organizadora do debate, a sugestão de nova rodada de negociação da Caixa com entidades de servidores e de terceirizados a fim de corrigir os problemas apontados na audiência da Câmara. Kokay também defende revisão pontual no processo de reposicionamento de agências.
“A Caixa é a maior articuladora de políticas públicas, seja o Minha Casa Minha Vida, o Bolsa Família, o Fies e tantos programas que são fundamentais. Portanto, nos aflige muito o fechamento de agências da Caixa, porque não há qualquer tipo de contradição entre a Caixa ser um banco social e a Caixa disputar o mercado e fazer com que nós tenhamos, inclusive, um spread social”, ressaltou.
Atualmente, a Caixa está com concurso aberto para a contratação de cerca de 4 mil servidores.
Reportagem – José Carlos Oliveira
Edição – Ana Chalub
Fonte: Câmara dos Deputados
POLITÍCA NACIONAL
Na CMO, especialistas pedem mais recursos para melhorar educação infantil
Em audiência pública na Comissão Mista de Orçamento (CMO), na tarde desta quarta-feira (5), especialistas reconheceram avanços na educação infantil, mas pediram mais recursos no Orçamento público para atendimento de qualidade nessa etapa, que acolhe crianças de zero a 5 anos de idade.
O debate sobre o financiamento do setor e a execução orçamentária das políticas públicas destinadas às creches e pré-escolas foi pedido pela deputada Professora Luciene Cavalcante (PSOL-SP).
— Estamos aqui pensando e discutindo o Orçamento do Brasil, e precisamos de mais recursos para a educação infantil — declarou a deputada, defendendo mecanismos de acompanhamento e rastreio dos recursos públicos para o setor.
O deputado estadual Carlos Giannazi (PSOL-SP), que também é professor, afirmou que a qualidade da educação infantil passa pela discussão de vários temas, como piso salarial dos docentes, concurso público, formação de profissionais e estrutura de escolas e creches.
Giannazi manifestou preocupação com a transferência de recursos públicos para organizações sociais, o que promoveria uma “terceirização da educação”. Segundo o deputado, o dinheiro público precisa ser investido pelos governos de forma eficiente e direta nas creches e escolas públicas.
— Defendemos uma educação pública gratuita e de qualidade, da creche à pós-graduação — declarou o deputado.
Na visão do professor Fábio Hoffmann Pereira, pesquisador da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e representante da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, o debate sobre o gasto público para uma educação infantil de qualidade passa, necessariamente, pelo entendimento de que a educação é um direito social e um dever do estado.
— Pensar o financiamento de creches e da educação infantil é criar condições concretas para que o Estado cumpra sua obrigação de implantar uma educação de qualidade — disse o professor.
A coordenadora do Movimento Somos Todas Professoras, Berta Lúcia Souza Lima, disse que quem atua “no chão da creche” sabe da necessidade de mais recursos para a educação infantil. Segundo ela, o desafio do movimento é cobrar a implementação da Lei 15.326, de 2026, que reconhece os professores da educação infantil como profissionais do magistério público.
— A educação infantil é a que precisa de mais recursos, pois demanda mais profissionais, alimentação mais saudável e materiais didáticos específicos. Estamos trabalhando, fazendo nosso trabalho, formando cidadãos — argumentou.
Avanços
Para a presidente da Associação Nacional de Pesquisa em Financiamento da Educação (Fineduca), professora Adriana Dragone Silveira, a educação avançou muito no Brasil com o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), criado em 2006. Ela apontou, no entanto, que é preciso discutir a ampliação do atendimento infantil e também pensar a qualidade do gasto, sem as limitações impostas pelo teto de gastos.
— Fica aqui a defesa de que é preciso retirar os recursos da educação de dentro do arcabouço fiscal — registrou Adriana.
A advogada Marina Fragata Chicaro, representante da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, ressaltou a importância do investimento na educação infantil como estratégia de construção do futuro de país. Ela lembrou que, conforme amparo constitucional e legal, a criança deve ser vista como prioridade absoluta. Assim, ponderou a advogada, é preciso direcionar os recursos orçamentários de forma mais “qualitativa e equitativa”.
— Há muito a fazer, mas temos avanços. E boa parte deles têm a ver com os incentivos que o Orçamento tem feito — registrou Marina Chicaro.
Diretor de Monitoramento, Avaliação e Manutenção da Educação Básica do Ministério da Educação, Valdoir Pedro Wathier reconheceu que a questão das creches e da educação infantil é um desafio para o país, desde a quantidade e a localização das creches até a qualidade do ensino ofertado para as crianças.
Wathier afirmou que o Fundeb tem tido um crescimento de 4% acima da inflação nos últimos anos — o que, segundo ele, representaria uma evolução expressiva dos valores direcionados à educação no Orçamento.
Controle
De acordo com o diretor de Controle Externo da Educação do Tribunal de Contas da União (TCU), Paulo Malheiros da Franca Junior, houve um crescimento significativo da educação dentro do Orçamento federal, por conta de novas modalidades de financiamento.
O diretor ressaltou que o controle externo contribui para a qualidade do gasto público e pediu respaldo legal para que esse tipo de fiscalização sobre os recursos da educação seja ampliado. Ele também defendeu dar força de lei a critérios que já estão presentes em portarias, como medidas de transparência e acesso público a dados orçamentários.
— Seria importante ter esse amparo em lei. O não acesso aos dados termina inviabilizando o papel dos órgãos de controle — registrou o diretor do TCU.
CMO
A CMO é um colegiado permanente do Congresso Nacional, integrado por deputados e senadores.
Presidida pelo deputado Domingos Neto (PSD-CE), a comissão tem a responsabilidade constitucional de examinar, emitir parecer e votar as leis que definem o planejamento e os gastos do governo federal.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
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